quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Quais são as contraindicações da vacina contra a febre amarela?



A vacina é contraindicada nos seguintes casos:

 - Crianças menores 6 meses de idade.

- Doença febril aguda, com comprometimento do estado geral de saúde.

- Histórico de reações anafiláticas a ovos de galinha e seus derivados, gelatina, eritromicina e canamicina.

- Gestantes, a não ser em situação epidemiológica com alto risco de exposição, seguindo recomendações expressas das autoridades de saúde.

- Imunodeficiência congênita ou secundária por doença (neoplasias, AIDS e infecção pelo HIV com comprometimento da imunidade) ou por tratamento (drogas imunossupressoras acima de 2mg/kg/dia por mais de duas semanas, radioterapia etc.);

- História de doença do timo, como miastenia gravis, timoma ou timectomia.

Porém, outros grupos também devem tomar cuidados e precauções: a vacinação em pacientes com histórico de hipersensibilidade aos componentes da vacina febre amarela (ovo de galinha, gelatina, eritromicina ou canamicina) somente deverá ser realizada após avaliação médica. A vacina não é contraindicada em pacientes infectados com HIV, desde que sejam assintomáticos, ou a critério médico. Mulheres grávidas só devem ser vacinadas com orientação médica, embora não existam evidências de que possa provocar alterações nocivas em fetos.

Existe, ainda, a possibilidade de a vacina ser excretada no leite humano e de causar eventos adversos mais numerosos em pessoas com mais de 60 anos e em pessoas com doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico. Portanto, a vacinação desses dois grupos deve seguir orientação médica a partir de seus riscos e benefícios.

Fonte: Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Fiocruz alerta sobre possível epidemia de chikungunya em 2019, no Rio


Publicado em 12/12/2018 - 16:16 Por Jéssica Antunes* - Estagiária da Agência Brasil  Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro pode enfrentar uma epidemia de chikungunya neste verão. Esse é o alerta feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e demais órgãos municipais e estaduais de saúde. De janeiro até outubro deste ano, já foram registrados cerca de 37 mil casos da doença no estado, no mesmo período de 2017 foram notificadas apenas 4.425 ocorrências.

Para o coordenador de Vigilância e Saúde do laboratório de referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, o aumento de casos de chikungunya representa um desafio para o estado do Rio, que vem enfrentando dificuldades políticas e econômicas.

“Estamos falando de uma doença relativamente nova no Brasil e também no Rio de Janeiro. Boa parte dos profissionais de saúde formados há mais de cinco anos certamente não teve contato com informações relativas a chikungunya. Então, nós temos um desafio adicional que é capacitar esses profissionais de saúde de várias categorias que irão fazer o atendimento”, disse o coordenador.

Ele também explica que há uma preocupação com o aumento de casos de febre amarela durante o verão, já que a população do estado do Rio ainda não está devidamente vacinada. Neste ano, 268 casos já foram registrados.

“Estamos muito preocupados com a possibilidade de enfrentarmos, neste verão, os mesmos fatos que ocorreram com a febre amarela no mesmo período de 2017 para 2018. Por isso a Fundação Oswaldo Cruz, que é a fabricante da vacina contra febre amarela, faz o apelo para que a população não vacinada procure as unidades de saúde para se vacinar, que é a forma mais segura de evitar a doença”, explicou.

Prevenção

A chikungunya é uma doença viral, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, também vetor da dengue, zika e febre amarela. O subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe, explica que a Chikungunya pode ser prevenida, mas é importante estar atento aos sintomas. “É uma doença que se parece com a dengue. Ela atinge as articulações, juntas, e pode durar por semanas, meses e até anos”.

No Rio de Janeiro, o período de maior risco de transmissão é entre janeiro e maio. “A orientação é para a pessoa com febre súbita e elevada procure um posto de atenção à saúde para que seja feita avaliação. Os grupos de risco de chikungunya são: crianças e pessoas mais idosas, principalmente aquelas que têm doenças crônicas associadas”. completa Chieppe.

Para evitar a doença, a Secretaria de Saúde recomenda eliminar qualquer possibilidade de água parada e também investir em medidas de proteção pessoal, com o uso de repelente de forma regular.

“O Rio de Janeiro vem se preparando há algum tempo, desde as epidemias de dengue. Hoje, no estado do Rio de Janeiro, todas as secretarias municipais de saúde têm planos de contingência elaborados para dar assisitência ao aumento de casos. O desafio de uma epidemia de Chikungunya é enorme, mas, hoje, essas doenças, de certa forma, têm um plano de ação preparado”, acrescenta o subsecretário.  

