quarta-feira, 31 de maio de 2017

Mitos e verdades sobre as latinhas

Mitos e verdades sobre as latinhas

Dr. Eneo Alves da Silva Jr.*


Há cerca de quatro anos começaram a circular, na internet, informações sobre supostos casos de contaminação de latas de bebidas. Algumas dessas mensagens chamavam atenção dos internautas, que se sentiam motivados a retransmiti-las para toda a sua lista de amigos: eram relatos sobre a morte de pessoas por leptospirose após terem bebido diretamente em latas de refrigerantes ou cervejas. Depois de algumas mensagens do tipo “uma amiga da família morreu de leptospirose...”, inicialmente traduzidas e adaptadas de outras em circulação nos Estados Unidos, esse tipo de e-mail passou a citar nomes, como o pai da modelo Daniela Sarahyba, além de cientistas, professores e institutos de pesquisa, como o Inmetro, de forma a provocar espanto na população e na comunidade científica.
Alguns jornais e revistas, que resolveram comprovar a veracidade dessas informações junto às instituições e às pessoas envolvidas, chegaram à conclusão óbvia: os relatos veiculados pela internet eram falsos e não passavam de boatos. Lendas da internet, sem qualquer tipo de comprovação técnica ou científica. Todas as instituições e pessoas citadas desmentiram categoricamente. Nada foi comprovado que tenha sido conseqüência da contaminação das latas de bebidas. O próprio Sistema de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo informa que não detectou até o momento qualquer caso em que o risco epidemiológico tenha sido o de consumir bebidas em lata, e considera improvável o risco de transmissão de leptospirose por esse tipo de embalagem.
É bom lembrar que a própria superfície do alumínio, em condições normais, é lisa, seca e sem nutrientes, não oferecendo ambiente propício para a sobrevivência e a multiplicação de microrganismos. O uso do alumínio aumenta a proteção dos alimentos e, nas embalagens de medicamentos, contribui para minimizar riscos de contaminação e violação dos produtos.
Mesmo assim, as lendas espalhadas na internet sobre as latinhas não deixam de causar impacto. Chegaram a motivar o empenho de alguns políticos que apresentaram projetos de lei para tornar obrigatória a colocação de um “selo protetor” nas latas, contra o risco de contaminação. Uma idéia inútil para um problema inexistente. Mais que isso: esta medida seria tão desnecessária quanto prejudicial, por não dispor de qualquer embasamento técnico, já que o selo não é capaz de vedar totalmente o local de abertura; podem ocorrer microfugas e entrada de umidade e sujidades, permitindo que os microrganismos presentes se multipliquem e atinjam altas contagens. Em suma, o selo pode transformar-se num foco de contaminação microbiana, assim como os invólucros plásticos em garrafões de água mineral, que foram recentemente proibidos pela Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo.
Por outro lado, um estudo do Cetea (Centro de Tecnologia de Embalagem) do Instituto de Tecnologia de Alimentos, ITAL, envolvendo análises microbiológicas das superfícies das latas observou que a contagem microbiana e fúngica da maioria das latas coletadas encontrava-se rigorosamente dentro dos limites estabelecidos pela OPAS, Organização Panamericana de Saúde. Além disso, todas as latas apresentaram ausência de coliformes fecais e Leptospira sp., indicando condições sanitárias bastante satisfatórias para consumo. O estudo concluiu que os níveis de contaminação, quando ocorrem, estão associados principalmente às condições de higiene do ponto de venda e não da embalagem. O gelo, por exemplo, usado por vendedores ambulantes e quiosques para resfriar os produtos, é o principal agente de contaminação das diversas embalagens de bebidas.
Com efeito, a quantidade de microrganismos encontrada na superfície das latas em condições normais de distribuição no comércio está muito longe de ser um risco ao consumidor. Os padrões higiênicos e sanitários definidos para diversos alimentos – como rosbife, pescados, embutidos ou presunto cru –, ou seja, as quantidades de microrganismos aceitáveis para consumo por não acarretarem risco à saúde, estão muito acima de tudo o que foi encontrado nas superfícies das latas analisadas pelo Cetea. Esse comparativo vale inclusive para saladas, sanduíches, queijos e chocolates.
Consumir bebidas diretamente na lata é tão inofensivo quanto nossos hábitos alimentares mais comuns. Uma notícia nada surpreendente, pois 200 bilhões de latas de bebidas são consumidos por ano em todo o mundo e nenhum país cogita de adotar “selos protetores” nem algo parecido.
O que realmente conta é a necessidade de orientação do consumidor, pois o caminho para se evitar problemas é um só: atenção para os hábitos básicos de higiene, ao comprar e consumir qualquer produto alimentício.

