terça-feira, 19 de maio de 2026

abcpragas.blogspot.com: O que é a HANTAVIROSE e como atinge a população

abcpragas.blogspot.com: O que é a HANTAVIROSE e como atinge a população:  A HANTAVIROSE é uma zoonose viral aguda, cuja infecção em humanos, no Brasil, se apresentam na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantaví...

 A HANTAVIROSE é uma zoonose viral aguda, cuja infecção em humanos, no Brasil, se apresentam na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. Na América do Sul, foi observado importante comprometimento cardíaco, passando a ser denominada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). 

Os hantavírus possuem como reservatórios naturais alguns roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer.  



1. Rato-do-capim (Necromys lasiurus)

É um dos principais reservatórios no Brasil.

Associado principalmente ao:

  • Cerrado;
  • áreas agrícolas;
  • pastagens.

Está relacionado ao vírus Araraquara, um dos mais graves do país.

Características:

  • pequeno;
  • pelagem marrom;
  • vive em capinzais e lavouras.

2. Rato-do-arroz (Oligoryzomys nigripes)

Muito importante na região Sul e Sudeste.

Relacionado ao vírus Juquitiba.

Habita:

  • Mata Atlântica;
  • áreas rurais;
  • plantações;
  • bordas de mata.

É um roedor ágil, pequeno e excelente escalador.


3. Camundongo-do-campo (Calomys tener)

Associado a áreas agrícolas e vegetação aberta.

Encontrado principalmente em:

  • lavouras;
  • áreas de cerrado;
  • campos.

A Hantavirose é causada por um vírus RNA, pertencente à família Hantaviridae, gênero Orthohantavirus. Os membros desse gênero e família podem ser chamados de, simplesmente, Hantavirus.

O rato urbano comum transmite?

Ratazana (Rattus norvegicus)

O rato de esgoto urbano está mais associado a:

  • leptospirose;
  • salmonelose;
  • peste (historicamente).

Ele não é considerado o principal reservatório dos hantavírus brasileiros.


Camundongo doméstico (Mus musculus)

Também não é o principal reservatório dos hantavírus mais importantes no Brasil.

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Como os surtos começaram a chamar atenção

Coreia — anos 1950

Guerra da Coreia

Durante a guerra, milhares de soldados apresentaram:

  • febre;
  • hemorragias;
  • insuficiência renal.

Os casos ocorreram próximos ao rio Hantan, origem do nome “hantavírus”.

Mais tarde, pesquisadores identificaram o vírus em roedores locais.


Estados Unidos — 1993

Surto de hantavírus de Four Corners

Um importante surto ocorreu na região de Four Corners, entre:

  • Arizona;
  • Novo México;
  • Colorado;
  • Utah.

Jovens saudáveis morreram rapidamente por insuficiência respiratória grave.

A investigação revelou:

  • aumento populacional de ratos silvestres;
  • maior contato humano;
  • condições climáticas que favoreceram reprodução dos roedores.

Foi nesse episódio que a forma cardiopulmonar americana ganhou destaque mundial.

Importante: Nas Américas, a hantavirose se manifesta sob diferentes formas, desde doença febril aguda inespecífica, até quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).

Hantavirose: em números

TRANSMISSÃO

A infecção humana por hantavirose ocorre mais frequentemente pela inalação de aerossóis, formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. As outras formas de transmissão, para a espécie humana, são:

  • Percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordedura de roedores;
  • Contato do vírus com mucosa (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
  • Transmissão pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada ao hantavírus Andes.

O período de transmissibilidade do hantavírus no homem é desconhecido. Estudos sugerem que o período de maior viremia seria alguns dias que antecedem o aparecimento dos sinais/sintomas.

Já o período de incubação do vírus, ou seja, o período que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é, em média, de 1 a 5 semanas, com variação de 3 a 60 dias. 

Diversos fatores ambientais estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão ligados ao aumento da população de roedores silvestres como, o desmatamento desordenado, a expansão das cidades para áreas rurais e as áreas de grande plantio, favorecendo a interação entre homens e roedores silvestres.

Por que o contágio aumenta em certas épocas

O risco cresce quando há:

  • aumento populacional de roedores;
  • períodos de chuva seguidos de grande oferta de alimentos;
  • desmatamento;
  • queimadas;
  • expansão agrícola;
  • armazenamento inadequado de grãos.

Essas condições aproximam roedores silvestres das áreas humanas.

