LUCIA SCHULLER, bióloga assina este blog sobre pragas urbanas. Schuller é Mestre em Saúde Pública e especialista em Entomologia (estudo dos insetos) urbana Neste blog podem ser encontrados os mais diversos assuntos sobre o tema, incluindo algumas publicações externas também.
quinta-feira, 4 de agosto de 2022
Família de jovem que morreu de raiva humana acredita que ele se infectou na UnB
segunda-feira, 1 de agosto de 2022
Perguntas e Respostas - O que é o ‘chumbinho’?
Perguntas e Respostas
- O que é o ‘chumbinho’?
É um produto clandestino, irregularmente utilizado como raticida. Não possui registro na Anvisa, nem em nenhum outro órgão de governo.
- Qual é seu aspecto físico?
Geralmente sob a forma de um granulado cinza escuro ou grafite (“cor de chumbo”).
- Existem recomendações de segurança para a aplicação de ‘chumbinho’ como raticida?
Não. Trata-se de um produto ilegal que não deve ser utilizado sob nenhuma circunstância.
- Do que consiste o ‘chumbinho’? Qual a sua origem?
Em geral, trata-se de venenos agrícolas (agrotóxicos), de uso exclusivo na lavoura como inseticida, acaricida ou nematicida, desviado do campo para os grandes centros para serem indevidamente utilizados como raticidas. Os agrotóxicos mais encontrados nos granulados tipo ‘chumbinho’ pertencem ao grupo químico dos carbamatos e organofosforados, como verificado a partir de análises efetuadas em diversas cidades do país. O agrotóxico aldicarbe figura como o preferido pelos contraventores, encontrado em cerca de 50 % dos ‘chumbinhos’ analisados. Outros agrotóxicos também encontrados em amostras analisadas de ‘chumbinho’ são o carbofurano (carbamato), terbufós (organofosforado), forato (organofosforado), monocrotofós (organofosforado) e metomil (carbamato). A escolha da substância varia de região para região do país.
- Quem “produz” e comercializa o ‘chumbinho’?
Quadrilhas de contraventores, que adquirem o produto de forma criminosa (através de roubo de carga, contrabando a partir de países vizinhos ao Brasil ou desvio das lavouras), fracionam e/ou diluem e revendem no comércio informal. Algumas casas agrícolas irresponsáveis também comercializam ‘às escondidas’ este veneno, agindo igualmente de forma clandestina.
- O ‘chumbinho’ é eficiente para o controle de roedores?
Não. Esses venenos agrícolas possuem elevada toxicidade aguda, de forma que a morte do roedor ocorre poucos instantes após sua ingestão, o que dá a falsa impressão ao consumidor de que o produto é eficiente. Mas as colônias de ratos não funcionam assim. Normalmente o animal mais idoso ou doente é enviado para ‘provar’ o novo ‘alimento’; como ele morre em seguida, os demais ratos observam e fogem. Ou seja, o problema não foi resolvido, os roedores apenas passaram para a vizinhança e continuam circulando pela região. Ao contrário, os raticidas legais, próprios para esse fim e com registro na Anvisa (denominados cumarínicos), agem como anti-coagulantes e a morte do animal é mais lenta, fazendo com que todos os ratos da colônia ingiram também o veneno, assim exterminando-os de forma mais eficiente, ainda que leve mais de tempo, apenas requerendo um pouco de paciência e disciplina por parte do usuário.
- Quais são os perigos do uso irregular/ilegal de ‘chumbinho’ e os sintomas de intoxicação?
Sendo um produto clandestino/sem registro, ele não possui rótulo contendo orientações quanto ao seu manuseio e segurança, informações médicas, telefones de emergência e, o que é ainda mais grave, a descrição do agente ativo bem como antídotos em caso de envenenamento, o que é fundamental para orientação do profissional de saúde nesse momento. Os sintomas típicos de intoxicação por ‘chumbinho’ são as manifestações de síndrome colinérgica e ocorrem em geral em menos de 1 h após a ingestão, incluindo náuseas, vômito, sudorese, sialorréia (salivação excessiva), borramento visual, miose (contração da pupila), hipersecreção brônquica, dor abdominal, diarréia, tremores, taquicardia, entre outros. Em caso de intoxicação, ligue para o Disque-Intoxicação: 0800-722-6001. A ligação é gratuita em todo território nacional e você será atendido e orientado por um profissional de saúde especializado.
A COMPRA E VENDA DE CHUMBINHO É CRIME. DENUNCIE PARA A VIGILÂNCIA SANITÁRIA MAIS PRÓXIMA!
