sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Percevejos são fortemente atraídos por roupas sujas



Os percevejos procuram seu cheiro e se aconchegam às suas roupas usadas quando você não está por perto, revelaram pesquisadores nesta quinta-feira.

Isso explica como essas criaturas minúsculas e incapazes de voar conseguiram se propagar de forma meteórica ao redor do mundo - pegando uma carona na nossa roupa suja, segundo um estudo publicado na revista Scientific Reports.


"O mecanismo para essa dispersão de longa distância nunca foi testado empiricamente", afirmou à AFP o coautor do estudo William Hentley, da Universidade de Sheffield.

Alguns cientistas deduziram que os percevejos caíam acidentalmente em nossas roupas ou bagagens depois de se alimentarem do nosso sangue, e depois seguiam dos hotéis para nossas casas.

Mas o novo estudo mostrou que essas pragas, conhecidas por serem atraídas pelo cheiro de humanos adormecidos, procuram ativamente nossa roupa usada.

Hentley e uma equipe testaram as predileções de percevejos em uma série de experimentos incomuns.

Voluntários humanos se lavaram com um sabão sem perfume, depois usaram camisetas e meias limpas por cerca de seis horas.

As roupas foram colocadas em uma bolsa de plástico selada e hermética antes de serem transferidas para uma sacola de pano.

Quatro sacolas - duas com camisetas e meias sujas, e duas com os mesmos itens limpos - foram colocadas em uma sala, a distâncias iguais do centro. Percevejos foram então liberados e observados.

Após quatro dias, os pesquisadores observaram a localização dos insetos e descobriram que a maioria estava nas sacolas que continham roupas sujas.

O experimento foi repetido algumas vezes.

"Os percevejos apresentaram uma recente e rápida expansão global, que se sugeriu que foi causada por viagens aéreas baratas", escreveram os autores.

"Nossos resultados mostram, pela primeira vez, que deixar roupas usadas expostas nas áreas de dormir ao viajar pode ser explorado por percevejos para facilitar sua dispersão passiva".

No ano passado, pesquisas mostraram que os percevejos se tornaram geneticamente programados para resistir a pesticidas, impulsando ainda mais sua conquista global.

O percevejo comum, Cimex lectularius, é encontrado em climas temperados nos Estados Unidos e em partes da Europa.

Esses insetos se tornaram especialmente difíceis de erradicar após venenos potentes como o DDT serem proibidos nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial.

No final da década de 1990, esses bichos estavam prosperando em Nova York. Em um surto registrado em 2010, invadiram edifícios residenciais de luxo, hotéis e lojas de roupa, como uma ponta de estoque da marca de lingerie Victoria's Secret.

Também houve uma explosão de percevejos em Paris nos últimos anos.

Surto de ratos já forçou Nova York a gastar US$ 33 milhões em 2017 Cidade luta há décadas para reduzir população de roedores em parques e ruas

   
NOVA YORK — 

Afetada por um surto de ratos nos seus parques públicos, Nova York anunciou que reforçará os seus esforços para conter a praga. O prefeito da cidade, Bill de Blasio, prometeu investir mais US$ 750 mil neste objetivo, em resposta às reclamações de pais que levam suas crianças para brincar ao ar livre. Neste ano, a prefeitura já tinha apresentado um plano de US$ 32 milhões contra a infestação.

Os relatos são de que os ratos estavam invadindo os parques, sobretudo, do Upper West Side. Muitos pais reclamaram que os animais tentavam pular nos carrinhos que transportavam as crianças.

O governo local planeja trocar as caixas de arame com 29 compactadores solares e quatro latas de aço sólido em oito playgrounds e parques, disse o prefeito. Funcionários da cidade também redobrarão as patrulhas de coleta de lixo nos parques.

Há décadas que Nova York sofre com o presença dos roedores pelas suas ruas e parques. Existem registros de que em 1949 o governo já gastava milhões na tentativa de reduzir a sua população e, embora especialistas digam que o problema já melhorou, esta ainda é uma questão que afeta a rotina dos moradores.

POR O GLOBO / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS 29/09/2017 9:34 / 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Epidemiologia de doenças infecciosas e parasitárias [572] INFESTAÇÃO POR RATOS E TRANSMISSÃO DA LEPTOSPIROSE



Resumo:

Introdução: A leptospirose é um importante problema de saúde urbana devido às
epidemias anuais que ocorrem em comunidades carentes e à alta mortalidade associada às formas graves. Os ratos são considerados os principais reservatórios na transmissão urbana. Entretanto, não existem estudos que sistematicamente definam os fatores de infestação por ratos e as características ambientais que influenciam o risco de infecção por Leptospira.

