segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Perguntas e Respostas - O que é o ‘chumbinho’?

 Perguntas e Respostas

- O que é o ‘chumbinho’?

É um produto clandestino, irregularmente utilizado como raticida. Não possui registro na Anvisa, nem em nenhum outro órgão de governo.

- Qual é seu aspecto físico?

Geralmente sob a forma de um granulado cinza escuro ou grafite (“cor de chumbo”).


-  Existem recomendações de segurança para a aplicação de ‘chumbinho’ como raticida?

Não. Trata-se de um produto ilegal que não deve ser utilizado sob nenhuma circunstância.

- Do que consiste o ‘chumbinho’? Qual a sua origem?

Em geral, trata-se de venenos agrícolas (agrotóxicos), de uso exclusivo na lavoura como inseticida, acaricida ou nematicida, desviado do campo para os grandes centros para serem indevidamente utilizados como raticidas. Os agrotóxicos mais encontrados nos granulados tipo ‘chumbinho’ pertencem ao grupo químico dos carbamatos e organofosforados, como verificado a partir de análises efetuadas em diversas cidades do país. O agrotóxico aldicarbe figura como o preferido pelos contraventores, encontrado em cerca de 50 % dos ‘chumbinhos’ analisados. Outros agrotóxicos também encontrados em amostras analisadas de ‘chumbinho’ são o carbofurano (carbamato), terbufós (organofosforado), forato (organofosforado), monocrotofós (organofosforado) e metomil (carbamato). A escolha da substância varia de região para região do país.

- Quem “produz” e comercializa o ‘chumbinho’?

 Quadrilhas de contraventores, que adquirem o produto de forma criminosa (através de roubo de carga, contrabando a partir de países vizinhos ao Brasil ou desvio das lavouras), fracionam e/ou diluem e revendem no comércio informal. Algumas casas agrícolas irresponsáveis também comercializam ‘às escondidas’ este veneno, agindo igualmente de forma clandestina.

- O ‘chumbinho’ é eficiente para o controle de roedores?

Não. Esses venenos agrícolas possuem elevada toxicidade aguda, de forma que a morte do roedor ocorre poucos instantes após sua ingestão, o que dá a falsa impressão ao consumidor de que o produto é eficiente. Mas as colônias de ratos não funcionam assim. Normalmente o animal mais idoso ou doente é enviado para ‘provar’ o novo ‘alimento’; como ele morre em seguida, os demais ratos observam e fogem. Ou seja, o problema não foi resolvido, os roedores apenas passaram para a vizinhança e continuam circulando pela região. Ao contrário, os raticidas legais, próprios para esse fim e com registro na Anvisa (denominados cumarínicos), agem como anti-coagulantes e a morte do animal é mais lenta, fazendo com que todos os ratos da colônia ingiram também o veneno, assim exterminando-os de forma mais eficiente, ainda que leve mais de tempo, apenas requerendo um pouco de paciência e disciplina por parte do usuário.

- Quais são os perigos do uso irregular/ilegal de ‘chumbinho’ e os sintomas de intoxicação?

Sendo um produto clandestino/sem registro, ele não possui rótulo contendo orientações quanto ao seu manuseio e segurança, informações médicas, telefones de emergência e, o que é ainda mais grave, a descrição do agente ativo bem como antídotos em caso de envenenamento, o que é fundamental para orientação do profissional de saúde nesse momento. Os sintomas típicos de intoxicação por ‘chumbinho’ são as manifestações de síndrome colinérgica e ocorrem em geral em menos de 1 h após a ingestão, incluindo náuseas, vômito, sudorese, sialorréia (salivação excessiva), borramento visual, miose (contração da pupila), hipersecreção brônquica, dor abdominal, diarréia, tremores, taquicardia, entre outros. Em caso de intoxicação, ligue para o Disque-Intoxicação: 0800-722-6001. A ligação é gratuita em todo território nacional e você será atendido e orientado por um profissional de saúde especializado.

A COMPRA E VENDA DE CHUMBINHO É CRIME. DENUNCIE PARA A VIGILÂNCIA SANITÁRIA MAIS PRÓXIMA!