*Estagiária sob supervisão de Mario Toledo.

Edição: Valéria Aguiar
 Tags: CHIKUNGUNYA VERÃO AEDES AEGYPTI ZIKA EPIDEMIA VACINAÇÃO

Vacinação reduziu risco de surto de febre amarela no Rio em 2019


Publicado em 26/01/2019 - 15:42 Por Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) avaliou que o risco de um novo surto de febre amarela no estado é baixo, uma vez que a cobertura vacinal foi ampliada nos últimos anos. Em 2019, ainda não há nenhum caso registrado. Mesmo que a doença reapareça neste ano no estado, o órgão acredita que a transmissão não ocorreria com a mesma intensidade observada nos últimos dois anos, quando dezenas de pessoas morreram.

"Nos últimos três anos, saímos de quase zero de cobertura vacinal. Tínhamos 0,5% de cobertura no estado, pois não éramos área de transmissão de febre amarela", disse o subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe. Segundo ele, atualmente cerca de 80% da população do Rio de Janeiro está imunizada e a meta é chegar a 90 ou 95% esse ano.

A febre amarela é uma doença de surto que atinge grupos de macacos e humanos e é causada por um vírus da família Flaviviridae. Em áreas rurais e silvestres, ela é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. Em área urbana, pode ser propagada pelo Aedes aegypti, o mesmo da dengue, da zika e da chikungunya. No entanto, segundo o Ministério da Saúde, o surto ocorrido nos últimos anos se deu por transmissão silvestre e não há registros no Brasil de ocorrência da doença em meios urbanos desde 1942.

Chieppe assegura que, no interior do estado, em municípios próximos às áreas mais suscetíveis à propagação da febre amarela, a campanha de vacinação foi bem sucedida. "É nosso desafio vacinar o restante da população, porque na região metropolitana é difícil. As pessoas não se percebem em situação de risco".

Além da campanha de vacinação, a SES-RJ mantém um monitorando diário de casos suspeitos e de mortes de macacos. "Não dá pra dizer que não existe a possibilidade de transmissão de febre amarela, mas certamente se ocorrer será numa intensidade infinitamente menor do que nos últimos dois anos", acrescentou o subsecretário.

Rio começa ano com queda de dengue e zika, mas chikungunya preocupa


Publicado em 26/01/2019 - 16:02 Por Léo Rodrigues – Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro iniciou o ano com menor número de casos de arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, na comparação com o ano passado. Dados da primeira quinzena de janeiro mostram 351 ocorrências de dengue e 15 de zika. Não houve ainda nenhum óbito. Na primeira quinzena de janeiro de 2018, foram registrados 781 casos de dengue e 133 de zika.

Embora o quadro epidemiológico possa gerar otimismo, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) se mantém alerta contra a febre chikungunya, doença que inspira uma atenção especial. Em relação a essa arbovirose, o número de casos revela um quadro mais próximo daquele observado no ano passado. Na primeira quinzena de janeiro de 2019, ocorreram 563 casos, somente 20 a menos do que no mesmo período de 2018.

Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe, a preocupação com a chikungunya existe por ser um vírus relativamente novo no estado e pela maior parte da população não ser imunizada. No ano passado, o Rio de Janeiro registrou 39.082 casos da doença, com 18 mortes.

"A chikungunya vem se comportando com a ocorrência de surtos isolados bastante intensos, com o acometimentos de um número significativo de pessoas em algumas localidades. Não existe vacina e a maioria das pessoas nunca teve a doença, o que faz com que elas sejam, portanto, suscetíveis ao vírus. Então, estamos em alerta e nos preparando para que, em caso de aumento do número de casos, possamos agir de forma rápida", disse.

A reduzida ocorrência neste verão observada até o momento não minimiza as preocupações. "Os números por enquanto são baixos, o que nos dá uma certa tranquilidade. Mas não é ainda o período de maior risco de transmissão de arboviroses no estado. Geralmente temos picos de transmissão no mês de abril", acrescenta Chieppe. De acordo com o subsecretário, é normalmente a partir de fevereiro que as tendências conseguem ser visualizadas com mais clareza.

Monitoramento

Em relação à zika e dengue, o subsecretário afirma que há um cenário epidemiológico mais tranquilo, considerando o histórico das doenças e a previsão para este ano. "O monitoramento dos casos não mostrou um aumento no final do ano passado. E não tivemos nenhum fato novo como a entrada de um novo vírus da dengue. Então, a perspectiva para 2019 é de baixa transmissão dessas duas doenças."

