quinta-feira, 28 de setembro de 2017

ONU apoia simpósio no Rio sobre doenças transmitidas por carrapatos



A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) promovem nos dias 16 e 17 de outubro o 2º Simpósio Nacional de Doenças Transmitidas por Carrapatos. O evento ocorre no Rio de Janeiro, as inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do evento. O prazo para envio de trabalhos científicos é 20 de setembro.
O simpósio tem o apoio do Centro Pan-americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA).



O evento bianual foi concebido com o propósito de reunir profissionais dos serviços de vigilância epidemiológica e das universidades para discutir os avanços no conhecimento científico e suas implicações para as estratégias de vigilância e controle.

Já foram realizadas cinco edições de seminários estaduais e dois simpósios regionais no estado de São Paulo, onde o Ministério da Saúde apoiou os eventos e participou de sua organização. Desde 2015, o encontro virou nacional e passou a ter caráter itinerante, sendo realizado em outros estados endêmicos da febre maculosa, principal doença transmitida por carrapato no Brasil.

Participarão do evento os mais renomados pesquisadores na área, que apresentarão os resultados de suas pesquisas aplicadas aos serviços de vigilância das doenças transmitidas por carrapatos.

Serão temas do simpósio: redes colaborativas de vigilância e controle; sistemas de vigilância epidemiológica; aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento; emergência de novos patógenos transmitidos por carrapatos; experiências dos serviços de vigilância; legislação; métodos de predição e prevenção; avanços e perspectivas na área da pesquisa e vigilância das doenças transmitidas por carrapatos.

Fonte: OPAS/OMS


Inseticidas não são eficientes contra escorpiões, diz médico Produtos começaram a ser divulgados em redes sociais

Com os recentes casos de ataques por escorpiões em Araçatuba, surgiram nas redes sociais e são compartilhados pelo aplicativo Whatsapp fotos de vários inseticidas que seriam recomendados para combater esse animal peçonhento. Porém, o médico veterinário da Vigilância Epidemiológica de Araçatuba, Rafael Silva Cipriano, explica que nenhum inseticida funciona efetivamente com eficácia para matar ou repelir escorpiões por meio de pulverização ambiental e controlada.
Segundo ele, quando se usa qualquer inseticida no ambiente, desaloja-se os escorpiões dos esconderijos, promove a mudança do metabolismo do animal, fazendo com que feche aparelho responsável pela respiração deles e, com isso, eles ficam mais agressivos.
O pior, de acordo com o veterinário, é a presença do produto químico que elimina o principal alimento do escorpião, que é a barata, e faz com que ele percorra distâncias maiores atrás de alimento. “O inseticida acaba por controlar a infestação por baratas diretamente”, pondera.
Cipriano explica que a melhor forma de evitar a infestação por escorpiões em residências e arredores é a eliminação do acúmulo de lixo e entulho nos quintais. Além disso, deve-se manter ralos e caixas de gordura limpos e devidamente fechados; evitar frestas nas portas e nas paredes das casas; inspecionar os jardins; e mudar de local periodicamente materiais acumulados que possam servir de abrigo ao escorpião, como telhas, madeiras e todo material inerte.
“Se encontrar um escorpião, tente colocar um recipiente em cima do animal, evitando o seu deslocamento e chame o centro de controle de zoonoses para retirá-lo. Uma simples pisada pode matar o animal, mas é importante mantê-lo intacto para identificação e posterior tratamento”, ressalta o profissional.
CLIMA
Em várias regiões da cidade, há relatos de encontro de escorpião, pois Araçatuba é considerada zona endêmica deste animal, de acordo com Cipriano. Ele explica que os escorpiões aparecem mais nesta época do ano porque são característicos de clima seco e quente. “Além disso, nesta época ocorre a escassez de seu alimento preferido, as baratas, que proliferam em períodos de maior umidade”, explica.

E o profissional alerta que essa infestação pode aumentar com a ocorrência das chuvas, que inundam as galerias de esgoto e pluviais, fazendo o escorpião procurar locais mais secos. Ele orienta que, em caso de ataque por escorpião, deve-se lavar o local picado com água e sabão, prender o animal em um pote para identificação e procurar o posto de atendimento médico mais próximo para identificação e tratamento. 
“Cuidem de suas residências e não utilizem inseticidas. Deixem os agentes de saúde e agentes de endemias entrarem nas casas para recomendações. A melhor forma de evitar o escorpião é seguindo as recomendações de manejo aplicadas nas residências”, conclui.