Texto extraído de: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/acessoainformacao/perguntasfrequentes/agrotoxicos/chumbinho


sexta-feira, 22 de julho de 2022

Saiba como se prevenir de ataques de escorpiões

Picadas de insetos e animais peçonhentos – parte 2

Picadas por abelha:


Quadro clínico: as reações desencadeadas pela picada de abelhas são variáveis de acordo com o local e com o número de ferroadas, as características e o passado alérgico do indivíduo atingido.

As manifestações clínicas podem ser: alérgicas (mesmo com uma só picada) e tóxicas (múltiplas picadas).

Manifestações:

1. Locais: habitualmente, após uma ferroada, há dor aguda local, que tende a desaparecer espontaneamente em poucos minutos, deixando vermelhidão, coceira e inchaço por várias horas ou dias. A intensidade desta reação inicial causada por uma ou múltiplas picadas deve alertar para um possível estado de sensibilidade e exacerbação de resposta às picadas subseqüentes.

2. Regionais: são de início lento. Além da vermelhidão e coceira, o inchaço evolui para o endurecimento do local, que aumenta de tamanho nas primeiras 24-48 horas, diminuindo gradativamente nos dias subseqüentes. Podem ser tão exuberantes a ponto de limitarem a mobilidade do membro. Menos de 10% dos indivíduos que experimentaram grandes reações localizadas apresentarão depois reações sistêmicas.

3. Sistêmicas: apresentam-se como manifestações de reação alérgica grave, com sintomas de início rápido, 2 a 3 minutos após a picada. Além das reações locais, podem estar presentes sintomas como, dor de cabeça, vertigens e calafrios, agitação psicomotora, sensação de opressão torácica (aperto no peito) e outros sintomas e sinais, como:

– coceira generalizada, vermelhidão, urticária (placas avermelhadas na pele) e inchaço nos vasos sanguíneos das camadas profundas da pele.

– respiratórios: rinite, inchaço de laringe provocando dificuldade para respirar, rouquidão;

– digestivos: coceira no céu da boca ou na faringe, inchaço nos lábios, língua, úvula e epiglote, dificuldade para engolir, náuseas, cólicas abdominais ou pélvicas, vômitos e diarréia;

– cardiocirculatórios: a hipotensão (pressão baixa) é o sinal maior, manifestando-se por tontura. Podem ocorrer palpitações e arritmias cardíacas


4. Reações alérgicas tardias: há relatos de raros casos de reações alérgicas que ocorrem vários dias após a(s) picada(s) e se manifestaram pela presença de dor nas articulações, febre e encefalite.

5. Tóxicas: nos acidentes provocados por ataque múltiplo de abelhas (enxame) desenvolve-se um quadro tóxico generalizado denominado de síndrome de envenenamento, por causa da quantidade de veneno inoculada. Além das manifestações já descritas, há dados indicativos de hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos do sangue). Alterações neurológicas como torpor e coma, hipotensão arterial e insuficiência renal aguda podem ocorrer.

Complicações:

As reações de hipersensibilidade podem ser desencadeadas por uma única picada e levar o acidentado à morte, em virtude do inchaço na laringe ou choque anafilático. Na síndrome de envenenamento, descrita em pacientes que geralmente sofreram mais de 500 picadas, podem ocorrer distúrbios graves, como anemia aguda, depressão respiratória e insuficiência renal aguda.


Remoção dos ferrões: nos acidentes causados por enxame, a retirada dos ferrões da pele deverá ser feita por raspagem com lâminas e não pelo pinçamento de cada um deles, pois a compressão poderá espremer a glândula ligada ao ferrão e inocular no paciente o veneno ainda existente.

Picadas por cobras:

As principais cobras que provocam acidentes graves no Brasil são: a jararaca, a surucucu, a cascavel e as corais.

O veneno da jararaca e da surucucu provoca, em até 3 horas depois da picada:

– dor imediata;

– inchaço, calor e vermelhidão no local picado;

– hemorragia (sangramento) no local da picada ou distante dela;

– diarréia (em caso de picada por surucucu).

Complicações:

– bolhas, gangrena, acúmulo de pus, insuficiência renal aguda.

A cascavel possui veneno que não provoca reações graves no local da picada, mas pode levar à morte.

A pessoa que foi picada pode apresentar:

– nas primeiras horas: dificuldade em abrir os olhos; “visão dupla” ou “visão turva”; dor muscular; urina avermelhada.

– após 6-12 horas: escurecimento da urina.