Chieppe atribui o quadro mais favorável à combinação de fatores que vão desde ações do governo e conscientização da população até a influência do clima. "Estamos com mês de janeiro muito seco. Isso, de certa forma, inibe a formação de novos criadouros de mosquito. Ao mesmo tempo, há uma ação também intensa do poder público seja estadual ou municipal."

Visando tanto a melhoria do atendimento das pessoas infectadas como a redução do numero dos casos, a SES-RJ preparou ações para os primeiros 60 dias do ano, algumas das quais já estão em curso. Equipes de saúde estão sendo capacitadas em todo o estado e edifícios públicos vêm recebendo visitas regulares para aplicação de inseticida e larvicida.

Algumas medidas envolvem parcerias com outros órgãos do governo. Em ação conjunta com o Corpo de Bombeiros, está em andamento um mapeamento de áreas onde há risco de transmissão. Também há um acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) para incluir o assunto no currículo do ensino infantil. "A ideia é começar a trabalhar no dia a dia das atividades escolares o tema de forma transversal", diz Chieppe.

Mais de 500 cidades têm risco de surto de doenças causadas pelo Aedes


Publicado em 12/12/2018 - 17:30 
Por Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil  
Brasília



Pelo menos 504 municípios brasileiros registram alto índice de infestação pelo Aedes aegypti e apresentam risco de surto para doenças transmitidas pelo vetor – incluindo dengue, zika e chikungunya.

                 
Dados divulgados hoje (12.12.18)) pelo Ministério da Saúde revelam que, das 5.358 cidades que realizam algum tipo de monitoramento do mosquito, 1.881 estão em situação de alerta, enquanto 2.628 apresentam índices considerados satisfatórios.

Capitais

O mapa da dengue, como é chamado o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), mostra que, das 27 capitais em todo o país, Palmas (TO), Boa Vista (RR), Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC) estão em risco de surto não apenas de dengue, mas também de zika e chikungunya.

Outras 12 capitais, de acordo com o estudo, registram situação de alerta: Manaus (AM), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), São Luís (MA), Belém (PA), Vitória (ES), Salvador (BA), Porto Velho (RO), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS).

Já Curitiba (PR), Teresina (PI), João Pessoa (PB), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Macapá (AP), Maceió (AL), Fortaleza (CE) e Aracaju (SE) têm índices considerados satisfatórios. Natal (RN) e Porto Alegre (RS) fizeram a coleta de dados por armadilha – metodologia utilizada quando a infestação pelo mosquito é muito baixa ou inexistente.

Criadouros

Além de identificar onde estão concentrados os focos do mosquito em cada município, o levantamento revela quais os principais tipos de criadouros por região. No Nordeste, por exemplo, o armazenamento de água no nível do solo (doméstico), como tonel, barril e tina, foi o principal tipo identificado.

No Sudeste, o maior número de depósitos encontrados foi em domicílio, caracterizados por vasos e frascos com água e pratos e garrafas retornáveis. Já nas regiões Centro-Oeste, Norte e Sul, predominou o lixo, como recipientes plásticos, garrafas PET, latas, sucatas e entulhos de construção.

Dengue

Dados do ministério apontam que, até 3 de dezembro, foram notificados 241.664 casos de dengue em todo o país – um pequeno aumento em relação ao mesmo período de 2017 (232.372 casos). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 115,9 casos para cada 100 mil habitantes.

Em relação ao número de óbitos causados pela doença, a queda é de 19,3% quando comparado ao mesmo período do ano anterior, passando de 176 mortes em 2017 para 142 neste ano.

Chikungunya

No mesmo período, foram notificados 84.294 casos de chikungunya no Brasil – uma redução de 54% em relação ao mesmo período de 2017 (184.344 casos). A taxa de incidência da doença é de 40,4 casos para cada 100 mil habitantes.

Em relação ao número de óbitos, a queda é de 81,6% quando comparado ao mesmo período do ano anterior, passando de 191 mortes em 2017 para 35 neste ano.

Zika

Os números mostram ainda que, até 3 de dezembro, foram notificados 8.024 casos de zika em todo o país – uma redução de 53% em relação ao mesmo período de 2017 (17.025 casos). A taxa de incidência é de 3,8 casos para cada 100 mil habitantes.

Este ano, foram registrados quatro óbitos causados pelo vírus Zika.