Fonte:   http://www.folhadaregiao.com.br/araçatuba

Paraná registra 56 casos suspeitos de dengue por dia Dados foram divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde nesta semana; são 48 casos confirmados desde 1º de agosto.

Paraná registrou 56 casos suspeitos de dengue por dia nas últimas duas semanas. De 925 notificações até o dia 12 de setembro, o número subiu para 1.711 na terça-feira (26).

Os dados constam no novo boletim da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), que mostra uma aceleração no volume de notificações: entre os dias 1º e 12 deste mês, a média estava em 30 notificações por dia.

As cidades com maior número de notificações são Londrina (319), Foz do Iuaçu (228) e Maringá (216). Do total de notificações, 831 já foram descartadas, informa a Sesa.

Confirmações
O estado acumula 48 casos confirmados de dengue desde o dia 1º de agosto, início da temporada 2017/2018 de acompanhamento da doença pela Sesa.

Segundo o boletim, o total de confirmações é 77% maior que o total registrado até o dia 12. O número de municípios com casos confirmados de dengue subiu de dez para 19.

Os municípios com maior número de casos confirmados são Maringá (17), Foz do Iguaçu (8), e Tamboara (3).

Em relação ao boletim anterior, Maringá teve oito confirmações e Foz apenas uma. Tamboara manteve o número registrado até o dia 12.
Chikungunya e zika

A Sesa não registrou novos casos de chikungunya e zika nas últimas duas semanas no Paraná. A única confirmação desde agosto é de um caso de chikungunya em Paranavaí.
O número de notificações cresceu: no caso da chikungunya, passaram de 32 para 50 (entre os dias 12 e 26), e para zika foram de 16 para 30.

Vacina contra a dengue

A terceira etapa da vacinação contra a dengue, em 30 cidades do Paraná, começou em 20 de setembro. O público-alvo é o mesmo das fases anteriores: jovens com idade entre 15 e 27 anos. A exceção é valida para Assaí, no norte, e Paranaguá, no litoral, onde moradores entre 9 e 44 anos têm direito à vacina.

Fonte: G1

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Coluna Vetor - Revista CIPA - Setembro 2017



https://secure.viewer.zmags.com/publication/6a1f8328#/6a1f8328/74

Diretor de hospital recomenda cidadania em vez de inseticida Médico diz que escorpiões só vão deixar de proliferar com conscientização

A morte de uma menina de 4 anos após ela ser picada por escorpião no último dia 15, quando caminhava com a família pela rua dos Fundadores, em Araçatuba, ao sair de uma igreja, provocou uma verdadeira corrida às unidades de saúde do município na semana que passou. Pelo menos outras quatro crianças receberam atendimento médico por suspeita de picada de escorpião na cidade, algumas delas inclusive ficaram internadas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Para o diretor da Santa Casa local, Sérgio Smolentzov, essa busca por atendimento já era esperada, pois a situação gerou uma “síndrome de pânico”. Entretanto, ele recomenda que, em todo caso suspeito, a pessoa deve, sim, procurar atendimento médico. Confira abaixo a entrevista concedida por ele à Folha da Região, explicando sobre os sintomas e o tratamento para picada de escorpião:







Quando os pais devem levar os filhos ou os adultos devem ir ao hospital se suspeitar de picada de escorpião?

Havendo qualquer acidente com inseto, seja escorpião, aranha ou outro, a pessoa deve procurar socorro médico. Mesmo se não se identifica o que aconteceu, a pessoa deve ir ao hospital, que avaliará se é só dor local, se há manifestação sistêmica e se justifica outra medida em caso de suspeita mais grave. Não é preciso ir direto à referência, que é a Santa Casa, pode procurar um posto de saúde que o médico vai avaliar a medida a ser tomada.

Essa precaução excessiva por parte da população é correta? Houve alguma ocasião em que os escorpiões causaram tanta preocupação em Araçatuba ou é a primeira vez?

A preocupação é reflexo de uma síndrome de pânico, porque, em uma semana, duas crianças morreram. Toda mãe que tem uma criança fica achando que pode acontecer com seu filho. Então, isso é justificável e uma resposta esperada. Porém, o poder público tem que mostrar as medidas que estão sendo tomadas, que a situação está sob controle e acalmar a população. Araçatuba já convive com escorpião há muito tempo, mas foi a primeira vez que ocorre a morte de duas crianças em curto espaço de tempo.


fonte:  http://www.folhadaregiao.com.br

Primeiros insetos surgiram há 480 milhões de anos


Os primeiros insetos que habitaram a Terra tiveram origem há cerca de 480 milhões de anos e 80 milhões de anos depois desenvolveram a sua capacidade de voar.