Texto extraído de: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/acessoainformacao/perguntasfrequentes/agrotoxicos/chumbinho
sexta-feira, 22 de julho de 2022
Picadas de insetos e animais peçonhentos – parte 2
Picadas por abelha:
Quadro clínico: as reações desencadeadas pela picada de abelhas são variáveis de acordo com o local e com o número de ferroadas, as características e o passado alérgico do indivíduo atingido.
As manifestações clínicas podem ser: alérgicas (mesmo com uma só picada) e tóxicas (múltiplas picadas).
Manifestações:
1. Locais: habitualmente, após uma ferroada, há dor aguda local, que tende a desaparecer espontaneamente em poucos minutos, deixando vermelhidão, coceira e inchaço por várias horas ou dias. A intensidade desta reação inicial causada por uma ou múltiplas picadas deve alertar para um possível estado de sensibilidade e exacerbação de resposta às picadas subseqüentes.
2. Regionais: são de início lento. Além da vermelhidão e coceira, o inchaço evolui para o endurecimento do local, que aumenta de tamanho nas primeiras 24-48 horas, diminuindo gradativamente nos dias subseqüentes. Podem ser tão exuberantes a ponto de limitarem a mobilidade do membro. Menos de 10% dos indivíduos que experimentaram grandes reações localizadas apresentarão depois reações sistêmicas.
3. Sistêmicas: apresentam-se como manifestações de reação alérgica grave, com sintomas de início rápido, 2 a 3 minutos após a picada. Além das reações locais, podem estar presentes sintomas como, dor de cabeça, vertigens e calafrios, agitação psicomotora, sensação de opressão torácica (aperto no peito) e outros sintomas e sinais, como:
– coceira generalizada, vermelhidão, urticária (placas avermelhadas na pele) e inchaço nos vasos sanguíneos das camadas profundas da pele.
– respiratórios: rinite, inchaço de laringe provocando dificuldade para respirar, rouquidão;
– digestivos: coceira no céu da boca ou na faringe, inchaço nos lábios, língua, úvula e epiglote, dificuldade para engolir, náuseas, cólicas abdominais ou pélvicas, vômitos e diarréia;
– cardiocirculatórios: a hipotensão (pressão baixa) é o sinal maior, manifestando-se por tontura. Podem ocorrer palpitações e arritmias cardíacas
4. Reações alérgicas tardias: há relatos de raros casos de reações alérgicas que ocorrem vários dias após a(s) picada(s) e se manifestaram pela presença de dor nas articulações, febre e encefalite.
5. Tóxicas: nos acidentes provocados por ataque múltiplo de abelhas (enxame) desenvolve-se um quadro tóxico generalizado denominado de síndrome de envenenamento, por causa da quantidade de veneno inoculada. Além das manifestações já descritas, há dados indicativos de hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos do sangue). Alterações neurológicas como torpor e coma, hipotensão arterial e insuficiência renal aguda podem ocorrer.
Complicações:
As reações de hipersensibilidade podem ser desencadeadas por uma única picada e levar o acidentado à morte, em virtude do inchaço na laringe ou choque anafilático. Na síndrome de envenenamento, descrita em pacientes que geralmente sofreram mais de 500 picadas, podem ocorrer distúrbios graves, como anemia aguda, depressão respiratória e insuficiência renal aguda.
Remoção dos ferrões: nos acidentes causados por enxame, a retirada dos ferrões da pele deverá ser feita por raspagem com lâminas e não pelo pinçamento de cada um deles, pois a compressão poderá espremer a glândula ligada ao ferrão e inocular no paciente o veneno ainda existente.
Picadas por cobras:
As principais cobras que provocam acidentes graves no Brasil são: a jararaca, a surucucu, a cascavel e as corais.
O veneno da jararaca e da surucucu provoca, em até 3 horas depois da picada:
– dor imediata;
– inchaço, calor e vermelhidão no local picado;
– hemorragia (sangramento) no local da picada ou distante dela;
– diarréia (em caso de picada por surucucu).
Complicações:
– bolhas, gangrena, acúmulo de pus, insuficiência renal aguda.
A cascavel possui veneno que não provoca reações graves no local da picada, mas pode levar à morte.
A pessoa que foi picada pode apresentar:
– nas primeiras horas: dificuldade em abrir os olhos; “visão dupla” ou “visão turva”; dor muscular; urina avermelhada.
– após 6-12 horas: escurecimento da urina.
Complicações: insuficiência renal aguda.
A ação do veneno das cobras corais no organismo é muito rápida; os sinais e sintomas aparecem em questão de minutos.
Sinais e sintomas:
– dificuldade em abrir os olhos;
– desorientação;
– falta de ar;
– dificuldade em engolir;
– insuficiência respiratória aguda.
