sábado, 15 de dezembro de 2018

INTOLERÂNCIA Predadores do escorpião, gambás correm risco em Rio Preto


Apesar de ser um predador natural de pragas, animal é frequentemente perseguido; o motivo, segundo as autoridades, é a aparência pouco amigável

Colaboração Leitor Morador 'adota' família de gambás em Rio Preto



Morador 'adota' família de gambás em Rio Preto

A aparência deles pode não ser a das mais atraentes, o que faz com que sua popularidade seja bem inferior à do primo distante, o coala. Mesmo sendo considerados por muitos como visitas indesejadas, os gambás não oferecem nenhum risco à população e ainda possuem importante função: eles são excelentes eliminadores de pragas, como o escorpião.

Como muitos outros animais, os gambás são mais fofos quando são filhotes. No entanto, os adultos dificilmente conseguem cativar a afetividade das pessoas, já que para muitos se parecem com ratos gigantes. E, nos últimos anos, o surgimento deles têm aumentado em Rio Preto. Os motivos são dois: a invasão humana do habitat e a busca por alimentos.

No bairro São Francisco, um morador virou cuidador de uma família de gambás que passou a morar no tronco de uma árvore, em frente a casa dele. A fêmea teve cinco filhotes recentemente. "Meu medo é judiarem do animal pelo que ele é e pela aparência", contou o funcionário público Marcelo Gallo. Além disso, ele tem o receio de que o bicho seja atropelado, já que escolheu morar em uma rua bastante movimentada.

O capitão da Polícia Ambiental de Rio Preto Alessandro Daleck, tranquiliza: "Os gambás são animais espertos, eles não se colocam em perigo facilmente". Nos últimos anos, o número da aparição de gambás cresceu na cidade. "Isso é um bom sinal, pois demonstra que a população está aumentando", diz Daleck.  Mesmo assim, em alguns casos eles acabam se machucando. Somente neste ano, o zoológico municipal de Rio Preto recebeu 17 gambás.

O número representa mais da metade dos mamíferos resgatados no ano. "Esse número pode ser infinitamente maior", conta o biólogo do Zoológico, Samuel Villanova. No local, a equipe recebe gambás órfãos, vítimas de atropelamento e com traumas, que podem ser pauladas. Os filhotes que são resgatados ficam em tratamento até terem condições de sobreviverem na natureza. Normalmente, eles são são devolvidos ao habitat natural quando atingem 70 dias de vida.

Geralmente, o gambá invade residências em busca de comida ou a procura de local seguro para fazer ninhos, como forros. Não é recomendável acuar o animal. O ideal é deixar ele passar até que encontre um caminho para fugir. Para evitar esse tipo de surpresa, a recomendação é não se aproximar, vedar aberturas, entre o telhado, acondicionar o lixo corretamente e retirar sobras de rações.

Alimentação

Os gambás são animais onívoros, ou seja, comem de tudo. Eles se alimentam frutas, pequenos insetos e de aracnídeos, explica o biólogo e professor da Unesp, Arif Cais. "Os gambás têm hábitos noturnos, normalmente vivem em árvores e comem de tudo, inclusive escorpiões, aranhas e lagartixas."

A espécie presente da região de Rio Preto é a de orelha branca, da família Didelphis marsupialis. "Esses animais não possuem gandulas pigidiais que esguicham líquido com feromônios e que exalam cheiro ruim," esclarece Arif. O especialista explica que esse mecanismo de defesa é comum apenas ao cangambá, espécie encontrada normalmente na América do Norte, que não faz parte da família de marsupiais.

O gambá comum, no entanto, não oferece nenhum risco aos seres humanos. "Eles são animais lentos, não possuem veneno e a mordida dele não é agressiva", conclui Arif. Além disso, o animal possui grande importância para a manutenção do ecossistema por ser um ótimo dispersor.

"Maltratar ou matar gambás, ou qualquer outro animal silvestre é crime ambiental", finaliza o capitão Daleck. A pena para essa prática prevê detenção de seis meses a um ano e multa.


Fonte: https://www.diariodaregiao.com.br/

Orientações sobre cuidados com escorpiões

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Mais de 500 cidades têm risco de surto de doenças causadas pelo Aedes


Pelo menos 504 municípios brasileiros registram alto índice de infestação pelo Aedes aegypti e apresentam risco de surto para doenças transmitidas pelo vetor – incluindo dengue, zika e chikungunya.

Dados divulgados hoje (12) pelo Ministério da Saúde revelam que, das 5.358 cidades que realizam algum tipo de monitoramento do mosquito, 1.881 estão em situação de alerta, enquanto 2.628 apresentam índices considerados satisfatórios.