Edição: Lílian Beraldo
 Tags: AEDES AEGYPTI ZIKA DENGUE CHIKUNGUNYA MINISTÉRIO DA SAÚDE

sábado, 15 de dezembro de 2018

INTOLERÂNCIA Predadores do escorpião, gambás correm risco em Rio Preto


Apesar de ser um predador natural de pragas, animal é frequentemente perseguido; o motivo, segundo as autoridades, é a aparência pouco amigável

Colaboração Leitor Morador 'adota' família de gambás em Rio Preto



Morador 'adota' família de gambás em Rio Preto

A aparência deles pode não ser a das mais atraentes, o que faz com que sua popularidade seja bem inferior à do primo distante, o coala. Mesmo sendo considerados por muitos como visitas indesejadas, os gambás não oferecem nenhum risco à população e ainda possuem importante função: eles são excelentes eliminadores de pragas, como o escorpião.

Como muitos outros animais, os gambás são mais fofos quando são filhotes. No entanto, os adultos dificilmente conseguem cativar a afetividade das pessoas, já que para muitos se parecem com ratos gigantes. E, nos últimos anos, o surgimento deles têm aumentado em Rio Preto. Os motivos são dois: a invasão humana do habitat e a busca por alimentos.

No bairro São Francisco, um morador virou cuidador de uma família de gambás que passou a morar no tronco de uma árvore, em frente a casa dele. A fêmea teve cinco filhotes recentemente. "Meu medo é judiarem do animal pelo que ele é e pela aparência", contou o funcionário público Marcelo Gallo. Além disso, ele tem o receio de que o bicho seja atropelado, já que escolheu morar em uma rua bastante movimentada.

O capitão da Polícia Ambiental de Rio Preto Alessandro Daleck, tranquiliza: "Os gambás são animais espertos, eles não se colocam em perigo facilmente". Nos últimos anos, o número da aparição de gambás cresceu na cidade. "Isso é um bom sinal, pois demonstra que a população está aumentando", diz Daleck.  Mesmo assim, em alguns casos eles acabam se machucando. Somente neste ano, o zoológico municipal de Rio Preto recebeu 17 gambás.

O número representa mais da metade dos mamíferos resgatados no ano. "Esse número pode ser infinitamente maior", conta o biólogo do Zoológico, Samuel Villanova. No local, a equipe recebe gambás órfãos, vítimas de atropelamento e com traumas, que podem ser pauladas. Os filhotes que são resgatados ficam em tratamento até terem condições de sobreviverem na natureza. Normalmente, eles são são devolvidos ao habitat natural quando atingem 70 dias de vida.

Geralmente, o gambá invade residências em busca de comida ou a procura de local seguro para fazer ninhos, como forros. Não é recomendável acuar o animal. O ideal é deixar ele passar até que encontre um caminho para fugir. Para evitar esse tipo de surpresa, a recomendação é não se aproximar, vedar aberturas, entre o telhado, acondicionar o lixo corretamente e retirar sobras de rações.

Alimentação

Os gambás são animais onívoros, ou seja, comem de tudo. Eles se alimentam frutas, pequenos insetos e de aracnídeos, explica o biólogo e professor da Unesp, Arif Cais. "Os gambás têm hábitos noturnos, normalmente vivem em árvores e comem de tudo, inclusive escorpiões, aranhas e lagartixas."

A espécie presente da região de Rio Preto é a de orelha branca, da família Didelphis marsupialis. "Esses animais não possuem gandulas pigidiais que esguicham líquido com feromônios e que exalam cheiro ruim," esclarece Arif. O especialista explica que esse mecanismo de defesa é comum apenas ao cangambá, espécie encontrada normalmente na América do Norte, que não faz parte da família de marsupiais.

O gambá comum, no entanto, não oferece nenhum risco aos seres humanos. "Eles são animais lentos, não possuem veneno e a mordida dele não é agressiva", conclui Arif. Além disso, o animal possui grande importância para a manutenção do ecossistema por ser um ótimo dispersor.

"Maltratar ou matar gambás, ou qualquer outro animal silvestre é crime ambiental", finaliza o capitão Daleck. A pena para essa prática prevê detenção de seis meses a um ano e multa.


Fonte: https://www.diariodaregiao.com.br/

Orientações sobre cuidados com escorpiões

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Mais de 500 cidades têm risco de surto de doenças causadas pelo Aedes


Pelo menos 504 municípios brasileiros registram alto índice de infestação pelo Aedes aegypti e apresentam risco de surto para doenças transmitidas pelo vetor – incluindo dengue, zika e chikungunya.