Objetivo: Determinar a associação entre infestação e infecção por Leptospira em um
estudo de coorte prospectiva realizado em uma comunidade carente de Salvador-BA.
Métodos: De 2004 a 2007, realizamos inquéritos sorológicos anuais em uma coorte de
2.003 habitantes para identificar infecções por Leptospira. Identificamos infecções por
soroconversão no teste de microaglutinação. Realizamos um estudo de caso-controle
aninhado onde definimos como domicílios-casos aqueles que tiveram um ou mais
indivíduos infectados. Os controles foram aleatoriamente selecionados dos que tiveram
indivíduos sem infecção. Avaliamos por inspeção domiciliar sinais de infestação por
roedores e características ambientais. Realizamos regressão logística para identificar
fatores de risco para infecção.
Resultados: Identificamos 158 infecções por Leptospira em 138 (6.8%) indivíduos no
período de três anos. Dos 109 domicílios-casos e 110 controles, 82% e 43%,
respectivamente, apresentaram fezes e tocas de ratos. Nos 105 domicílios com fezes de
roedores, 95% foram de Rattus norvegicus e 5% de Rattus rattus. Identificamos como
fatores de risco de infecção: fezes de rato (OR 3,3 IC 95% 1.6-6.9), tocas (OR 2.4, IC
95% 1.2-4.9), parede de domicilio sem reboco (OR 2.2, IC 95% 1.1-4.4) e renda
domiciliar per capita (OR 0.9 por US$/dia, IC 95% 0.8-0.9). No modelo que não incluiu
sinais de infestação, os fatores de risco para infecção foram: domicílios construídos sobre
ladeira de terra (OR 2.4, IC 95% 1.3-4.2) e água parada (OR 2.0, IC 95% 1.1-3.8), em
adição de parede de domicilio sem reboco.
Conclusões: Identificamos alta infestação por R. norvegicus na comunidade carente
estudada. Esta infestação foi o maior fator preditivo de risco para leptospirose. Medidas
de controle precisam ser direcionadas para diminuir a densidade e proximidade de R.
norvegicus no ambiente domiciliar. Além disso, identificamos fatores ambientais
relacionados com infestação que podem ser usados pelos Centros de Controle de
Zoonoses para identificar domicílios de alto risco para leptospirose.

1,2,3,4,5,6,7,9.Cpqgm/fiocruz, Salvador, Ba, Brasil; 8.Centro de Controle de Zoonoses, Salvador, Ba, Brasil;
10.Cornell University, Nova Iorque, Zz, Estados Unidos.


EPI1158 - 
URBANA.
COSTA, F.1
; REIS, R.B.2
; SANTOS, N.3
; RIBEIRO, G.S.4
; FELZEMBURGH, R.D.5
;
FRAGA, D.6
; BATISTA, A.C.7
; SANTANA, C.8
; REIS, M.G.9
; KO, A.I.10

ONU apoia simpósio no Rio sobre doenças transmitidas por carrapatos



A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) promovem nos dias 16 e 17 de outubro o 2º Simpósio Nacional de Doenças Transmitidas por Carrapatos. O evento ocorre no Rio de Janeiro, as inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do evento. O prazo para envio de trabalhos científicos é 20 de setembro.
O simpósio tem o apoio do Centro Pan-americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA).



O evento bianual foi concebido com o propósito de reunir profissionais dos serviços de vigilância epidemiológica e das universidades para discutir os avanços no conhecimento científico e suas implicações para as estratégias de vigilância e controle.

Já foram realizadas cinco edições de seminários estaduais e dois simpósios regionais no estado de São Paulo, onde o Ministério da Saúde apoiou os eventos e participou de sua organização. Desde 2015, o encontro virou nacional e passou a ter caráter itinerante, sendo realizado em outros estados endêmicos da febre maculosa, principal doença transmitida por carrapato no Brasil.

Participarão do evento os mais renomados pesquisadores na área, que apresentarão os resultados de suas pesquisas aplicadas aos serviços de vigilância das doenças transmitidas por carrapatos.

Serão temas do simpósio: redes colaborativas de vigilância e controle; sistemas de vigilância epidemiológica; aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento; emergência de novos patógenos transmitidos por carrapatos; experiências dos serviços de vigilância; legislação; métodos de predição e prevenção; avanços e perspectivas na área da pesquisa e vigilância das doenças transmitidas por carrapatos.