Na investigação, publicada na revista “Science”, participaram mais de cem investigadores de 16 países, incluindo cinco peritos da organização para a Investigação Industrial e Científica da Commonwealth da Austrália.

“A nossa investigação mostra que os insetos tiveram origem ao mesmo tempo que as primeiras plantas terrestres, há uns 480 milhões de anos“, disse o diretor da Coleção Nacional Australiana de Insetos, David Yeates, num comunicado da organização.

O mesmo responsável acrescentou que os “primeiros insetos, provavelmente, seriam parecidos com as atuais traças“.

Depois, disse, há 400 milhões de anos, os insetos começaram a desenvolver a capacidade de voarem.

A investigação foi liderada pelo cientista alemão Bernhard Misof e confirma que a crise na biodiversidade desencadeou extinções massivas de outros grupos de seres vivos como os dinossauros e que os insetos sobreviveram às diversas situações adaptando-se.

fonte:  http;//ZAP.aeiou.pt


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Jovens apresentam em feira internacional aplicativo para combater Aedes aegypti


Agência Brasil


Estudantes de Pernambuco criam aplicativo para combater focos de Aedes aegypti


Com o desejo de ajudar o bairro onde vivem, em Jardim Brasil, no município de Olinda (PE), estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Desembargador Renato Fonseca usaram a tecnologia e a vontade de ajudar a comunidade para promover uma caça ao mosquito Aedes aegypti na região. 

Com a ajuda de uma ferramenta online, Jeovani Cipriano, de 19 anos, criou um aplicativo de celular para que as pessoas denunciassem focos de reprodução do inseto transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Os alunos, então, organizam mutirões para acabar com o problema.

O embrião do projeto surgiu em 2014, quando muitos alunos e professores da escola estavam faltando. Incomodados com isso, o grupo de estudantes se juntou à professora Jorgecy Cabral, que coordena a biblioteca da instituição, para visitar a casa dos faltosos e verificar se o surto de dengue que atingia a região era o culpado pelas faltas. Eles perceberam que os sintomas eram os mesmos.

“Encontramos o problema, vimos o que estava acontecendo. Fizemos mapeamento ao redor da escola para saber se havia foco de dengue. Para nossa surpresa, havia atrás, ao lado, em todos os lugares. Começamos então a fazer mutirões nas ruas”, diz a professora.

A escola passou a ser uma referência na comunidade. Muitas pessoas procuraram o local para denunciar focos de reprodução do Aedes. Foi aí que surgiu a ideia do aplicativo.

Cipriano quebrou a cabeça por cerca de duas semanas e, por meio de uma ferramenta online de criação de aplicativos, desenvolveu a plataforma Caça ao Aedes em Jardim Brasil. “Ninguém tinha conhecimento na área. Fui estudando e fiz”, afirma o estudante.

Na pesquisa porta a porta feita pelo alunos na época do surto, eles identificaram um aumento de 300% dos casos. Agora eles trabalham em novos dados. Segundo Jorgecy Cabral, a pesquisa não está finalizada, mas ela garante que houve redução de infecções no bairro de Jardim Brasil.

Então estudante do terceiro ano do ensino médio, Cipriano, que agora cursa jornalismo em uma faculdade particular, diz também que o aplicativo já recebeu denúncias de focos em outros estados. “Quando é feita em Olinda a gente tenta resolver. Quando é em outra cidade a gente encaminha as informações para a secretaria municipal da localidade”, conta.

O aplicativo é simples e contém informações sobre sintomas de viroses transmitidas por mosquitos (arboviroses) e dicas para evitar a proliferação do Aedes aegypti. Há um espaço para fazer uma denúncia, por escrito, e um mapa onde estão marcados alguns pontos com água parada. Por dificuldades de funcionalidade, não foi possível marcar uma denúncia no mapa, mas a comunicação do bairro pode ser facilitada pelo app. Ele pode ser baixado no Google Play e pelo site.