Dados divulgados hoje (12) pelo Ministério da Saúde revelam que, das 5.358 cidades que realizam algum tipo de monitoramento do mosquito, 1.881 estão em situação de alerta, enquanto 2.628 apresentam índices considerados satisfatórios.


Capitais

O mapa da dengue, como é chamado o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), mostra que, das 27 capitais em todo o país, Palmas (TO), Boa Vista (RR), Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC) estão em risco de surto não apenas de dengue, mas também de zika e chikungunya.

Outras 12 capitais, de acordo com o estudo, registram situação de alerta: Manaus (AM), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), São Luís (MA), Belém (PA), Vitória (ES), Salvador (BA), Porto Velho (RO), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS).

Já Curitiba (PR), Teresina (PI), João Pessoa (PB), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Macapá (AP), Maceió (AL), Fortaleza (CE) e Aracaju (SE) têm índices considerados satisfatórios. Natal (RN) e Porto Alegre (RS) fizeram a coleta de dados por armadilha – metodologia utilizada quando a infestação pelo mosquito é muito baixa ou inexistente.

Criadouros

Além de identificar onde estão concentrados os focos do mosquito em cada município, o levantamento revela quais os principais tipos de criadouros por região. No Nordeste, por exemplo, o armazenamento de água no nível do solo (doméstico), como tonel, barril e tina, foi o principal tipo identificado.

No Sudeste, o maior número de depósitos encontrados foi em domicílio, caracterizados por vasos e frascos com água e pratos e garrafas retornáveis. Já nas regiões Centro-Oeste, Norte e Sul, predominou o lixo, como recipientes plásticos, garrafas PET, latas, sucatas e entulhos de construção.

Dengue

Dados do ministério apontam que, até 3 de dezembro, foram notificados 241.664 casos de dengue em todo o país – um pequeno aumento em relação ao mesmo período de 2017 (232.372 casos). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 115,9 casos para cada 100 mil habitantes.

Em relação ao número de óbitos causados pela doença, a queda é de 19,3% quando comparado ao mesmo período do ano anterior, passando de 176 mortes em 2017 para 142 neste ano.

Chikungunya

No mesmo período, foram notificados 84.294 casos de chikungunya no Brasil – uma redução de 54% em relação ao mesmo período de 2017 (184.344 casos). A taxa de incidência da doença é de 40,4 casos para cada 100 mil habitantes.

Em relação ao número de óbitos, a queda é de 81,6% quando comparado ao mesmo período do ano anterior, passando de 191 mortes em 2017 para 35 neste ano.

Zika

Os números mostram ainda que, até 3 de dezembro, foram notificados 8.024 casos de zika em todo o país – uma redução de 53% em relação ao mesmo período de 2017 (17.025 casos). A taxa de incidência é de 3,8 casos para cada 100 mil habitantes.

Este ano, foram registrados quatro óbitos causados pelo vírus Zika.


Publicado em 12/12/2018 - 17:30 Por Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil  Brasília

Edição: Lílian Beraldo
 Tags: AEDES AEGYPTI ZIKA DENGUE CHIKUNGUNYA MINISTÉRIO DA SAÚDE

Fiocruz alerta sobre possível epidemia de chikungunya em 2019, no Rio


O Rio de Janeiro pode enfrentar uma epidemia de chikungunya neste verão. Esse é o alerta feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e demais órgãos municipais e estaduais de saúde. De janeiro até outubro deste ano, já foram registrados cerca de 37 mil casos da doença no estado, no mesmo período de 2017 foram notificadas apenas 4.425 ocorrências.

Para o coordenador de Vigilância e Saúde do laboratório de referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, o aumento de casos de chikungunya representa um desafio para o estado do Rio, que vem enfrentando dificuldades políticas e econômicas.


Além da chikungunya o Aedes aegypt transmite a dengue, zika e febre amarela Arquivo Agência Brasil
“Estamos falando de uma doença relativamente nova no Brasil e também no Rio de Janeiro. Boa parte dos profissionais de saúde formados há mais de cinco anos certamente não teve contato com informações relativas a chikungunya. Então, nós temos um desafio adicional que é capacitar esses profissionais de saúde de várias categorias que irão fazer o atendimento”, disse o coordenador.




Ele também explica que há uma preocupação com o aumento de casos de febre amarela durante o verão, já que a população do estado do Rio ainda não está devidamente vacinada. Neste ano, 268 casos já foram registrados.