Dr. Eneo Alves da Silva Jr.
Mestre e Doutor em Controle Higiênico-Sanitário de Alimentos
Diretor da CDL Central de Diagnósticos Laboratoriais
Consultor do Programa Mesa Brasil SESC
Consultor da ANVISA para a Copa do Mundo de 2014 e para revisão da RDC 12



segunda-feira, 29 de maio de 2017

Novo artigo sobre pragas urbanas na Revista CIPA

Destaque para a circulação da Revista CIPA que traz mais um artigo da minha autoria. Escrevo para essa revista desde 2001 e ela é voltada para o público prevencionista.Todos os artigos podem ser encontrados na revista em seu formato digital  www.revistacipa.com.br que está aberta ao público, inclusive nas suas edições anteriores.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Aranhas são parte importante da natureza e eliminam mosquitos, como o Aedes aegypti

Um exemplo claro é o da aranha Nephila clavipes, conhecida como aranha fio de ouro. É uma aranha tecelã, ou seja, forma teias e é grande predadora do mosquito Aedes aegypti, inseto muito importante na transmissão de virus ao homem.

A foto abaixo mostra uma aranha encontrada em local com crianças, o que naturalmente gera um alarme geral. O grande medo de todos é que essa espécie possa ser venenosa ou possa picar as crianças.

Essa informação foi obtida com o pesquisador Reinaldo Amaral Carneiro, que é agente de apoio a pesquisa no Instituto Butantan e analisou a amostra enviada.A sua recomendação é que tanto as aranhas quanto as teias sejam mantidas intactas pois agem como agentes controladores importantes.


Muitas vezes temos uma uma idéia errada da função de certos organismos no meio ambiente por falta de informação somente. Provavelmente o aparecimento dessa aranha dever ter sido observado em muitas ocasiões, levando as pessoas a tomarem ações de eliminação do aracnideo sem avaliar adequadamente a sua natureza e o grau de risco.

As aranhas possuem uma má fama geral, provavelmente devido aos inúmeros filmes de suspense ou terror em que as aranhas aparecem como elementos destruidores, o que nem sempre é verdade.
É fato que algumas aranhas podem ser perigosas para as pessoas mas também é importante sabermos discernir entre uma e outra espécie. São elementos importantes demais na natureza para serem descartados dessa maneira.

Agradeço ao Sr Reinaldo e ao Instituto Butantan pelas preciosas informações.
Abaixo há uma foto da internet que mostra a aranha com maior nitidez.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Local turístico da Califórnia permite tomar café cercado por ratos


'Rat cafe' promete cumprir todos os requerimentos de higiene.

Enquanto que em muitos prédios públicos brasileiros os funcionários são obrigados a trabalhar com ratos e até baratas circulando noite e dia, na cida de San Francisco, Califórna, Estados Unidos, um estabelecimento permite a mesma sensação de estar cercado por roedores, mas com uma diferença: os organizadores garantem que há higienização no local.



O "Rat Cafe", como ficou conhecido após cair na preferência dos turistas, possibilita tomar o tradicional cafezinho cercado por ratos. Um porta-voz do local que é bastante visitado afirmou que o café vai cumprir todos os requerimentos de higiene para os clientes não sofrerem nenhum risco.
Uma agência de resgate e adoção de ratos vai providenciar os roedores com os quais os fregueses vão interagir. O objetivo é mostrar que eles podem ser bons animais de estimação e são tão limpos como cães e gatos.
Além dessa experiência os turistas também podem vivenciar uma ida ao Dungeon que é uma atração subterrânea com cenários criados focando situações para causar medo, pelo menos na teoria. Ao final os visitantes passam por um brinquedo que causa uma queda, a semelhança do elevador que cai do Hollywood Studios.
Toda essa extravagância custa em média US$ 50 dolares, incluindo , é claro, o café animado com ratos. Uii.

fonte: https://www.cnet.com/news/rat-cafe-san-francisco-dungeon-pop-up/



quarta-feira, 24 de maio de 2017

Belo Horizonte registra primeira morte por febre amarela



Belo Horizonte registrou a primeira morte por febre amarela no atual surto da doença. A vítima é um homem de 79 anos, que morreu na semana passada. A informação foi divulgada hoje (23) pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). De acordo com o órgão, o idoso foi infectado durante uma viagem a Mato Grosso.

A primeira morte por febre amarela na capital mineira ocorre em um momento em que o ritmo de transmissão da doença vem diminuindo no estado. De acordo com o último boletim da SES-MG, divulgado no dia 26 de abril, foram confirmadas 151 mortes em Minas e 24 estão em investigação. Ao todo, os municípios mineiros contabilizam 1.139 notificações para a doença, sendo que 427 casos foram confirmados, 554 descartados e os 158 restantes ainda estão em análise.

O boletim do dia 26 de abril trouxe apenas nove notificações a mais do que o registrado nas duas semanas anteriores. Entre os levantamentos dos dias 19 e 12 de abril, a transmissão da febre amarela em Minas Gerais se mostrou estável. Em ambas as datas, o número de notificações se manteve em 1.130.

O caso do idoso de 79 anos não será contabilizado nos próximos boletins da secretaria estadual porque a infecção não ocorreu em território mineiro. Segundo o órgão, Belo Horizonte segue sem nenhum registro de febre amarela de transmissão autóctone (dentro do município).

De acordo com dados da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, outro morador da cidade também contraiu a doença em viagem. No entanto, o paciente já recebeu alta.