Fonte: OPAS/OMS


Inseticidas não são eficientes contra escorpiões, diz médico Produtos começaram a ser divulgados em redes sociais

Com os recentes casos de ataques por escorpiões em Araçatuba, surgiram nas redes sociais e são compartilhados pelo aplicativo Whatsapp fotos de vários inseticidas que seriam recomendados para combater esse animal peçonhento. Porém, o médico veterinário da Vigilância Epidemiológica de Araçatuba, Rafael Silva Cipriano, explica que nenhum inseticida funciona efetivamente com eficácia para matar ou repelir escorpiões por meio de pulverização ambiental e controlada.
Segundo ele, quando se usa qualquer inseticida no ambiente, desaloja-se os escorpiões dos esconderijos, promove a mudança do metabolismo do animal, fazendo com que feche aparelho responsável pela respiração deles e, com isso, eles ficam mais agressivos.
O pior, de acordo com o veterinário, é a presença do produto químico que elimina o principal alimento do escorpião, que é a barata, e faz com que ele percorra distâncias maiores atrás de alimento. “O inseticida acaba por controlar a infestação por baratas diretamente”, pondera.
Cipriano explica que a melhor forma de evitar a infestação por escorpiões em residências e arredores é a eliminação do acúmulo de lixo e entulho nos quintais. Além disso, deve-se manter ralos e caixas de gordura limpos e devidamente fechados; evitar frestas nas portas e nas paredes das casas; inspecionar os jardins; e mudar de local periodicamente materiais acumulados que possam servir de abrigo ao escorpião, como telhas, madeiras e todo material inerte.
“Se encontrar um escorpião, tente colocar um recipiente em cima do animal, evitando o seu deslocamento e chame o centro de controle de zoonoses para retirá-lo. Uma simples pisada pode matar o animal, mas é importante mantê-lo intacto para identificação e posterior tratamento”, ressalta o profissional.
CLIMA
Em várias regiões da cidade, há relatos de encontro de escorpião, pois Araçatuba é considerada zona endêmica deste animal, de acordo com Cipriano. Ele explica que os escorpiões aparecem mais nesta época do ano porque são característicos de clima seco e quente. “Além disso, nesta época ocorre a escassez de seu alimento preferido, as baratas, que proliferam em períodos de maior umidade”, explica.

E o profissional alerta que essa infestação pode aumentar com a ocorrência das chuvas, que inundam as galerias de esgoto e pluviais, fazendo o escorpião procurar locais mais secos. Ele orienta que, em caso de ataque por escorpião, deve-se lavar o local picado com água e sabão, prender o animal em um pote para identificação e procurar o posto de atendimento médico mais próximo para identificação e tratamento. 
“Cuidem de suas residências e não utilizem inseticidas. Deixem os agentes de saúde e agentes de endemias entrarem nas casas para recomendações. A melhor forma de evitar o escorpião é seguindo as recomendações de manejo aplicadas nas residências”, conclui.



Fonte:   http://www.folhadaregiao.com.br/araçatuba

Paraná registra 56 casos suspeitos de dengue por dia Dados foram divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde nesta semana; são 48 casos confirmados desde 1º de agosto.

Paraná registrou 56 casos suspeitos de dengue por dia nas últimas duas semanas. De 925 notificações até o dia 12 de setembro, o número subiu para 1.711 na terça-feira (26).

Os dados constam no novo boletim da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), que mostra uma aceleração no volume de notificações: entre os dias 1º e 12 deste mês, a média estava em 30 notificações por dia.

As cidades com maior número de notificações são Londrina (319), Foz do Iuaçu (228) e Maringá (216). Do total de notificações, 831 já foram descartadas, informa a Sesa.

Confirmações
O estado acumula 48 casos confirmados de dengue desde o dia 1º de agosto, início da temporada 2017/2018 de acompanhamento da doença pela Sesa.

Segundo o boletim, o total de confirmações é 77% maior que o total registrado até o dia 12. O número de municípios com casos confirmados de dengue subiu de dez para 19.

Os municípios com maior número de casos confirmados são Maringá (17), Foz do Iguaçu (8), e Tamboara (3).

Em relação ao boletim anterior, Maringá teve oito confirmações e Foz apenas uma. Tamboara manteve o número registrado até o dia 12.
Chikungunya e zika

A Sesa não registrou novos casos de chikungunya e zika nas últimas duas semanas no Paraná. A única confirmação desde agosto é de um caso de chikungunya em Paranavaí.
O número de notificações cresceu: no caso da chikungunya, passaram de 32 para 50 (entre os dias 12 e 26), e para zika foram de 16 para 30.