“Estamos muito preocupados com a possibilidade de enfrentarmos, neste verão, os mesmos fatos que ocorreram com a febre amarela no mesmo período de 2017 para 2018. Por isso a Fundação Oswaldo Cruz, que é a fabricante da vacina contra febre amarela, faz o apelo para que a população não vacinada procure as unidades de saúde para se vacinar, que é a forma mais segura de evitar a doença”, explicou.

Prevenção

A chikungunya é uma doença viral, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, também vetor da dengue, zika e febre amarela. O subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe, explica que a Chikungunya pode ser prevenida, mas é importante estar atento aos sintomas. “É uma doença que se parece com a dengue. Ela atinge as articulações, juntas, e pode durar por semanas, meses e até anos”.

No Rio de Janeiro, o período de maior risco de transmissão é entre janeiro e maio. “A orientação é para a pessoa com febre súbita e elevada procure um posto de atenção à saúde para que seja feita avaliação. Os grupos de risco de chikungunya são: crianças e pessoas mais idosas, principalmente aquelas que têm doenças crônicas associadas”. completa Chieppe.

Para evitar a doença, a Secretaria de Saúde recomenda eliminar qualquer possibilidade de água parada e também investir em medidas de proteção pessoal, com o uso de repelente de forma regular.

O Rio de Janeiro vem se preparando há algum tempo, desde as epidemias de dengue. Hoje, no estado do Rio de Janeiro, todas as secretarias municipais de saúde têm planos de contingência elaborados para dar assisitência ao aumento de casos. O desafio de uma epidemia de Chikungunya é enorme, mas, hoje, essas doenças, de certa forma, têm um plano de ação preparado”, acrescenta o subsecretário.  

*Estagiária sob supervisão de Mario Toledo.

Publicado em 12/12/2018 - 16:16 Por Jéssica Antunes* - Estagiária da Agência Brasil  Rio de Janeiro

Edição: Valéria Aguiar

Pragas Urbanas entrevista na Gazeta

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Pesquisadores brasileiros criam pomada contra picada letal de aranha


Cientistas do Instituto Butantan estão desenvolvendo uma pomada para tratar a picada da aranha-marrom, que pode causar necrose da pele, falência renal e até a morte dessas vítimas.

Por BBC

Rafael Marques Porto/via BBC

Ela é pequena, com um tamanho que varia de 0,6mm a 2cm, mas pode causar um estrago considerável. Todos os anos, a aranha-marrom (Loxosceles sp) pica cerca de 7 mil pessoas no Brasil — 7.441, em 2016, último dado disponível do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

O veneno dela pode causar necrose da pele, falência renal e até a morte das vítimas — seis, naquele ano.

Para diminuir esses problemas, cientistas do Instituto Butantan (IB) desenvolveram uma pomada, cujos efeitos curativos já foram comprovados em testes realizados em cultura celular e animais.




Segundo a pesquisadora do IB, Denise Tambourgi, principal responsável pelo trabalho, a pomada desenvolvida é feita à base de tetraciclina, substância conhecida e já usada como antibiótico. "Utilizamos numa concentração abaixo da que seria microbicida, no entanto", explica.

"Ou seja, menor do que a necessária para ser considerado antibiótico. Mas a empregamos em uma dosagem capaz de interferir na atividade da esfingomielinase D, proteína que é o componente principal do veneno da aranha e que está envolvida no processo de inflamação e de destruição do tecido (necrose) e outros efeitos."

Além de lesão cutânea — que ocorre em 80% dos casos e pode levar meses para ser curada —, a picada da Loxosceles também pode provocar, nos outros 20% das vítimas, efeitos sistêmicos, como hemólise (alteração, dissolução ou destruição dos glóbulos vermelhos do sangue), agregação plaquetária (que causa coágulos nos vasos sanguíneos, que dificultam ou impedem a circulação), inflamação e falência renal, que podem levar à morte.

Origem da pomada

A história das pesquisas de Denise que levaram à criação da pomada é longa. Ela começou o trabalho para decifrar os principais componentes da toxina da aranha-marrom em 1994. Para isso, ela e sua equipe lançaram mão da engenharia genética.

Como cada Loxosceles produz muito pouco veneno — apenas cerca de 30 microgramas — seria muito difícil conseguir a quantidade necessária para os estudos. Então, os pesquisadores inseriram um gene dela na bactéria Escherichia coli, criando assim uma biofábrica da esfingomielinase D, passando a produzi-la em volume suficiente para as pesquisas.