Complicações: insuficiência renal aguda.

A ação do veneno das cobras corais no organismo é muito rápida; os sinais e sintomas aparecem em questão de minutos.

Sinais e sintomas:

– dificuldade em abrir os olhos;

– desorientação;

– falta de ar;

– dificuldade em engolir;

– insuficiência respiratória aguda.

O que fazer em caso de acidentes com picadas de cobras:

Muitas vezes, mesmo adotando cuidados de prevenção, podem ocorrer acidentes com cobras. Como medida de primeiros socorros, até que se chegue ao serviço de saúde para tratamento, recomenda-se:

– NÃO amarrar ou fazer torniquetes, o que impede a circulação do sangue, podendo produzir necrose ou gangrena;

– NÃO colocar nenhuma substância, folhas ou qualquer produto na picada;

– NÃO cortar ou chupar o local da picada;

– NÃO dar bebida alcoólica ou querosene ao acidentado;

– Manter o acidentado em REPOUSO, evitando que ele ande, corra ou se locomova, o que facilita a absorção do veneno. No caso de picadas em braços ou pernas, é importante mantê-los em POSIÇÃO MAIS ELEVADA;

– Levar o acidentado para o centro de tratamento mais próximo, para receber o soro adequado.

Algumas medidas de prevenção:

– nunca andar descalço. O uso dos sapatos, botinas sem elásticos, botas ou perneiras deve ser obrigatório. Dependendo da altura do calçado, os acidentes podem ser evitados na ordem de 50 até 72%;

– olhar sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer;

– usar luvas de couro nas atividades rurais e de jardinagem. Nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras;

– não colocar as mãos em tocas para pegar pelo rabo o tatu que é visto ao entrar; esta é a melhor maneira de ser picado por cascavéis que se abrigam nesses locais;

– não utilizar diretamente as mãos ao tocar em sapé, capim, mato baixo, montes de folhas secas; usar sempre antes um pedaço de pau, enxada ou foice, se for o caso. Esse tipo de cuidado pode evitar até 20% dos acidentes que acontecem nas mãos e no antebraço;

– tampar frestas e buracos em paredes e assoalhos;

– não acumular material inútil junto à habitação rural, como lixo, entulhos e materiais de construção. Manter sempre uma calçada limpa ao redor da casa. Essa faixa pavimentada junto às paredes tem várias utilidades: evita penetração de umidade nos alicerces, impede o contato com capim ou grama dos jardins e principalmente portas, que normalmente devem estar fechadas e ter um mínimo de vão no solo;

– evitar trepadeiras muito encostadas a casa, folhagens entrando pelo telhado ou mesmo pelo forro;

– não fazer piquenique às margens dos rios ou lagoas, deles mantendo distância segura, e não encostar em barrancos durante a pescaria;

– animais domésticos como galinhas e gansos, em geral, afastam as serpentes das áreas mais próximas às habitações.


IMPORTANTE: Somente médicos e cirurgiões-dentistas devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As informações disponíveis em Dicas em Saúde possuem apenas caráter educativo.

Dica elaborada em julho de 2.010.

Fontes:



Fundação Nacional de Saúde. Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes com animais peçonhentos

Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Prevenção de Acidentes com Animais Peçonhentos (Cartilha impressa)

Universidade Estadual de Campinas. Hospital Virtual Brasileiro. Acidentes com animais peçonhentos. (Lopes, Angela Cristina)

Picada de mosquito: por que coça tanto?

Picada de mosquito: por que coça tanto?: Mesmo que o pernilongo seja inofensivo, o perigo está nas doenças que ele pode transmitir

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Picadas de insetos e animais peçonhentos – parte 1


 Picadas de insetos e animais peçonhentos – parte 1

Animais peçonhentos são aqueles que possuem glândulas de veneno e que o injetam com facilidade por meio de dentes ocos, ferrões ou aguilhões. Ex.: serpentes, aranhas, escorpiões, lacraias, abelhas, vespas, marimbondos e arraias.
Já os animais venenosos são aqueles que produzem veneno, mas não possuem um aparelho inoculador (dentes, ferrões), provocando envenenamento passivo por contato (lonomia ou taturana), por compressão (sapo) ou por ingestão (peixe baiacu).
Os acidentes com animais venenosos e peçonhentos têm grande importância médica devido a sua gravidade e freqüência. Podem ser: picadas por escorpiões, aranhas, lacraias, cobras, abelhas.
Picadas por escorpiões:



Freqüentemente, a picada de escorpião é seguida de dor (moderada ou intensa) ou formigamento no local da picada; podem ser tratados com analgésicos, sendo fundamental observar o surgimento de outros sintomas por, no mínimo, 6 a 12 horas, principalmente em crianças menores de 7 anos e em idosos.
Sintomas de gravidade:
– náuseas ou vômito; suor excessivo; agitação; tremores; salivação; aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial.
Nestes casos, procurar atendimento hospitalar o mais rápido possível, mantendo o paciente em repouso, para avaliação da necessidade de aplicação de soro anti-escorpiônico. Se possível, o animal que provocou a picada deve ser levado ao serviço de saúde para identificação.
Picadas por aranhas:
As principais aranhas causadoras de acidentes no Brasil são a “armadeira”, a marrom, a tarântula e a caranguejeira.
A armadeira quando surpreendida coloca-se em posição de ataque, apoiando-se nas pernas traseiras, ergue as dianteiras e procura picar. A picada causa dor imediata, inchaço local, formigamento e suor no local da picada. Deve-se combater a dor com analgésicos e observar rigorosamente novos sintomas, como vômitos, aumento da pressão arterial, dificuldade respiratória, tremores, espasmos musculares, caracterizando acidente grave. Assim, há necessidade de internação hospitalar e aplicação de soro específico.
A picada da aranha marrom provoca menos acidentes, por ser pouco agressiva. Na hora da picada a dor é fraca e despercebida, após 12 a 24 horas podem surgir dor local com inchaço, náuseas, mal estar geral, manchas, bolhas e até morte das células (necrose) no local picado. Nos casos graves, a urina fica de cor marrom escura. Deve-se procurar atendimento médico para avaliação.
A picada da tarântula (aranha que vive em gramados ou jardins) pode provocar pequena dor local e necrose. Utilizam-se analgésicos para alívio da dor e não há tratamento com soro específico, assim como para as picadas de caranguejeiras.
Algumas medidas de prevenção:
– usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem;
– examinar e sacudir calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las;
– afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários;
– não acumular lixo orgânico, entulhos e materiais de construção;
– limpar regularmente atrás de móveis, cortinas, quadros, cantos de parede;
– vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros, meia-canas e rodapés;
– utilizar telas e vedantes em portas, janelas e ralos. Colocar sacos de areia nas portas para evitar a entrada de animais peçonhentos;
– manter limpos os locais próximos das residências, jardins, quintais, paióis e celeiros. Evitar plantas tipo trepadeiras e bananeiras junto às casas e manter a grama sempre cortada;
– combater a proliferação de insetos, principalmente baratas e cupins, pois são alimentos para aranhas e escorpiões;
– preservar os predadores naturais de aranhas e escorpiões como seriemas, corujas, sapos, lagartixas e galinhas;
– limpar terrenos baldios pelo menos na faixa de um a dois metros junto ao muro ou cercas;
– não colocar mãos ou pés em buracos, cupinzeiros, montes de pedra ou lenha, troncos podres, etc.
Picadas por lacraias:
As “lacraias”, também conhecidas como “centopéias”, são animais caçadores noturnos muito rápidos e têm o corpo adaptado para penetrar em frestas, onde se escondem durante o dia. Podem medir até 23 cm e se alimentam de insetos, lagartixas, camundongos e até filhotes de pássaros.
O veneno das lacraias é muito pouco tóxico para o homem. Embora existam muitas lendas a respeito desse animal, não há, no Brasil, relatos comprovados de morte nem de envenenamentos graves em acidentes com lacraias. Os sintomas são dor forte e inchaço no local da picada. Em acidentes com lacraias grandes também podem ocorrer febre, calafrios, tremores e suores, além de uma pequena ferida.
As lacrais gostam muito de umidade. Como perambulam muito, é comum penetrarem nas casas, onde causam muitos acidentes, que podem ser evitados tomando-se as seguintes precauções:
– limpar os ralos semanalmente com creolina e água quente, e mantê-los fechados quando não em uso;
– limpar e manter fechadas as caixas de gordura e os esgotos;
– os jardins devem ser limpos, a grama aparada e as plantas ornamentais e trepadeiras devem ser afastadas das casas e podadas para que os galhos não toquem o chão;
– porões, garagens e quintais não devem servir de depósito para objetos fora de uso que possam servir de esconderijo para as lacraias;
– os muros e calçamentos devem ser cuidados para que não apresentem frestas onde a umidade se acumule e os animais possam se esconder.
Tomando-se esses cuidados, a ocorrência de lacraias diminui muito. Mas, em caso de acidente, evite beber álcool, querosene, cachaça, etc., pois isso só lhe causaria intoxicação. Mantenha o local da picada o mais limpo possível. Embora o veneno das lacraias não seja muito perigoso para o ser humano, é bom procurar orientação médica.
Como evitar acidentes por escorpiões, aranhas e lacraias:
– manter jardins e quintais limpos. Evitar o acúmulo de entulhos, lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas, inclusive terrenos baldios;
– evitar folhagens densas (trepadeiras, bananeiras e outras) junto às casas;
– manter a grama aparada;
– em zonas rurais, casas de campo, sacudir roupas e sapatos antes de usar;
– não pôr a mão em buracos, sob pedras, sob troncos “podres”;
– usar calçados e luvas ao mexer em locais que podem abrigar escorpiões e aranhas;
– vedar frestas e soleiras das portas e janelas ao escurecer.
IMPORTANTE: Somente médicos e cirurgiões-dentistas devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As informações disponíveis em Dicas em Saúde possuem apenas caráter educativo.
Dica elaborada em julho de 2.010.
Fontes:
Fundação Nacional de Saúde. Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes com animais peçonhentos
Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Prevenção de Acidentes com Animais Peçonhentos. (Cartilha impressa)
Universidade Estadual de Campinas. Hospital Virtual Brasileiro. Acidentes com animais peçonhentos. (Lopes, Angela Cristina)
Da biblioteca virtual de saúde - ministério da saúde