O que fazer em caso de acidentes com picadas de cobras:
Muitas vezes, mesmo adotando cuidados de prevenção, podem ocorrer acidentes com cobras. Como medida de primeiros socorros, até que se chegue ao serviço de saúde para tratamento, recomenda-se:
– NÃO amarrar ou fazer torniquetes, o que impede a circulação do sangue, podendo produzir necrose ou gangrena;
– NÃO colocar nenhuma substância, folhas ou qualquer produto na picada;
– NÃO cortar ou chupar o local da picada;
– NÃO dar bebida alcoólica ou querosene ao acidentado;
– Manter o acidentado em REPOUSO, evitando que ele ande, corra ou se locomova, o que facilita a absorção do veneno. No caso de picadas em braços ou pernas, é importante mantê-los em POSIÇÃO MAIS ELEVADA;
– Levar o acidentado para o centro de tratamento mais próximo, para receber o soro adequado.
Algumas medidas de prevenção:
– nunca andar descalço. O uso dos sapatos, botinas sem elásticos, botas ou perneiras deve ser obrigatório. Dependendo da altura do calçado, os acidentes podem ser evitados na ordem de 50 até 72%;
– olhar sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer;
– usar luvas de couro nas atividades rurais e de jardinagem. Nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras;
– não colocar as mãos em tocas para pegar pelo rabo o tatu que é visto ao entrar; esta é a melhor maneira de ser picado por cascavéis que se abrigam nesses locais;
– não utilizar diretamente as mãos ao tocar em sapé, capim, mato baixo, montes de folhas secas; usar sempre antes um pedaço de pau, enxada ou foice, se for o caso. Esse tipo de cuidado pode evitar até 20% dos acidentes que acontecem nas mãos e no antebraço;
– tampar frestas e buracos em paredes e assoalhos;
– não acumular material inútil junto à habitação rural, como lixo, entulhos e materiais de construção. Manter sempre uma calçada limpa ao redor da casa. Essa faixa pavimentada junto às paredes tem várias utilidades: evita penetração de umidade nos alicerces, impede o contato com capim ou grama dos jardins e principalmente portas, que normalmente devem estar fechadas e ter um mínimo de vão no solo;
– evitar trepadeiras muito encostadas a casa, folhagens entrando pelo telhado ou mesmo pelo forro;
– não fazer piquenique às margens dos rios ou lagoas, deles mantendo distância segura, e não encostar em barrancos durante a pescaria;
– animais domésticos como galinhas e gansos, em geral, afastam as serpentes das áreas mais próximas às habitações.
IMPORTANTE: Somente médicos e cirurgiões-dentistas devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As informações disponíveis em Dicas em Saúde possuem apenas caráter educativo.
Dica elaborada em julho de 2.010.
Fontes:
Fundação Nacional de Saúde. Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes com animais peçonhentos
Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Prevenção de Acidentes com Animais Peçonhentos (Cartilha impressa)
Universidade Estadual de Campinas. Hospital Virtual Brasileiro. Acidentes com animais peçonhentos. (Lopes, Angela Cristina)
Picada de mosquito: por que coça tanto?
segunda-feira, 18 de julho de 2022
Picadas de insetos e animais peçonhentos – parte 1
Picadas de insetos e animais peçonhentos – parte 1
terça-feira, 12 de julho de 2022
Entenda as diferenças entre inseto e aranha
Entenda as diferenças entre inseto e aranha
Há várias diferenças entre inseto e aranha. Muitos não sabem, ou não param para pensar sobre isso, mas as aranhas não são insetos, e sim aracnídeos — outro grupo de criaturas. Dentre as várias diferenças entre inseto e aranha, as principais são sua morfologia e classificação científica. Os insetos pertencem ao filo Arthropoda, e à classe Insecta, e são conhecidos por possuírem três segmentos no corpo, três pares de pernas, olhos compostos com lentes múltiplas e um exoesqueleto quitinoso. As aranhas pertencem ao mesmo filo, mas à classe Arachnida. Elas possuem corpos com dois segmentos, oito pernas, olhos simples e a habilidade de tecer seda e injetar veneno.
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| Fig 1 - Aranha marrom |
Aracnídeos tem quatro pares de pernas.
Diferenças entre inseto e aranha: classificação científica
Uma das diferenças entre inseto e aranha é a sua classificação científica. Ambos fazem parte do filho Arthropoda, mas não pertencem à mesma classe. Por um lado, os insetos fazem parte da classe Insecta, e por outro, as aranhas fazem parte da classe Arachnida, e da ordem Araneae. Esses dois grupos possuem algumas similaridades, por isso fazem parte do mesmo filo, mas as diferenças filogenéticas são significativas o suficiente para os separarem em classes diferentes de criaturas.