Diante da avaliação de que a situação da febre amarela está sob controle, a secretaria municipal de Saúde decidiu na semana passada autorizar o acesso do público aos parques que estavam interditados. A proibição de visitas nesses espaços ocorreu porque foram confirmadas mortes de macacos em decorrência da febre amarela.

O Parque Jacques Cousteau já foi reaberto e o Parque das Mangabeiras está recebendo de forma preliminar apenas visitas educativas organizadas por escolas. Já o Parque da Serra do Curral passa por intervenções e ainda não tem data definida para ser reaberto.

Surto

O surto de febre amarela que ocorre desde o início deste ano é considerado o maior no Brasil desde 1980, quando o Ministério da Saúde passou a disponibilizar dados da série histórica. De acordo com levantamento da pasta divulgado no dia 12 de maio, a doença já levou à morte este ano 259 pessoas em todo o país. Até então, a situação mais grave havia ocorrido em 2000, quando morreram 40 pessoas.

A febre amarela atinge humanos e macacos e é causada por um vírus da família Flaviviridae. No meio rural e silvestre, o vírus é transmitido pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. Em área urbana, o vetor é o Aedes aegypti, o mesmo da dengue, zika e chikungunya. A vacina é a principal medida de combate à doença. De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão da febre amarela no Brasil não ocorre em áreas urbanas desde 1942.



Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-05/belo-horizonte-registra-primeira-morte-por-febre-amarela

Febre Amarela no Brasil

O surto de febre amarela que ocorre desde o início deste ano é considerado o maior no Brasil desde 1980, quando o Ministério da Saúde passou a disponibilizar dados da série histórica. De acordo com levantamento da pasta divulgado no dia 12 de maio, a doença já levou à morte este ano 259 pessoas em todo o país. Até então, a situação mais grave havia ocorrido em 2000, quando morreram 40 pessoas.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Minas Gerais tem mais de 15 mil casos prováveis de chikungunya em 2017


De acordo com balanço da Secretaria de Estado de Saúde, 11 mortes suspeitas estão sendo investigadas.Os casos prováveis de dengue somam mais de 24 mil.

Por G1 MG, Belo Horizonte


Em 2017, 15.693 casos prováveis de chikungunya foram registrados em Minas Gerais. De acordo com boletim divulgado nesta segunda-feira (22) pela Secretaria de Estado de Saúde, 11 mortes suspeitas estão sendo investigadas. A doença é transmitida pelo Aedes aegypti, mesmo mosquito transmissor da dengue e zika.

O estado está em alerta porque o número de casos prováveis da doença aumentou mais de 3.000% em relação ao mesmo período do ano passado.
Dengue

Os casos prováveis de dengue registrados em 2017 em Minas Gerais são 24.557, de acordo com a secretaria. É o menor número de casos prováveis nos cinco primeiros meses do ano desde 2013. Duas mortes foram confirmada pela doença. Outras 18 estão sendo investigadas, de acordo com a secretaria.

Zika
Os casos prováveis de zika são 753 em Minas Gerais, neste ano, conforme a SES. O número em 2016 foi superior ao número de casos em 2017, com maior número de casos nos meses de fevereiro e março.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Brasil tem 240 mortes confirmadas devido à febre amarela, diz ministério


País confirmou 715 infecções da doença, e já recebeu mais de 3 mil notificações desde o início do surto.

Desde o início da epidemia de febre amarela, em dezembro do ano passado, até a última quinta-feira (27), o Brasil teve 392 suspeitas de mortes devido à doença, sendo que 240 delas foram confirmadas pelo Ministério da Saúde. O número de infecções com resultado laboratorial positivo para o vírus chega a 715, com mais de 3 mil notificações recebidas pelos órgãos de saúde e 1,5 mil casos descartados.

O atual surto de febre amarela, apesar de atingir regiões próximas de zonas urbanas de estados como Rio de Janeiro e São Paulo, ainda é classificado como silvestre pelo governo brasileiro. Ou seja: o mosquito Aedes aegypti, conhecido por transmitir a dengue, chikungunya e a zika, ainda não é transmissor do vírus da febre amarela. Os mosquitos responsáveis por essas infecções ocorridas em áreas de mata e rurais são o Haemagogus e Sabethes.

Entenda o ciclo de transmissão da febre amarela silvestre

O mais recente boletim, o 38º divulgado pelo Ministério da Saúde desde que a doença voltou a causar preocupação, também traz um balanço da distribuição de vacinas: foram 23,6 milhões distribuídas nas regiões consideradas de risco para a disseminação da doença. (Veja se a sua cidade está na lista para receber as doses da vacina contra a febre amarela)

Estados

Minas Gerais é o estado mais afetado: registrou 165 mortes das 240 confirmadas pelo governo, 68,75% do total. Os mineiros são seguidos pelo Espírito Santo, com 61 mortes, cerca de 25%. São Paulo, Rio de Janeiro e Pará também tiveram mortes confirmadas pelo Ministério da Saúde.


Com relação ao número de casos confirmados, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo também encabeçam a lista: são 479 e 203 registros, respectivamente. Em todo o país, seis estados têm casos confirmados em 123 municípios.

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