terça-feira, 12 de julho de 2022

Entenda as diferenças entre inseto e aranha

Entenda as diferenças entre inseto e aranha

Há várias diferenças entre inseto e aranha. Muitos não sabem, ou não param para pensar sobre isso, mas as aranhas não são insetos, e sim aracnídeos — outro grupo de criaturas. Dentre as várias diferenças entre inseto e aranha, as principais são sua morfologia e classificação científica. Os insetos pertencem ao filo Arthropoda, e à classe Insecta, e são conhecidos por possuírem três segmentos no corpo, três pares de pernas, olhos compostos com lentes múltiplas e um exoesqueleto quitinoso. As aranhas pertencem ao mesmo filo, mas à classe Arachnida. Elas possuem corpos com dois segmentos, oito pernas, olhos simples e a habilidade de tecer seda e injetar veneno.

Fig 1 - Aranha marrom


Aracnídeos tem quatro pares de pernas. 

Diferenças entre inseto e aranha: classificação científica

Uma das diferenças entre inseto e aranha é a sua classificação científica. Ambos fazem parte do filho Arthropoda, mas não pertencem à mesma classe. Por um lado, os insetos fazem parte da classe Insecta, e por outro, as aranhas fazem parte da classe Arachnida, e da ordem Araneae. Esses dois grupos possuem algumas similaridades, por isso fazem parte do mesmo filo, mas as diferenças filogenéticas são significativas o suficiente para os separarem em classes diferentes de criaturas.

Metamorfose

Borboletas em metamoforse.





Uma das grandes diferenças entre inseto e aranha é a maneira pela qual eles passam pela metamorfose. Os insetos podem passar por uma metamorfose completa ou incompleta. A incompleta é conhecida como metamorfose gradual, sendo essa a única que as aranhas podem realizar.

O exemplo mais comum de um inseto passando por uma metamorfose completa é a da lagarta. A lagarta emerge do ovo em sua forma de lava, e então passa um bom tempo se alimentando e se preparando para o próximo estágio de sua metamorfose. Nesse período, ela muda várias vezes e aumenta de tamanho. Depois disso, ela entra no estágio de pupa, e então alcança o estágio final de borboleta ou mariposa, emergindo do casulo em sua quarta forma, final e adulta. As aranhas não passam por metamorfoses complexas dessa forma. Ao invés disso, elas emergem dos ovos como filhotes e passam por uma metamorfose gradual, formando seu exoesqueleto até alcançarem o tamanho adulto.