Capitais

O mapa da dengue, como é chamado o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), mostra que, das 27 capitais em todo o país, Palmas (TO), Boa Vista (RR), Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC) estão em risco de surto não apenas de dengue, mas também de zika e chikungunya.

Outras 12 capitais, de acordo com o estudo, registram situação de alerta: Manaus (AM), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), São Luís (MA), Belém (PA), Vitória (ES), Salvador (BA), Porto Velho (RO), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS).

Já Curitiba (PR), Teresina (PI), João Pessoa (PB), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Macapá (AP), Maceió (AL), Fortaleza (CE) e Aracaju (SE) têm índices considerados satisfatórios. Natal (RN) e Porto Alegre (RS) fizeram a coleta de dados por armadilha – metodologia utilizada quando a infestação pelo mosquito é muito baixa ou inexistente.

Criadouros

Além de identificar onde estão concentrados os focos do mosquito em cada município, o levantamento revela quais os principais tipos de criadouros por região. No Nordeste, por exemplo, o armazenamento de água no nível do solo (doméstico), como tonel, barril e tina, foi o principal tipo identificado.

No Sudeste, o maior número de depósitos encontrados foi em domicílio, caracterizados por vasos e frascos com água e pratos e garrafas retornáveis. Já nas regiões Centro-Oeste, Norte e Sul, predominou o lixo, como recipientes plásticos, garrafas PET, latas, sucatas e entulhos de construção.

Dengue

Dados do ministério apontam que, até 3 de dezembro, foram notificados 241.664 casos de dengue em todo o país – um pequeno aumento em relação ao mesmo período de 2017 (232.372 casos). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 115,9 casos para cada 100 mil habitantes.

Em relação ao número de óbitos causados pela doença, a queda é de 19,3% quando comparado ao mesmo período do ano anterior, passando de 176 mortes em 2017 para 142 neste ano.

Chikungunya

No mesmo período, foram notificados 84.294 casos de chikungunya no Brasil – uma redução de 54% em relação ao mesmo período de 2017 (184.344 casos). A taxa de incidência da doença é de 40,4 casos para cada 100 mil habitantes.

Em relação ao número de óbitos, a queda é de 81,6% quando comparado ao mesmo período do ano anterior, passando de 191 mortes em 2017 para 35 neste ano.

Zika

Os números mostram ainda que, até 3 de dezembro, foram notificados 8.024 casos de zika em todo o país – uma redução de 53% em relação ao mesmo período de 2017 (17.025 casos). A taxa de incidência é de 3,8 casos para cada 100 mil habitantes.

Este ano, foram registrados quatro óbitos causados pelo vírus Zika.


Publicado em 12/12/2018 - 17:30 Por Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil  Brasília

Edição: Lílian Beraldo
 Tags: AEDES AEGYPTI ZIKA DENGUE CHIKUNGUNYA MINISTÉRIO DA SAÚDE

Fiocruz alerta sobre possível epidemia de chikungunya em 2019, no Rio


O Rio de Janeiro pode enfrentar uma epidemia de chikungunya neste verão. Esse é o alerta feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e demais órgãos municipais e estaduais de saúde. De janeiro até outubro deste ano, já foram registrados cerca de 37 mil casos da doença no estado, no mesmo período de 2017 foram notificadas apenas 4.425 ocorrências.

Para o coordenador de Vigilância e Saúde do laboratório de referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, o aumento de casos de chikungunya representa um desafio para o estado do Rio, que vem enfrentando dificuldades políticas e econômicas.


Além da chikungunya o Aedes aegypt transmite a dengue, zika e febre amarela Arquivo Agência Brasil
“Estamos falando de uma doença relativamente nova no Brasil e também no Rio de Janeiro. Boa parte dos profissionais de saúde formados há mais de cinco anos certamente não teve contato com informações relativas a chikungunya. Então, nós temos um desafio adicional que é capacitar esses profissionais de saúde de várias categorias que irão fazer o atendimento”, disse o coordenador.




Ele também explica que há uma preocupação com o aumento de casos de febre amarela durante o verão, já que a população do estado do Rio ainda não está devidamente vacinada. Neste ano, 268 casos já foram registrados.

“Estamos muito preocupados com a possibilidade de enfrentarmos, neste verão, os mesmos fatos que ocorreram com a febre amarela no mesmo período de 2017 para 2018. Por isso a Fundação Oswaldo Cruz, que é a fabricante da vacina contra febre amarela, faz o apelo para que a população não vacinada procure as unidades de saúde para se vacinar, que é a forma mais segura de evitar a doença”, explicou.