Vacina contra a dengue

A terceira etapa da vacinação contra a dengue, em 30 cidades do Paraná, começou em 20 de setembro. O público-alvo é o mesmo das fases anteriores: jovens com idade entre 15 e 27 anos. A exceção é valida para Assaí, no norte, e Paranaguá, no litoral, onde moradores entre 9 e 44 anos têm direito à vacina.

Fonte: G1

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Coluna Vetor - Revista CIPA - Setembro 2017



https://secure.viewer.zmags.com/publication/6a1f8328#/6a1f8328/74

Diretor de hospital recomenda cidadania em vez de inseticida Médico diz que escorpiões só vão deixar de proliferar com conscientização

A morte de uma menina de 4 anos após ela ser picada por escorpião no último dia 15, quando caminhava com a família pela rua dos Fundadores, em Araçatuba, ao sair de uma igreja, provocou uma verdadeira corrida às unidades de saúde do município na semana que passou. Pelo menos outras quatro crianças receberam atendimento médico por suspeita de picada de escorpião na cidade, algumas delas inclusive ficaram internadas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Para o diretor da Santa Casa local, Sérgio Smolentzov, essa busca por atendimento já era esperada, pois a situação gerou uma “síndrome de pânico”. Entretanto, ele recomenda que, em todo caso suspeito, a pessoa deve, sim, procurar atendimento médico. Confira abaixo a entrevista concedida por ele à Folha da Região, explicando sobre os sintomas e o tratamento para picada de escorpião:







Quando os pais devem levar os filhos ou os adultos devem ir ao hospital se suspeitar de picada de escorpião?

Havendo qualquer acidente com inseto, seja escorpião, aranha ou outro, a pessoa deve procurar socorro médico. Mesmo se não se identifica o que aconteceu, a pessoa deve ir ao hospital, que avaliará se é só dor local, se há manifestação sistêmica e se justifica outra medida em caso de suspeita mais grave. Não é preciso ir direto à referência, que é a Santa Casa, pode procurar um posto de saúde que o médico vai avaliar a medida a ser tomada.

Essa precaução excessiva por parte da população é correta? Houve alguma ocasião em que os escorpiões causaram tanta preocupação em Araçatuba ou é a primeira vez?

A preocupação é reflexo de uma síndrome de pânico, porque, em uma semana, duas crianças morreram. Toda mãe que tem uma criança fica achando que pode acontecer com seu filho. Então, isso é justificável e uma resposta esperada. Porém, o poder público tem que mostrar as medidas que estão sendo tomadas, que a situação está sob controle e acalmar a população. Araçatuba já convive com escorpião há muito tempo, mas foi a primeira vez que ocorre a morte de duas crianças em curto espaço de tempo.


fonte:  http://www.folhadaregiao.com.br

Primeiros insetos surgiram há 480 milhões de anos


Os primeiros insetos que habitaram a Terra tiveram origem há cerca de 480 milhões de anos e 80 milhões de anos depois desenvolveram a sua capacidade de voar.

Na investigação, publicada na revista “Science”, participaram mais de cem investigadores de 16 países, incluindo cinco peritos da organização para a Investigação Industrial e Científica da Commonwealth da Austrália.

“A nossa investigação mostra que os insetos tiveram origem ao mesmo tempo que as primeiras plantas terrestres, há uns 480 milhões de anos“, disse o diretor da Coleção Nacional Australiana de Insetos, David Yeates, num comunicado da organização.

O mesmo responsável acrescentou que os “primeiros insetos, provavelmente, seriam parecidos com as atuais traças“.

Depois, disse, há 400 milhões de anos, os insetos começaram a desenvolver a capacidade de voarem.

A investigação foi liderada pelo cientista alemão Bernhard Misof e confirma que a crise na biodiversidade desencadeou extinções massivas de outros grupos de seres vivos como os dinossauros e que os insetos sobreviveram às diversas situações adaptando-se.

fonte:  http;//ZAP.aeiou.pt


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Jovens apresentam em feira internacional aplicativo para combater Aedes aegypti


Agência Brasil


Estudantes de Pernambuco criam aplicativo para combater focos de Aedes aegypti


Com o desejo de ajudar o bairro onde vivem, em Jardim Brasil, no município de Olinda (PE), estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Desembargador Renato Fonseca usaram a tecnologia e a vontade de ajudar a comunidade para promover uma caça ao mosquito Aedes aegypti na região. 