Morfologia

Os insetos e aranhas possuem corpos muito únicos e específicos. Os insetos têm três seções no corpo, incluindo a cabeça, o tórax e o abdômen. As aranhas, por sua vez, só possuem duas seções, o cefalotórax e o abdômen. A primeira é uma fusão da cabeça com o tórax. Os insetos têm três pares de pernas, num total de seis, enquanto as aranhas possuem oito ao todo, quatro de cada lado. Ambas as criaturas possuem exoesqueletos quitinosos, sendo essa uma das principais similaridades morfológicas entre ambos. Além disso, muitos insetos possuem asas, duas antenas e olhos compostos. As aranhas, por sua vez, não podem voar sem a ajuda de balões de seda e do vento. Além disso, elas não têm antenas, e seus olhos são simples, sem múltiplas lentes como as dos insetos. Isso não significa que as aranhas são menos desenvolvidas, contudo. Elas conseguem produzir seda e teias, afinal, que servem para capturar presas. Além disso, as aranhas também têm quelíceras e pedipalpos que as ajudam a manipular      




alimentos e envenenar suas presas. Portanto, ainda que sejam similares em vários aspectos, os insetos e aranhas diferem na maioria deles.

artigo publicado em:

https://socientifica.com.br/diferencas-entre-inseto-e-aranha/


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Pesquisa da USP mostra erros de higiene na cozinha que colocam a saúde em risco

Pesquisa da USP mostra erros de higiene na cozinha que colocam a saúde em risco

jornal.usp.br/universidade/pesquisa-da-usp-mostra-erros-de-higiene-na-cozinha-que-colocam-a-saude-em-risco/

December 13, 2021

Realizado pelo Centro de Pesquisas em Alimentos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, o estudo analisou as medidas de higiene, manipulação e armazenamento de alimentos junto a 5 mil pessoas de todos os Estados brasileiros

 Publicado: 13/12/2021

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos cerca de 600 milhões de indivíduos no mundo adoecem e 420 mil morrem em decorrência de doenças transmitidas por alimentos (DTA). No Brasil, entre 2000 e 2018, foram registrados oficialmente 247.570 casos de DTA com 195 mortes, segundo dados do Ministério da Saúde. E qual foi a origem principal da contaminação apontada pelo estudo? A cozinha da própria casa. 

Diante desses dados, os pesquisadores do Centro de Pesquisas em Alimentos, também chamado Food Research Center (FoRC), da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, realizaram um estudo para analisar os hábitos de higiene e práticas relativas à higienização, manipulação e armazenamento dos alimentos nas residências dos brasileiros. Os resultados mostram que uma parcela expressiva da população adota medidas inadequadas. Portanto, está mais exposta às DTA. Feita com 5 mil pessoas de todos os Estados brasileiros (a maioria mulheres entre 25 e 35 anos e com renda entre 4 e 10 salários mínimos), a pesquisa também verificou as temperaturas das geladeiras de 216 residências no Estado de São Paulo. 

Cerca de 46,3% dos participantes disseram ter o hábito de lavar carnes na pia da cozinha, 24,1% costumam consumir carnes malcozidas e 17,4% consomem ovos crus ou malcozidos em maioneses caseiras e outros pratos. “Lavar carnes, especialmente a de frango, na pia da cozinha pode espalhar potenciais patógenos no ambiente, representando uma prática de risco”, explica o coordenador da pesquisa, Uelinton Manoel Pinto, professor da FCF e integrante do FoRC.  

Segundo ele, o consumo de alimentos de origem animal malcozidos ou crus também apresenta risco microbiológico, já que o recomendado é cozinhar o alimento a uma temperatura mínima de 74°C para garantir a inativação de patógenos que podem estar presentes no produto cru. “Lembrando que nem todo produto cru de origem animal contém micro-organismos patogênicos, mas existe esse risco e o cozimento adequado garante que esses micro-organismos sejam eliminados ou reduzidos a níveis seguros.” 