Metamorfose
Borboletas em metamoforse.
Uma das grandes diferenças entre inseto e aranha é a maneira pela qual eles passam pela metamorfose. Os insetos podem passar por uma metamorfose completa ou incompleta. A incompleta é conhecida como metamorfose gradual, sendo essa a única que as aranhas podem realizar.
O exemplo mais comum de um inseto passando por uma metamorfose completa é a da lagarta. A lagarta emerge do ovo em sua forma de lava, e então passa um bom tempo se alimentando e se preparando para o próximo estágio de sua metamorfose. Nesse período, ela muda várias vezes e aumenta de tamanho. Depois disso, ela entra no estágio de pupa, e então alcança o estágio final de borboleta ou mariposa, emergindo do casulo em sua quarta forma, final e adulta. As aranhas não passam por metamorfoses complexas dessa forma. Ao invés disso, elas emergem dos ovos como filhotes e passam por uma metamorfose gradual, formando seu exoesqueleto até alcançarem o tamanho adulto.
Morfologia
Os insetos e aranhas possuem corpos muito únicos e específicos. Os insetos têm três seções no corpo, incluindo a cabeça, o tórax e o abdômen. As aranhas, por sua vez, só possuem duas seções, o cefalotórax e o abdômen. A primeira é uma fusão da cabeça com o tórax. Os insetos têm três pares de pernas, num total de seis, enquanto as aranhas possuem oito ao todo, quatro de cada lado. Ambas as criaturas possuem exoesqueletos quitinosos, sendo essa uma das principais similaridades morfológicas entre ambos. Além disso, muitos insetos possuem asas, duas antenas e olhos compostos. As aranhas, por sua vez, não podem voar sem a ajuda de balões de seda e do vento. Além disso, elas não têm antenas, e seus olhos são simples, sem múltiplas lentes como as dos insetos. Isso não significa que as aranhas são menos desenvolvidas, contudo. Elas conseguem produzir seda e teias, afinal, que servem para capturar presas. Além disso, as aranhas também têm quelíceras e pedipalpos que as ajudam a manipular
alimentos e envenenar suas presas. Portanto, ainda que sejam similares em vários aspectos, os insetos e aranhas diferem na maioria deles.
artigo publicado em:
https://socientifica.com.br/diferencas-entre-inseto-e-aranha/
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
Explosão nos casos de chikungunya acende alerta no Brasil; Saúde aponta 14 mortes da doença
terça-feira, 14 de dezembro de 2021
Pesquisa da USP mostra erros de higiene na cozinha que colocam a saúde em risco
Pesquisa da USP mostra erros de higiene na cozinha que colocam a saúde em risco
jornal.usp.br/universidade/pesquisa-da-usp-mostra-erros-de-higiene-na-cozinha-que-colocam-a-saude-em-risco/
December 13, 2021
Realizado pelo Centro de Pesquisas em Alimentos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, o estudo analisou as medidas de higiene, manipulação e armazenamento de alimentos junto a 5 mil pessoas de todos os Estados brasileiros
Publicado: 13/12/2021
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos cerca de 600 milhões de indivíduos no mundo adoecem e 420 mil morrem em decorrência de doenças transmitidas por alimentos (DTA). No Brasil, entre 2000 e 2018, foram registrados oficialmente 247.570 casos de DTA com 195 mortes, segundo dados do Ministério da Saúde. E qual foi a origem principal da contaminação apontada pelo estudo? A cozinha da própria casa.
Diante desses dados, os pesquisadores do Centro de Pesquisas em Alimentos, também chamado Food Research Center (FoRC), da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, realizaram um estudo para analisar os hábitos de higiene e práticas relativas à higienização, manipulação e armazenamento dos alimentos nas residências dos brasileiros. Os resultados mostram que uma parcela expressiva da população adota medidas inadequadas. Portanto, está mais exposta às DTA. Feita com 5 mil pessoas de todos os Estados brasileiros (a maioria mulheres entre 25 e 35 anos e com renda entre 4 e 10 salários mínimos), a pesquisa também verificou as temperaturas das geladeiras de 216 residências no Estado de São Paulo.
Cerca de 46,3% dos participantes disseram ter o hábito de lavar carnes na pia da cozinha, 24,1% costumam consumir carnes malcozidas e 17,4% consomem ovos crus ou malcozidos em maioneses caseiras e outros pratos. “Lavar carnes, especialmente a de frango, na pia da cozinha pode espalhar potenciais patógenos no ambiente, representando uma prática de risco”, explica o coordenador da pesquisa, Uelinton Manoel Pinto, professor da FCF e integrante do FoRC.