Vaquinha virtual

A iniciativa foi premiada como Destaque em Iniciação à Pesquisa na feira Ciência Jovem 2016, evento realizado anualmente pelo Espaço Ciência, museu ligado à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco. O reconhecimento rendeu uma participação na Teccien Schöenstatt, uma feira estudantil de tecnologia e ciências promovida pelo colégio Nuestra Señora de Schöenstatt, do Paraguai, de onde os estudantes também saíram premiados.

Foi lá que conheceram a organização da Feira Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, outro evento estudantil do colégio Santa Fé, da Colômbia. Os organizadores convidaram os estudantes brasileiros a expor o projeto entre os dias 13 e 17 deste mês.

Para custear a viagem, o grupo abriu uma vaquinha virtual. As passagens de três pessoas – a professora e mais dois alunos – foram dadas pelo governo de Pernambuco, mas ainda é preciso pagar hospedagem, alimentação e deslocamento da na cidade. Segundo Cipriani, o embarque é no dia 12.

Fonte: Istoe.com.br

Combate ao Aedes pode ser mais eficiente durante o frio




O fato de o mosquito Aedes aegypti  proliferar com mais intensidade durante as estações mais quentes do ano faz com que boa parte das pessoas só se lembre de eliminar os criadouros nesses períodos. Entretanto, de acordo com o pesquisador da Fiocruz Minas Fabiano Duarte Carvalho, é quando caem as temperaturas que as medidas de controle podem ser mais eficazes, já que o ciclo reprodutivo do mosquito fica mais lento e, dessa forma, as ações voltadas para o combate terão um impacto maior.

“Sabemos que há casos de dengue e outras arboviroses o ano inteiro, o que significa que o mosquito está presente em todos os meses. Entretanto, este é um período em que há menos mosquitos em circulação e, com isso, é muito mais fácil combater os focos neste momento. É preciso aproveitar a fase em que o Aedes está mais fraco”, afirma o pesquisador.

Especialista em hábitos e comportamento do Aedes aegypti, Carvalho é um dos autores do artigo Why is Aedes aegypti Linnaeus so Successful as a Species? (Por que o Aedes aegypti pode ser considerado uma espécie de sucesso?), publicado recentemente na Neotropical Entomology, uma importante publicação na área de entomologia. Neste, os pesquisadores relacionam uma série de fatores que favorecem a espécie e fazem com que o combate ao inseto seja um desafio para todos os países que sofrem com as doenças por ele transmitidas.

O ciclo de vida do mosquito compreende quatro fases - ovo, larva, pupa e adulto - e, segundo os pesquisadores, é no primeiro estágio que reside uma das principais razões de sucesso do inseto. O ovo do Aedes aegypti é extremamente resistente, podendo durar por mais de um ano, quando as condições são desfavoráveis.

“Os ovos podem eclodir em minutos quando imersos em água. A falta dela, entretanto, não representa a quebra desse ciclo de vida, uma vez que os ovos permanecem viáveis durante semanas, meses, podendo chegar a mais de 400 dias. É claro que o número de ovos viáveis diminui ao longo do tempo, mas os que permanecem podem ser suficientes para a manutenção local da espécie”, explica Carvalho.

Outra característica que contribui para a proliferação da espécie é a alta capacidade reprodutiva. Uma única fêmea pode colocar aproximadamente 100 ovos por ciclo. “Além disso, elas têm uma estratégia que chamamos de oviposição em saltos, que é a distribuição dos ovos entre vários locais de reprodução, tornando complicada a tarefa de eliminar completamente os criadouros. Há estudos que demonstram que uma única fêmea distribui ovos entre quatro e seis criadouros e que, quando há condições, podem usar até 11”, destaca Carvalho.

Oportunista

O comportamento oportunista do Aedes aegypti também é apontado pelos pesquisadores como um dos aspectos que mais o beneficiam. Embora tenha hábitos preferenciais, a espécie possui uma capacidade de adaptação elevada, possibilitando-a aproveitar todas as oportunidades para se proliferar. Um exemplo disso se refere ao ambiente reprodutivo. Sabe-se que o inseto prefere a água limpa, mas, se não houver, ele poderá colocar os ovos em água com um pouco mais de matéria orgânica.

“Um estudo recente realizado em quatro regiões de Salvador demonstrou a presença de larvas do mosquito em esgotos de duas das localidades pesquisadas. A importância dos esgotos para a reprodução do mosquito também já foi descrita em outros países, como Colômbia e México”, revela Carvalho.