Com a ajuda de uma ferramenta online, Jeovani Cipriano, de 19 anos, criou um aplicativo de celular para que as pessoas denunciassem focos de reprodução do inseto transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Os alunos, então, organizam mutirões para acabar com o problema.

O embrião do projeto surgiu em 2014, quando muitos alunos e professores da escola estavam faltando. Incomodados com isso, o grupo de estudantes se juntou à professora Jorgecy Cabral, que coordena a biblioteca da instituição, para visitar a casa dos faltosos e verificar se o surto de dengue que atingia a região era o culpado pelas faltas. Eles perceberam que os sintomas eram os mesmos.

“Encontramos o problema, vimos o que estava acontecendo. Fizemos mapeamento ao redor da escola para saber se havia foco de dengue. Para nossa surpresa, havia atrás, ao lado, em todos os lugares. Começamos então a fazer mutirões nas ruas”, diz a professora.

A escola passou a ser uma referência na comunidade. Muitas pessoas procuraram o local para denunciar focos de reprodução do Aedes. Foi aí que surgiu a ideia do aplicativo.

Cipriano quebrou a cabeça por cerca de duas semanas e, por meio de uma ferramenta online de criação de aplicativos, desenvolveu a plataforma Caça ao Aedes em Jardim Brasil. “Ninguém tinha conhecimento na área. Fui estudando e fiz”, afirma o estudante.

Na pesquisa porta a porta feita pelo alunos na época do surto, eles identificaram um aumento de 300% dos casos. Agora eles trabalham em novos dados. Segundo Jorgecy Cabral, a pesquisa não está finalizada, mas ela garante que houve redução de infecções no bairro de Jardim Brasil.

Então estudante do terceiro ano do ensino médio, Cipriano, que agora cursa jornalismo em uma faculdade particular, diz também que o aplicativo já recebeu denúncias de focos em outros estados. “Quando é feita em Olinda a gente tenta resolver. Quando é em outra cidade a gente encaminha as informações para a secretaria municipal da localidade”, conta.

O aplicativo é simples e contém informações sobre sintomas de viroses transmitidas por mosquitos (arboviroses) e dicas para evitar a proliferação do Aedes aegypti. Há um espaço para fazer uma denúncia, por escrito, e um mapa onde estão marcados alguns pontos com água parada. Por dificuldades de funcionalidade, não foi possível marcar uma denúncia no mapa, mas a comunicação do bairro pode ser facilitada pelo app. Ele pode ser baixado no Google Play e pelo site.

Vaquinha virtual

A iniciativa foi premiada como Destaque em Iniciação à Pesquisa na feira Ciência Jovem 2016, evento realizado anualmente pelo Espaço Ciência, museu ligado à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco. O reconhecimento rendeu uma participação na Teccien Schöenstatt, uma feira estudantil de tecnologia e ciências promovida pelo colégio Nuestra Señora de Schöenstatt, do Paraguai, de onde os estudantes também saíram premiados.

Foi lá que conheceram a organização da Feira Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, outro evento estudantil do colégio Santa Fé, da Colômbia. Os organizadores convidaram os estudantes brasileiros a expor o projeto entre os dias 13 e 17 deste mês.

Para custear a viagem, o grupo abriu uma vaquinha virtual. As passagens de três pessoas – a professora e mais dois alunos – foram dadas pelo governo de Pernambuco, mas ainda é preciso pagar hospedagem, alimentação e deslocamento da na cidade. Segundo Cipriani, o embarque é no dia 12.

Fonte: Istoe.com.br

Combate ao Aedes pode ser mais eficiente durante o frio




O fato de o mosquito Aedes aegypti  proliferar com mais intensidade durante as estações mais quentes do ano faz com que boa parte das pessoas só se lembre de eliminar os criadouros nesses períodos. Entretanto, de acordo com o pesquisador da Fiocruz Minas Fabiano Duarte Carvalho, é quando caem as temperaturas que as medidas de controle podem ser mais eficazes, já que o ciclo reprodutivo do mosquito fica mais lento e, dessa forma, as ações voltadas para o combate terão um impacto maior.

“Sabemos que há casos de dengue e outras arboviroses o ano inteiro, o que significa que o mosquito está presente em todos os meses. Entretanto, este é um período em que há menos mosquitos em circulação e, com isso, é muito mais fácil combater os focos neste momento. É preciso aproveitar a fase em que o Aedes está mais fraco”, afirma o pesquisador.