SINTOMAS

Na fase inicial, a hantavirose causa os seguintes sintomas:

  • Febre;
  • Dor nas articulações;
  • Dor de cabeça;
  • Dor lombar;
  • Dor abdominal;
  • Sintomas gastrointestinais.

Na fase cardiopulmonar, os sintomas da hantavirose são:

  • Febre;
  • Dificuldade de respirar;
  • Respiração acelerada;
  • Aceleração dos batimentos cardíacos;
  • Tosse seca;
  • Pressão baixa.

Importante: Diversos fatores ambientais estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão ligados ao aumento da população de roedores silvestres como, o desmatamento desordenado, a expansão das cidades para áreas rurais e as áreas de grande plantio, favorecendo a interação entre homens e roedores silvestres.

Uma característica importante

Na maioria dos hantavírus das Américas, a transmissão entre pessoas é extremamente rara ou inexistente.

A principal exceção conhecida envolve o vírus Andes, na Argentina e Chile, onde já houve transmissão pessoa a pessoa.

Onde o risco é maior no Brasil

As áreas com maior ocorrência costumam envolver:

  • regiões agrícolas;
  • armazenamento de grãos;
  • áreas de desmatamento;
  • zonas rurais próximas à mata.

Estados com registros frequentes:

  • São Paulo;
  • Minas Gerais;
  • Paraná;
  • Santa Catarina;
  • Mato Grosso;
  • Goiás;
  • Distrito Federal.

SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA

Em algumas regiões do Brasil, observa-se um padrão de sazonalidade, possivelmente decorrente da biologia/comportamento dos roedores reservatórios.

Apesar de a doença ser registrada em todas as regiões brasileiras, o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste concentram maior percentual de casos confirmados.A presença da SCPH até o momento é relatada em 16 Unidades da Federação: Pará, Rondônia, Amazonas, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

As infecções ocorrem principalmente em áreas rurais, em situações ocupacionais relacionadas à agricultura, sendo o sexo masculino com faixa etária de 20 a 39 anos o grupo mais acometido.A taxa de letalidade média é de 46,5% e a maioria dos pacientes necessita de assistência hospitalar.

Informação- 

Em 2025 foram 15 óbitos confirmados originários das regiões, Sul, Sudeste e Centro Oeste.

Em 2025 fora confirmados 35 casos de hantavirose nas mesmas regiões, com apenas 1 caso na região nordeste.

(dados Ministerio da Saude)

TRANSPORTE DE PACIENTE

Dada a evolução rápida e progressiva do quadro prodrômico para insuficiência respiratória grave e, até mesmo, choque circulatório, para evitar óbito, o paciente com hantavirose deve ser transportado acompanhado de médico habilitado e em condições que assegurem: 

Estabilidade hemodinâmica;              

Parâmetros ventilatórios adequados, com oxigenioterapia e suporte ventilatório mecânico, se necessários;        

Acesso venoso, sem administração excessiva de líquidos;                

Controle cardiovascular com uso de aminas vasoativas em doses adequadas;         

Normas de biossegurança;      

Mobilização apenas quando necessária e sem desgaste físico do paciente.

PREVENÇÃO

A prevenção das hantavirose baseia-se na utilização de medidas que impeçam o contato do homem com os roedores silvestres e suas excretas (resíduos eliminados do organismo).

As medidas de controle devem conter ações que impeçam a aproximação dos roedores, como, por exemplo, roçar o terreno em volta da casa, dar destino adequado aos entulhos existentes, manter alimentos estocados em recipientes fechados e à prova de roedores, além de outras medidas que impeçam a interação entre o homem e roedores silvestres, nos locais onde é conhecida a presença desses animais.

NÃO HÁ REGISTRO DE HANTAVIRUS ENCONTRADOS EM ROEDORES URBANOS

Um detalhe importante no controle de pragas

O hantavírus é diferente das pragas urbanas clássicas porque:

  • o reservatório principal é silvestre;
  • o problema está ligado ao ambiente natural;
  • o controle depende muito de manejo ambiental e prevenção da exposição humana.

Por isso, estratégias eficazes incluem:

  • vedação de construções rurais;
  • manejo correto de grãos;
  • limpeza segura;
  • redução de abrigo e alimento para roedores;
  • educação preventiva para trabalhadores rurais.
Em relação às empresas e industrias edificadas em ambientes rurais, é importante verificar se há roedores "diferentes"  capturados ou mortos na desratização. Se forem aparentemente estranhos, devem ser cuidadosamente removidos, entregues para identificação e investigar mais profundamente a presença desses animais.

Textos obtidos:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hantavirose e de outras fontes bibliográficas.