abcpragas.blogspot.com: O que é a HANTAVIROSE e como atinge a população: A HANTAVIROSE é uma zoonose viral aguda, cuja infecção em humanos, no Brasil, se apresentam na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantaví...
A HANTAVIROSE é uma zoonose viral aguda, cuja infecção em humanos, no Brasil, se apresentam na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. Na América do Sul, foi observado importante comprometimento cardíaco, passando a ser denominada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).
Os hantavírus possuem como reservatórios naturais alguns roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer.
1. Rato-do-capim (Necromys lasiurus)
É um dos principais reservatórios no Brasil.
Associado principalmente ao:
- Cerrado;
- áreas agrícolas;
- pastagens.
Está relacionado ao vírus Araraquara, um dos mais graves do país.
Características:
- pequeno;
- pelagem marrom;
- vive em capinzais e lavouras.
2. Rato-do-arroz (Oligoryzomys nigripes)
Muito importante na região Sul e Sudeste.
Relacionado ao vírus Juquitiba.
Habita:
- Mata Atlântica;
- áreas rurais;
- plantações;
- bordas de mata.
É um roedor ágil, pequeno e excelente escalador.
3. Camundongo-do-campo (Calomys tener)
Associado a áreas agrícolas e vegetação aberta.
Encontrado principalmente em:
- lavouras;
- áreas de cerrado;
- campos.
A Hantavirose é causada por um vírus RNA, pertencente à família Hantaviridae, gênero Orthohantavirus. Os membros desse gênero e família podem ser chamados de, simplesmente, Hantavirus.
O rato urbano comum transmite?
Ratazana (Rattus norvegicus)
O rato de esgoto urbano está mais associado a:
- leptospirose;
- salmonelose;
- peste (historicamente).
Ele não é considerado o principal reservatório dos hantavírus brasileiros.
Camundongo doméstico (Mus musculus)
Também não é o principal reservatório dos hantavírus mais importantes no Brasil.
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Como os surtos começaram a chamar atenção
Coreia — anos 1950
Guerra da Coreia
Durante a guerra, milhares de soldados apresentaram:
- febre;
- hemorragias;
- insuficiência renal.
Os casos ocorreram próximos ao rio Hantan, origem do nome “hantavírus”.
Mais tarde, pesquisadores identificaram o vírus em roedores locais.
Estados Unidos — 1993
Surto de hantavírus de Four Corners
Um importante surto ocorreu na região de Four Corners, entre:
- Arizona;
- Novo México;
- Colorado;
- Utah.
Jovens saudáveis morreram rapidamente por insuficiência respiratória grave.
A investigação revelou:
- aumento populacional de ratos silvestres;
- maior contato humano;
- condições climáticas que favoreceram reprodução dos roedores.
Foi nesse episódio que a forma cardiopulmonar americana ganhou destaque mundial.
Importante: Nas Américas, a hantavirose se manifesta sob diferentes formas, desde doença febril aguda inespecífica, até quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).
Hantavirose: em números
TRANSMISSÃO
A infecção humana por hantavirose ocorre mais frequentemente pela inalação de aerossóis, formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. As outras formas de transmissão, para a espécie humana, são:
- Percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordedura de roedores;
- Contato do vírus com mucosa (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
- Transmissão pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada ao hantavírus Andes.
O período de transmissibilidade do hantavírus no homem é desconhecido. Estudos sugerem que o período de maior viremia seria alguns dias que antecedem o aparecimento dos sinais/sintomas.
Já o período de incubação do vírus, ou seja, o período que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é, em média, de 1 a 5 semanas, com variação de 3 a 60 dias.
Diversos fatores ambientais estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão ligados ao aumento da população de roedores silvestres como, o desmatamento desordenado, a expansão das cidades para áreas rurais e as áreas de grande plantio, favorecendo a interação entre homens e roedores silvestres.
Por que o contágio aumenta em certas épocas
O risco cresce quando há:
- aumento populacional de roedores;
- períodos de chuva seguidos de grande oferta de alimentos;
- desmatamento;
- queimadas;
- expansão agrícola;
- armazenamento inadequado de grãos.
Essas condições aproximam roedores silvestres das áreas humanas.
