CONTROLE INTEGRADO DE PRAGAS
UMA SOLUÇÃO PARA O MEIO AMBIENTE E PARA A SEGURANÇA
Em 1962, Rachel Carson, uma bióloga marinha norte americana publicava o seu livro SILENT SPRING (PRIMAVERA SILENCIOSA), nos Estados Unidos. Após essa publicação, uma grande comoção tomou conta do povo norte americano, que passou a ler e discutir, pela primeira vez, na sua história, as questões ambientalistas, o uso indiscriminado de pesticidas, o risco a que as pessoas estão expostas constantemente ao abusar destes produtos.
Dois anos mais tarde, por ironia do destino, ou, simplesmente, porque a sua missão já estava encerrada, Rachel Carson morre, de câncer. Mas o seu legado para a sociedade foi único e fundamental. Suas denúncias de agressões ao meio ambiente bem como das substâncias tóxicas que estavam sendo incorporadas à cadeia alimentar e chegando à mesa de milhões de norte americanos provocaram uma onda de debates e discussões em todas as escolas, universidades e grupos sociais do país.
A Bióloga Rachel Carson foi uma das estimuladoras da criação da EPA (Environmental Protection Agency) (Agência de Proteção ao Meio Ambiente) que veio a ser fundada em 1970. A EPA tornou-se um organismo da maior importância nos Estados Unidos e no mundo, regulando, normatizando, fiscalizando todas as ações, produtos, equipamentos, que pudessem de alguma forma interferir negativamente nas pessoas e no meio ambiente.
O uso de pesticidas é uma atividade legalmente estabelecida nos Estados Unidos, Europa e na maioria dos países. A NPMA (National Pest Management Association) foi fundada por volta de 1935 e atualmente reúne mais de 4.600 empresas nos Estados Unidos e outras 300 empresas sediadas em cerca de 70 países, incluindo o Brasil.
Se cada uma das empresas empregar 10 pessoas que estarão utilizando praguicidas, o que é uma estimativa bem inferior à realidade, podemos supor que há cerca de 50.000 aplicadores no mundo utilizando diariamente, nas estruturas urbanas, piretróides, organofosforados e outros grupos químicos.
No Brasil não há nenhuma estimativa a respeito já que, infelizmente, apesar da nova legislação introduzida no ano de 2000, ainda há uma grande quantidade de “empresas” sem qualquer tipo de registro, sem receberem acompanhamento periódico das equipes de Vigilância Sanitária. Existe uma estimativa de termos no Estado de São Paulo cerca de 3.500 empresas em funcionamento, legalizadas e não legalizadas. Estima-se que somente 10% dessas estejam legalizadas frente à Autoridade Sanitária. Se considerarmos uma média de 5 aplicadores em cada empresa teremos 17.500 aplicadores liberando todo tipo de pesticida de uso profissional nos ambientes urbanos diariamente. Os 90% não legalizados certamente não investem em treinamento, em procedimentos ou qualquer outra ferramenta que garanta a segurança das aplicações e suas atividades expõem a população urbana a malefícios que vão desde intoxicações até acidentes envolvendo bens materiais e pessoas.
Nesta estimativa não estamos considerando o que se consome no mundo em agrotóxicos para garantir alimentação, vestuário e outras commodities importantes para a economia. Se ainda considerarmos o consumo de praguicidas domésticos, podemos concluir que estamos ainda muito dependentes das práticas de combate químico, em detrimento das práticas preventivas.
A primeira reação de uma pessoa ao se deparar com animal pestilento (barata, rato) é eliminá-lo, o mais rápido e eficazmente possível. O que é compreensível. No entanto, é importante considerarmos também que somos provedores e estimuladores destes animais e, portanto, não é suficiente obtermos armas cada vez mais poderosas para exterminá-los. Não precisamos aprender a conviver com eles, mas precisamos controlar a sua presença de uma forma mais perene, mais racional, mais inteligente e mais duradoura, com maior segurança para as pessoas, animais e meio ambiente.
Constantemente recebo emails de pessoas que me narram episódios de horror envolvendo encontros noturnos com ratos que saem de bacias sanitárias, ou com baratas que saem de ralos de escoamento de água. Geralmente, estas pessoas estão muito assustadas e indignadas e querem resolver o seu problema com algum veneno possante. Se falamos para elas que o problema pode ser contornado de outra forma, mais amena, utilizando barreiras físicas, muitas vezes somos mal interpretados.
A CVS nº 9 define o Controle Integrado de Pragas como “um sistema que incorpora ações preventivas e corretivas destinadas a impedir que vetores e as pragas ambientais possam gerar problemas significativos. Visa minimizar o uso abusivo e indiscriminado de praguicidas. É uma seleção de métodos de controle e o desenvolvimento de critérios que garantam resultados favoráveis sob o ponto de vista higiênico, ecológico e econômico.”
Esse discurso não significa uma apologia à abolição de produtos químicos, já que existem ocasiões em que a sua utilização se faz necessária, especialmente na presença de grandes infestações. O que se propõe é uma mudança de ótica , de visão da questão, buscando opções que proporcionem não somente a redução das infestações mas , também, a busca de
O Controle Integrado de Pragas é uma prática que pode ser adotada por qualquer empresa ou indivíduo e deve ser a opção escolhida na solução dos problemas com pragas urbanas.
Lucia Schuller
Bióloga