Segundo ele, o consumo de alimentos de origem animal malcozidos ou crus também apresenta risco microbiológico, já que o recomendado é cozinhar o alimento a uma temperatura mínima de 74°C para garantir a inativação de patógenos que podem estar presentes no produto cru. “Lembrando que nem todo produto cru de origem animal contém micro-organismos patogênicos, mas existe esse risco e o cozimento adequado garante que esses micro-organismos sejam eliminados ou reduzidos a níveis seguros.”
Com respeito às práticas de higienização de verduras, 31,3% costumam fazer a higienização apenas com água corrente e 18,8%, com água corrente e vinagre. Para higienização de frutas, 35,7% utilizam apenas água corrente e 22,7%, água corrente e detergente. “Para a higienização segura de verduras, legumes e frutas que serão consumidos crus a recomendação é lavar com água corrente e utilizar uma solução clorada com um tempo de contato mínimo de 10 minutos, seguido de novo enxágue em água corrente”, acrescenta. O porcentual de pessoas que usam água com solução clorada, no estudo, foi de 37,7% (para verduras) e 28,5% (para frutas). Vale ressaltar que vegetais que serão cozidos ou frutas que serão consumidas sem a casca não precisam passar pela desinfecção em solução clorada.
Práticas inadequadas que podem ocasionar doenças por contaminação dos alimentos 46,3%
lavar carnes na pia da cozinha 24,1%
consumir carnes malcozidas 17,4%
consumir ovos crus ou malcozidos 31,3%
higienização de verduras apenas com água corrente
Fonte: Food Research Center (FoRC), FCF USP
Aprendendo a armazenar os alimentos
Os resultados da pesquisa da FoRC mostram que parcela significativa dos entrevistados realiza práticas de higiene, manuseio e armazenamento de alimentos inadequadas.
Para corrigir estes erros, os pesquisadores elaboraram um material educativo para orientar sobre a forma correta de armazenar os alimentos na geladeira. : http://forc.webhostusp.sti.usp.br/forc/arquivos/paginas/Cartilha%20armazenamento%20dos%20alimentos%2007.04.21.pdf
Qual a temperatura ideal e a validade dos alimentos na geladeira?
Os alimentos devem ser armazenados sob refrigeração (na geladeira), seguindo as recomendações dos fabricantes constantes na rotulagem ou critérios de uso
Cuidados na refrigeração
Ao fazer compras em supermercados, a maioria dos participantes (81%) não utiliza sacolas térmicas para transportar alimentos refrigerados ou congelados até suas residências. “Em um país como o Brasil, onde as temperaturas chegam facilmente a 30°C em várias cidades durante o ano todo, é fundamental que os produtos perecíveis sejam transportados em condições adequadas, dentro de uma sacola térmica”, destaca Jessica Finger, nutricionista e pesquisadora que conduziu a pesquisa, que teve ainda o envolvimento de um aluno de iniciação científica, Guilherme Silva, graduando de Nutrição da USP.
Com relação às sobras de alimentos, 11,2% dos participantes relataram armazená-las na geladeira passadas mais de duas horas do preparo, o que representa risco à segurança dos alimentos. “Não é recomendado deixar alimentos prontos por mais de duas horas sem refrigeração, visto que a temperatura ambiente favorece o crescimento microbiano nesses alimentos. Essa é uma das principais práticas responsáveis por surtos de doenças de origem alimentar,” acrescentam os pesquisadores.
Evidenciou-se também que era comum entre os participantes descongelar os alimentos em temperatura ambiente (39,5%) ou dentro de um recipiente com água (16,9%), o que também não é adequado, visto que os alimentos devem ser mantidos a uma temperatura segura durante o descongelamento, podendo ser realizado na geladeira ou no micro-ondas.
Armazenamento de carnes
Sobre o armazenamento de carnes na geladeira, a maioria dos participantes (57,2%) relatou armazenar as carnes na própria embalagem que contém o produto. Esta prática é questionável, uma vez que é preciso utilizar um recipiente adequado para evitar o gotejamento do suco da carne e a contaminação de outros alimentos estocados no refrigerador.
A boa notícia é que em relação à temperatura dos refrigeradores, dos 1.944 registros coletados, 91% ficaram entre a faixa de temperatura recomendada, de 0 a 10°C. Este dado é importante, pois pode ser utilizado em estudos de modelagem para prever a multiplicação de micro-organismos nos alimentos refrigerados.
Texto: Acadêmica Agência de Comunicação
Política de uso
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