Bem adaptado a ambientes urbanos, o Aedes tem preferência por depositar os ovos em contêineres artificiais, encontrados facilmente nos espaços domésticos. Recipientes com coloração escura são os mais utilizados, o que dificulta a tarefa de detectá-lo durante as inspeções domiciliares.

Outra consideração importante, segundo o pesquisador, é que os recipientes pequenos também são potenciais locais de reprodução. Isso é possível porque a espécie se desenvolve rapidamente e, dessa forma, chega à fase adulta antes que a água se evapore, evitando a mortalidade do vetor.

Controle mecânico

A eliminação dos criadouros é uma das principais formas de controle do mosquito. Assim, de acordo com o pesquisador, ao se deparar com potenciais locais de possível reprodução, cada pessoa deve se perguntar se há alguma necessidade deles. “A resposta para esta pergunta é, muitas vezes, “não”, caso em que o local deve ser eliminado. Se a resposta for “sim”, é preciso então fazer modificações, de forma a evitar que aquele espaço se torne um local de reprodução para o inseto. Um exemplo: eu não posso eliminar minha caixa d´água, mas posso mantê-la bem fechada para que não vire um criadouro”, explica.

Entre as ações propostas, além da vedação dos reservatórios de água, Carvalho lembra da necessidade de limpar as calhas, remover os pratinhos dos vasos de plantas, bem como a manter garrafas, latas e outros recipientes virados para baixo de forma que não acumulem água. “Cuidados especiais também devem ser tomados com locais de reprodução menos óbvios, como ralos em locais pouco usados, bandejas atrás de refrigeradores e outros espaços do ambiente doméstico pouco utilizados, como, por exemplo, os banheiros da área de churrasqueira”, diz. “Lembrando que essas ações durante as estações mais frias serão ainda mais eficazes”, salienta.

Fonte: Keila Maia (Fiocruz Minas)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Pesquisadores da Fiocruz encontram zika em pernilongos de Recife Os pernilongos infectados eram espécimes selvagens, capturados em residências da capital pernambucana

Crescem as evidências de que o mosquito Culex quinquefasciatus, o pernilongo, pode transmitir o zika. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) encontraram cepas do vírus em insetos capturados na zona metropolitana de Recife. No ano passado, a mesma equipe descobriu, por meio de experimentos em laboratório, que o patógeno tinha a capacidade de infectar o inseto. Desta vez, porém, o contágio não se deu de forma artificial. Os pernilongos infectados eram espécimes selvagens, capturados em residências da capital pernambucana.
 
“O Aedes aegypti é considerado o principal vetor para humanos em todo o mundo. No entanto, há evidências de que outras espécies de mosquitos, incluindo o Culex quinquefasciatus, transmitem o vírus (…) e nossos achados indicam que pode haver uma gama mais ampla de vetores do que o esperado”, escreveram os autores em artigo divulgado ontem, na revista Emerging Microbes & Infections, do grupo Nature.

Por meio de análise do genoma parcial dos vírus, os investigadores também identificaram que eles conseguem se replicar dentro do pernilongo e chegar à glândula salivar. Partículas do micro-organismo foram, inclusive, detectadas na saliva dos mosquitos, indicando a possibilidade de transmissão para humanos por meio de picadas. Coordenadora do estudo, Constância Ayres, avalia que o trabalho demonstra, “de diversas formas diferentes”, que o Culex quinquefasciatus é um potencial vetor do vírus da zika.

Com os resultados obtidos, a equipe abre novas frentes de estudo, como descobrir se mutações no vírus influenciaram na capacidade dele de se replicar nos pernilongos e entender o papel e a importância desse mosquito na transmissão do zika durante a epidemia da doença, entre 2015 e 2016, e em condições futuras.

Independentemente das próximas análises, os investigadores fizeram algumas ponderações tendo como base as constatações atuais. “Nossas descobertas indicam que as estratégias de controle vetorial podem precisar ser reexaminadas. O controle das populações de Aedes aegypti pode não levar a uma redução global da transmissão de zika se as populações de Culex não forem afetadas”, escreveram.

Os insetos têm comportamentos diferentes. Enquanto o Aedes põe ovos em água limpa e parada, o pernilongo se concentra em matéria orgânica e esgoto. A presença deles nas cidades também não se equivale. Na área estudada, região metropolitana do Recife, a quantidade de pernilongos, segundo os pesquisadores, é cerca de 20 vezes maior do que a da população de Aedes aegypti.
Fonte:  www.correiobraziliense.com.br