SINTOMAS
Na fase inicial, a hantavirose causa os seguintes sintomas:
- Febre;
- Dor nas articulações;
- Dor de cabeça;
- Dor lombar;
- Dor abdominal;
- Sintomas gastrointestinais.
Na fase cardiopulmonar, os sintomas da hantavirose são:
- Febre;
- Dificuldade de respirar;
- Respiração acelerada;
- Aceleração dos batimentos cardíacos;
- Tosse seca;
- Pressão baixa.
Importante: Diversos fatores ambientais estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão ligados ao aumento da população de roedores silvestres como, o desmatamento desordenado, a expansão das cidades para áreas rurais e as áreas de grande plantio, favorecendo a interação entre homens e roedores silvestres.
Uma característica importante
Na maioria dos hantavírus das Américas, a transmissão entre pessoas é extremamente rara ou inexistente.
A principal exceção conhecida envolve o vírus Andes, na Argentina e Chile, onde já houve transmissão pessoa a pessoa.
Onde o risco é maior no Brasil
As áreas com maior ocorrência costumam envolver:
- regiões agrícolas;
- armazenamento de grãos;
- áreas de desmatamento;
- zonas rurais próximas à mata.
Estados com registros frequentes:
- São Paulo;
- Minas Gerais;
- Paraná;
- Santa Catarina;
- Mato Grosso;
- Goiás;
- Distrito Federal.
SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA
Em algumas regiões do Brasil, observa-se um padrão de sazonalidade, possivelmente decorrente da biologia/comportamento dos roedores reservatórios.
Apesar de a doença ser registrada em todas as regiões brasileiras, o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste concentram maior percentual de casos confirmados.A presença da SCPH até o momento é relatada em 16 Unidades da Federação: Pará, Rondônia, Amazonas, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.
As infecções ocorrem principalmente em áreas rurais, em situações ocupacionais relacionadas à agricultura, sendo o sexo masculino com faixa etária de 20 a 39 anos o grupo mais acometido.A taxa de letalidade média é de 46,5% e a maioria dos pacientes necessita de assistência hospitalar.
Informação-
Em 2025 foram 15 óbitos confirmados originários das regiões, Sul, Sudeste e Centro Oeste.
Em 2025 fora confirmados 35 casos de hantavirose nas mesmas regiões, com apenas 1 caso na região nordeste.
(dados Ministerio da Saude)
TRANSPORTE DE PACIENTE
Dada a evolução rápida e progressiva do quadro prodrômico para insuficiência respiratória grave e, até mesmo, choque circulatório, para evitar óbito, o paciente com hantavirose deve ser transportado acompanhado de médico habilitado e em condições que assegurem:
Estabilidade hemodinâmica;
Parâmetros ventilatórios adequados, com oxigenioterapia e suporte ventilatório mecânico, se necessários;
Acesso venoso, sem administração excessiva de líquidos;
Controle cardiovascular com uso de aminas vasoativas em doses adequadas;
Normas de biossegurança;
Mobilização apenas quando necessária e sem desgaste físico do paciente.
PREVENÇÃO
A prevenção das hantavirose baseia-se na utilização de medidas que impeçam o contato do homem com os roedores silvestres e suas excretas (resíduos eliminados do organismo).
As medidas de controle devem conter ações que impeçam a aproximação dos roedores, como, por exemplo, roçar o terreno em volta da casa, dar destino adequado aos entulhos existentes, manter alimentos estocados em recipientes fechados e à prova de roedores, além de outras medidas que impeçam a interação entre o homem e roedores silvestres, nos locais onde é conhecida a presença desses animais.
NÃO HÁ REGISTRO DE HANTAVIRUS ENCONTRADOS EM ROEDORES URBANOS
Um detalhe importante no controle de pragas
O hantavírus é diferente das pragas urbanas clássicas porque:
- o reservatório principal é silvestre;
- o problema está ligado ao ambiente natural;
- o controle depende muito de manejo ambiental e prevenção da exposição humana.
Por isso, estratégias eficazes incluem:
- vedação de construções rurais;
- manejo correto de grãos;
- limpeza segura;
- redução de abrigo e alimento para roedores;
- educação preventiva para trabalhadores rurais.
Textos obtidos:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hantavirose e de outras fontes bibliográficas.