Especialista em hábitos e comportamento do Aedes aegypti, Carvalho é um dos autores do artigo Why is Aedes aegypti Linnaeus so Successful as a Species? (Por que o Aedes aegypti pode ser considerado uma espécie de sucesso?), publicado recentemente na Neotropical Entomology, uma importante publicação na área de entomologia. Neste, os pesquisadores relacionam uma série de fatores que favorecem a espécie e fazem com que o combate ao inseto seja um desafio para todos os países que sofrem com as doenças por ele transmitidas.

O ciclo de vida do mosquito compreende quatro fases - ovo, larva, pupa e adulto - e, segundo os pesquisadores, é no primeiro estágio que reside uma das principais razões de sucesso do inseto. O ovo do Aedes aegypti é extremamente resistente, podendo durar por mais de um ano, quando as condições são desfavoráveis.

“Os ovos podem eclodir em minutos quando imersos em água. A falta dela, entretanto, não representa a quebra desse ciclo de vida, uma vez que os ovos permanecem viáveis durante semanas, meses, podendo chegar a mais de 400 dias. É claro que o número de ovos viáveis diminui ao longo do tempo, mas os que permanecem podem ser suficientes para a manutenção local da espécie”, explica Carvalho.

Outra característica que contribui para a proliferação da espécie é a alta capacidade reprodutiva. Uma única fêmea pode colocar aproximadamente 100 ovos por ciclo. “Além disso, elas têm uma estratégia que chamamos de oviposição em saltos, que é a distribuição dos ovos entre vários locais de reprodução, tornando complicada a tarefa de eliminar completamente os criadouros. Há estudos que demonstram que uma única fêmea distribui ovos entre quatro e seis criadouros e que, quando há condições, podem usar até 11”, destaca Carvalho.

Oportunista

O comportamento oportunista do Aedes aegypti também é apontado pelos pesquisadores como um dos aspectos que mais o beneficiam. Embora tenha hábitos preferenciais, a espécie possui uma capacidade de adaptação elevada, possibilitando-a aproveitar todas as oportunidades para se proliferar. Um exemplo disso se refere ao ambiente reprodutivo. Sabe-se que o inseto prefere a água limpa, mas, se não houver, ele poderá colocar os ovos em água com um pouco mais de matéria orgânica.

“Um estudo recente realizado em quatro regiões de Salvador demonstrou a presença de larvas do mosquito em esgotos de duas das localidades pesquisadas. A importância dos esgotos para a reprodução do mosquito também já foi descrita em outros países, como Colômbia e México”, revela Carvalho.

Bem adaptado a ambientes urbanos, o Aedes tem preferência por depositar os ovos em contêineres artificiais, encontrados facilmente nos espaços domésticos. Recipientes com coloração escura são os mais utilizados, o que dificulta a tarefa de detectá-lo durante as inspeções domiciliares.

Outra consideração importante, segundo o pesquisador, é que os recipientes pequenos também são potenciais locais de reprodução. Isso é possível porque a espécie se desenvolve rapidamente e, dessa forma, chega à fase adulta antes que a água se evapore, evitando a mortalidade do vetor.

Controle mecânico

A eliminação dos criadouros é uma das principais formas de controle do mosquito. Assim, de acordo com o pesquisador, ao se deparar com potenciais locais de possível reprodução, cada pessoa deve se perguntar se há alguma necessidade deles. “A resposta para esta pergunta é, muitas vezes, “não”, caso em que o local deve ser eliminado. Se a resposta for “sim”, é preciso então fazer modificações, de forma a evitar que aquele espaço se torne um local de reprodução para o inseto. Um exemplo: eu não posso eliminar minha caixa d´água, mas posso mantê-la bem fechada para que não vire um criadouro”, explica.

Entre as ações propostas, além da vedação dos reservatórios de água, Carvalho lembra da necessidade de limpar as calhas, remover os pratinhos dos vasos de plantas, bem como a manter garrafas, latas e outros recipientes virados para baixo de forma que não acumulem água. “Cuidados especiais também devem ser tomados com locais de reprodução menos óbvios, como ralos em locais pouco usados, bandejas atrás de refrigeradores e outros espaços do ambiente doméstico pouco utilizados, como, por exemplo, os banheiros da área de churrasqueira”, diz. “Lembrando que essas ações durante as estações mais frias serão ainda mais eficazes”, salienta.

Fonte: Keila Maia (Fiocruz Minas)