Com respeito às práticas de higienização de verduras, 31,3% costumam fazer a higienização apenas com água corrente e 18,8%, com água corrente e vinagre. Para higienização de frutas, 35,7% utilizam apenas água corrente e 22,7%, água corrente e detergente. “Para a higienização segura de verduras, legumes e frutas que serão consumidos crus a recomendação é lavar com água corrente e utilizar uma solução clorada com um tempo de contato mínimo de 10 minutos, seguido de novo enxágue em água corrente”, acrescenta. O porcentual de pessoas que usam água com solução clorada, no estudo, foi de 37,7% (para verduras) e 28,5% (para frutas). Vale ressaltar que vegetais que serão cozidos ou frutas que serão consumidas sem a casca não precisam passar pela desinfecção em solução clorada. 

Práticas inadequadas que podem ocasionar doenças por contaminação dos alimentos  46,3%

lavar carnes na pia da cozinha   24,1%

consumir carnes malcozidas  17,4%

consumir ovos crus ou malcozidos  31,3%

higienização de verduras apenas com água corrente

Fonte: Food Research Center (FoRC), FCF USP

Aprendendo a armazenar os alimentos

Os resultados da pesquisa da FoRC mostram que parcela significativa dos entrevistados realiza práticas de higiene, manuseio e armazenamento de alimentos inadequadas.

Para corrigir estes erros, os pesquisadores elaboraram um material educativo para orientar sobre a forma correta de armazenar os alimentos na geladeira. :  http://forc.webhostusp.sti.usp.br/forc/arquivos/paginas/Cartilha%20armazenamento%20dos%20alimentos%2007.04.21.pdf

Qual a temperatura ideal e a validade dos alimentos na geladeira?

Os alimentos devem ser armazenados sob refrigeração (na geladeira), seguindo as recomendações dos fabricantes constantes na rotulagem ou critérios de uso

Cuidados na refrigeração

Ao fazer compras em supermercados, a maioria dos participantes (81%) não utiliza sacolas térmicas para transportar alimentos refrigerados ou congelados até suas residências. “Em um país como o Brasil, onde as temperaturas chegam facilmente a 30°C em várias cidades durante o ano todo, é fundamental que os produtos perecíveis sejam transportados em condições adequadas, dentro de uma sacola térmica”, destaca Jessica Finger, nutricionista e pesquisadora que conduziu a pesquisa, que teve ainda o envolvimento de um aluno de iniciação científica, Guilherme Silva, graduando de Nutrição da USP.  

Com relação às sobras de alimentos, 11,2% dos participantes relataram armazená-las na geladeira passadas mais de duas horas do preparo, o que representa risco à segurança dos alimentos. “Não é recomendado deixar alimentos prontos por mais de duas horas sem refrigeração, visto que a temperatura ambiente favorece o crescimento microbiano nesses alimentos. Essa é uma das principais práticas responsáveis por surtos de doenças de origem alimentar,” acrescentam os pesquisadores. 

Evidenciou-se também que era comum entre os participantes descongelar os alimentos em temperatura ambiente (39,5%) ou dentro de um recipiente com água (16,9%), o que também não é adequado, visto que os alimentos devem ser mantidos a uma temperatura segura durante o descongelamento, podendo ser realizado na geladeira ou no micro-ondas. 

Armazenamento de carnes

Sobre o armazenamento de carnes na geladeira, a maioria dos participantes (57,2%) relatou armazenar as carnes na própria embalagem que contém o produto. Esta prática é questionável, uma vez que é preciso utilizar um recipiente adequado para evitar o gotejamento do suco da carne e a contaminação de outros alimentos estocados no refrigerador.  

A boa notícia é que em relação à temperatura dos refrigeradores, dos 1.944 registros coletados, 91% ficaram entre a faixa de temperatura recomendada, de 0 a 10°C. Este dado é importante, pois pode ser utilizado em estudos de modelagem para prever a multiplicação de micro-organismos nos alimentos refrigerados. 

Texto: Acadêmica Agência de Comunicação 

Política de uso 

A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.



sexta-feira, 28 de maio de 2021

PESSOAS QUE JÁ TIVERAM DENGUE TÊM DUAS VEZES MAIS CHANCE DE DESENVOLVER A FORMA SINTOMÁTICA DA COVID 19

 

Pessoas que já tiveram dengue têm duas vezes mais chance de desenvolver a forma sintomática da COVID-19

10 de maio de 2021

Karina Toledo | Agência FAPESP – Estudo divulgado nesta quinta-feira (06/05) na revista Clinical Infectious Diseases sugere que as pessoas que já tiveram dengue no passado são duas vezes mais propensas a desenvolver sintomas da COVID-19 caso sejam infectadas pelo novo coronavírus.