Ao longo do trabalho, Denise e sua equipem descobriram que o veneno da aranha-marrom pode causar, além de efeitos já conhecidos, reações secundárias, que são desencadeadas principalmente pela proteína esfingomielinase D.


O estudo decifrou o mecanismo de ação do veneno lançado pela aranha-marrom e também a forma sistêmica e cutânea da doença. — 



Foto: Rafael Marques Porto/via BBC 

O estudo decifrou o mecanismo de ação do veneno lançado pela aranha-marrom e também a forma sistêmica e cutânea da doença. — 
"Costumo dizer que o veneno só dá o 'start' e a proteína altera as células", explica. "Depois, ocorre uma desregulação do organismo, que leva à produção de proteases — enzimas cuja função é quebrar as ligações químicas de outras proteínas, o que, por sua vez, causa a morte celular e a necrose. São essas proteases, portanto, que devem ser inibidas pela pomada."

Resumindo, o estudo coordenado por Denise decifrou o mecanismo de ação do veneno lançado pela aranha-marrom e também a forma sistêmica e cutânea da doença.

Testando o antídoto na pele


Os primeiros testes, realizados em cultura de células de pele humana, mais especificamente queratinócitos e fibroblastos, e em animais começaram a ser feitos em 2005 e se estenderam até agosto de 2018.

"Realizamos vários experimentos, aplicando o veneno da aranha-marrom nas culturas", explica Denise. "Como esperávamos, as células morriam. Depois, as expomos à toxina e à tetraciclina, em várias dosagens, ao mesmo tempo. Constatamos, então, que o veneno não era mais capaz de matar as células."

Os pesquisadores passaram, então, para o passo seguinte do trabalho, que foi o teste em animais. "Os coelhos foram escolhidos por serem um bom modelo para o estudo da necrose de pele causada pela toxina da Loxosceles", explica Denise. "A lesão deste animal é parecida com a que se forma no ser humano. Injetamos o veneno na pele deles e depois de algumas horas começamos a tratá-los com uma pomada que continha tetraciclina e lanolina. Esta última entrou na composição porque é capaz de levar a droga para as camadas mais profundas da pele."


Os resultados foram animadores. Nos coelhos tratados com tetraciclina, a lesão regrediu rapidamente. "A pomada reduziu o tamanho da lesão em cerca de 80%", conta Denise. "Diante desses resultados, partimos para os testes clínicos em seres humanos."

Como a tetraciclina é uma droga já testada para várias infecções e, por isso, usada comercialmente, não é necessário passar pelas várias fases de ensaios exigidos pelos protocolos de pesquisa para a liberação de medicamentos. Ela pode ser testada diretamente em humanos. "Na verdade, estamos apenas dando uma nova aplicação a esta substância", diz a pesquisadora.

Essa fase começou em outubro. Serão tratados no total 240 pacientes, 120 com a pomada e 120 com placebo, de 61 hospitais de Santa Catarina, estado onde ocorre o maior número de picadas e no qual Denise tem várias parcerias, inclusive com a Universidade Federal de lá (UFSC), além de médicos, enfermeiros e profissionais da área de farmácia e de saúde. Até o momento, 20 pacientes já estão sendo tratados.

Aqueles que recebem placebo não ficarão sem tratamento. Eles receberão o que é usado hoje para a picada, que é o soro específico antiveneno da aranha-marrom ou um inespecífico, contra toxinas de aracnídeos em geral. As picadas também podem ser tratadas com medicamentos chamados corticosteróides, mais conhecidos com corticóides.

Se os resultados dos testes clínicos forem os esperados, a pomada poderá chegar às farmácias. Mas não há prazo para isso. Depois de aprovada nos ensaios, ela ainda precisa ser liberada para uso em uso em humanos e comercialização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Se e quando isso ocorrer, seu mercado poderá ser maior que apenas o do Brasil.

Além de acidentes com Loxosceles nas Américas do Sul, Central e do Norte, nos últimos anos, ocorreram também picadas na Europa, com relatos de casos em países como Espanha, França, Portugal e Itália — este chegou a registrar um caso de morte.