As conclusões descritas no artigo se baseiam na análise de amostras sanguíneas de 1.285 moradores da cidade de Mâncio Lima, no Acre. O trabalho foi coordenado pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcelo Urbano Ferreira e contou com apoio da FAPESP.

“Nossos resultados evidenciam que as populações mais expostas à dengue, talvez por fatores sociodemográficos, são justamente as que correm mais risco de adoecer caso sejam infectadas pelo SARS-CoV-2. Este é um exemplo do que tem sido chamado de sindemia [interação sinérgica entre duas doenças de modo que uma agrava os efeitos da outra]: por um lado, a COVID-19 tem atrapalhado os esforços de controle da dengue, por outro, esta arbovirose parece aumentar o risco para quem contrai o novo coronavírus”, diz Ferreira à Agência FAPESP.

O professor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP tem realizado estudos no município de Mâncio Lima há sete anos com o objetivo de combater a malária. Em 2018, deu início a um projeto que prevê a realização de inquéritos domiciliares a cada seis meses, abrangendo 20% da população local. Durante as visitas, são aplicados questionários e coletadas amostras de sangue. No início de 2020, o projeto recebeu um aditivo da FAPESP para que parte dos esforços de pesquisa fosse direcionada ao monitoramento e à caracterização do SARS-CoV-2 na região.

“Em setembro do ano passado foi divulgado um estudo de outro grupo sugerindo que as áreas que registravam muitos casos de dengue eram relativamente pouco afetadas pela COVID-19. Como nós tínhamos amostras de sangue da população de Mâncio Lima coletadas antes e após a primeira onda da pandemia, decidimos usar o material para testar a hipótese de que a infecção prévia pelo vírus da dengue conferia algum tipo de proteção contra o SARS-CoV-2. Mas o que vimos foi exatamente o oposto”, relata Ferreira.

Metodologia

Foram incluídas nas análises amostras de sangue coletadas em dois momentos: novembro de 2019 e novembro de 2020. O material foi submetido a testes capazes de detectar anticorpos contra os quatro sorotipos da dengue e também contra o SARS-CoV-2.

Os resultados mostraram que 37% da população avaliada já havia contraído dengue até novembro de 2019 e 35% haviam sido infectados pelo novo coronavírus até novembro de 2020. Também foram analisadas as informações clínicas (sintomas e desfecho) dos voluntários diagnosticados com a COVID-19.

“Por meio de análises estatísticas, concluímos que a infecção prévia pelo vírus da dengue não altera o risco de um indivíduo ser contaminado pelo SARS-CoV-2. Por outro lado, ficou claro que quem teve dengue no passado apresentou mais chance de ter sintomas uma vez infectado pelo novo coronavírus”, explica Vanessa Nicoletepós-doutoranda no ICB-USP e primeira autora do artigo.

Os pesquisadores não sabem precisar as causas do fenômeno descrito no artigo. É possível que exista uma base biológica – os anticorpos contra o vírus da dengue estariam favorecendo de algum modo o agravamento da COVID-19 – ou seja simplesmente uma questão sociodemográfica, relacionada com a existência de populações mais vulneráveis às duas doenças por características diversas.

“Os resultados evidenciam a importância de reforçar tanto as medidas de distanciamento social voltadas a conter a disseminação do SARS-CoV-2 como os esforços para controle do vetor da dengue, pois há duas epidemias ocorrendo ao mesmo tempo e afetando a mesma população vulnerável. Isso deveria ganhar mais atenção por parte do governo federal”, avalia Ferreira.

O artigo Interacting Epidemics in Amazonian Brazil: Prior Dengue Infection Associated with Increased COVID-19 Risk in a Population-Based Cohort Study, de Vanessa C. Nicolete, Priscila T. Rodrigues, Igor C. Johansen, Rodrigo M. Corder, Juliana Tonini, Marly A. Cardoso, Jaqueline G. de Jesus, Ingra M. Claro, Nuno R. Faria, Ester C. Sabino, Marcia C. Castro, Marcelo U. Ferreira, pode ser lido em https://academic.oup.com/cid/advance-article/doi/10.1093/cid/ciab410/6270997.