INSTITUTO BUTANTAN

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Bióloga da USP é premiada na área de ciência pela revista “Claudia”


Linha de pesquisa investiga alteração genética em mosquitos para criar linhagem que não transmite doenças

Por Redação - Editorias: Atualidades, Rádio USP, Jornal da USP no Ar - URL Curta: jornal.usp.br/?p=205502

Professora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP é premiada pela revista Claudia na categoria Ciências, que promove o trabalho de cientistas no País. O prêmio, concedido por indicação, homenageia mulheres sul-americanas de destaque na área. O Jornal da USP no Ar conversou com a doutora Margareth Capurro, ganhadora do prêmio, bióloga responsável pelo Laboratório de Mosquitos Geneticamente Modificados do ICB da USP, sobre sua linha de pesquisa.

A professora classifica o prêmio como de extrema importância, pois incentiva mulheres cientistas, reconhecendo suas carreiras e resultados de estudos. Sobre o papel das mulheres na ciência, Margateth Capurro afirma que sempre tiveram participação ativa na academia, porém precisam enfrentar uma gama de homens com títulos mais importantes dentro da área.


A linha de pesquisa da bióloga investiga formas de combate do mosquito Aedes aegypti, causador de doenças como dengue, febre amarela urbana, zika e chikungunya. A primeira linha de estudo, já em fase de produção e testes, visa a desenvolver mosquitos estéreis a partir de modificações genéticas. A especialista explica que a liberação desses mosquitos transgênicos, dentro de um controle integrado, possibilita a redução de sua população. Antes, a esterilização era feita com radiação, o que gerava receios por conta da contaminação. Com a técnica genética, Margareth garante  eficácia e segurança.

Outro estudo relacionado à transgenia,  ainda não completo e em investigação por cerca de 20 anos, permite a criação de um modelo suicida, em que o mosquito morre quando contaminado com o vírus da doença. Dessa forma, segundo Margareth, a transmissão seria bloqueada e a convivência com o ser humano não seria prejudicial. A pesquisa foi financiada pela Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à Organização das Nações Unidas, por isso sua distribuição será gratuita entre os países membros. A especialista completa ao dizer que o Aedes aegypti pode e deve ser combatido.

Biólogo conquista admiradores de aranhas e insetos com suas fotos

Os registros são feitos para provocar a consciência e a simpatia com os animais.
Por *Gabriela Brumatti, Terra da Gente

Portal G1 - Campinas




O colorido das espécies também impressiona nas imagens — 
Foto: João Paulo Burini / VC no TG 

Você tem medo de aranhas? Tenta evitar os insetos? Quem sabe essas fotos provoquem outro tipo de sentimento em você: o de fascinação.

O biólogo João Paulo Burini, de 28 anos, vive em Sorocaba, no Interior de São Paulo, mas desde criança iniciou sua interação com o universo animal. “Com uns 6 ou 7 anos meus pais se mudaram pra uma casa com quintal e eu sempre tinha aranhas ‘de estimação’ porque gostava de ver o comportamento delas”, conta o rapaz.










Papa-moscas vermelha e azul foi flagrada em Tapiraí (SP) — Foto: João Paulo Burini / VC no TG 

As aranhas são, para ele, um grupo discriminado, pois normalmente só se escuta falar de seu interesse médico ou de serem de um grupo potencialmente perigoso. Ao contrário de se tornarem uma ameaça para os humanos, nesses casos, a população passa a atacar essas espécies.

Por conta disso, João Paulo tomou para si o propósito de mudar a visão das pessoas sobre alguns insetos e aracnídeos. Com a formação em biologia, a fotografia se tornou uma aliada de pesquisa, capaz de auxiliá-lo a atingir uma nova experiência.



Besouro eumolpineo foi fotografado na chuva  — Foto: João Paulo Burini / VC no TG 


A partir de uma técnica inventada de inverter a lente da câmera, conseguiu registrar detalhes impressionantes. Em viagens pela Serra do Mar, nas proximidades da cidade onde vive, encontrou os destinos certos na busca pelos pequenos animais.

“Pouca gente sabe que mais da metade de espécies dos animais no mundo são insetos. Eu acho horrível que falte conhecimento sobre essa diversidade deles”, explica João Paulo. Além disso, o desinteresse faz com que as pessoas acabem com certos indivíduos.











As partículas tornam-se detalhes na mariposa — Foto: João Paulo Burini / VC no TG 


Através da divulgação de fotos diferenciadas, João busca diminuir os medos das pessoas com relação aos animais e até suscitar novas interpretações. “Sempre costumam aparecer comentários como ‘que fofinha!’, que não vejo em outros tipos de aranhas ou insetos. Dá sempre uma renovada na esperança”, afirma o biólogo.










Fotos que simpatizam inspiram o biólogo — Foto: João Paulo Burini / VC no TG 

Fonte G1