Prevenção

A chikungunya é uma doença viral, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, também vetor da dengue, zika e febre amarela. O subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe, explica que a Chikungunya pode ser prevenida, mas é importante estar atento aos sintomas. “É uma doença que se parece com a dengue. Ela atinge as articulações, juntas, e pode durar por semanas, meses e até anos”.

No Rio de Janeiro, o período de maior risco de transmissão é entre janeiro e maio. “A orientação é para a pessoa com febre súbita e elevada procure um posto de atenção à saúde para que seja feita avaliação. Os grupos de risco de chikungunya são: crianças e pessoas mais idosas, principalmente aquelas que têm doenças crônicas associadas”. completa Chieppe.

Para evitar a doença, a Secretaria de Saúde recomenda eliminar qualquer possibilidade de água parada e também investir em medidas de proteção pessoal, com o uso de repelente de forma regular.

O Rio de Janeiro vem se preparando há algum tempo, desde as epidemias de dengue. Hoje, no estado do Rio de Janeiro, todas as secretarias municipais de saúde têm planos de contingência elaborados para dar assisitência ao aumento de casos. O desafio de uma epidemia de Chikungunya é enorme, mas, hoje, essas doenças, de certa forma, têm um plano de ação preparado”, acrescenta o subsecretário.  

*Estagiária sob supervisão de Mario Toledo.

Publicado em 12/12/2018 - 16:16 Por Jéssica Antunes* - Estagiária da Agência Brasil  Rio de Janeiro

Edição: Valéria Aguiar

Pragas Urbanas entrevista na Gazeta

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Pesquisadores brasileiros criam pomada contra picada letal de aranha


Cientistas do Instituto Butantan estão desenvolvendo uma pomada para tratar a picada da aranha-marrom, que pode causar necrose da pele, falência renal e até a morte dessas vítimas.

Por BBC

Rafael Marques Porto/via BBC

Ela é pequena, com um tamanho que varia de 0,6mm a 2cm, mas pode causar um estrago considerável. Todos os anos, a aranha-marrom (Loxosceles sp) pica cerca de 7 mil pessoas no Brasil — 7.441, em 2016, último dado disponível do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

O veneno dela pode causar necrose da pele, falência renal e até a morte das vítimas — seis, naquele ano.

Para diminuir esses problemas, cientistas do Instituto Butantan (IB) desenvolveram uma pomada, cujos efeitos curativos já foram comprovados em testes realizados em cultura celular e animais.




Segundo a pesquisadora do IB, Denise Tambourgi, principal responsável pelo trabalho, a pomada desenvolvida é feita à base de tetraciclina, substância conhecida e já usada como antibiótico. "Utilizamos numa concentração abaixo da que seria microbicida, no entanto", explica.

"Ou seja, menor do que a necessária para ser considerado antibiótico. Mas a empregamos em uma dosagem capaz de interferir na atividade da esfingomielinase D, proteína que é o componente principal do veneno da aranha e que está envolvida no processo de inflamação e de destruição do tecido (necrose) e outros efeitos."

Além de lesão cutânea — que ocorre em 80% dos casos e pode levar meses para ser curada —, a picada da Loxosceles também pode provocar, nos outros 20% das vítimas, efeitos sistêmicos, como hemólise (alteração, dissolução ou destruição dos glóbulos vermelhos do sangue), agregação plaquetária (que causa coágulos nos vasos sanguíneos, que dificultam ou impedem a circulação), inflamação e falência renal, que podem levar à morte.

Origem da pomada

A história das pesquisas de Denise que levaram à criação da pomada é longa. Ela começou o trabalho para decifrar os principais componentes da toxina da aranha-marrom em 1994. Para isso, ela e sua equipe lançaram mão da engenharia genética.

Como cada Loxosceles produz muito pouco veneno — apenas cerca de 30 microgramas — seria muito difícil conseguir a quantidade necessária para os estudos. Então, os pesquisadores inseriram um gene dela na bactéria Escherichia coli, criando assim uma biofábrica da esfingomielinase D, passando a produzi-la em volume suficiente para as pesquisas.

Ao longo do trabalho, Denise e sua equipem descobriram que o veneno da aranha-marrom pode causar, além de efeitos já conhecidos, reações secundárias, que são desencadeadas principalmente pela proteína esfingomielinase D.


O estudo decifrou o mecanismo de ação do veneno lançado pela aranha-marrom e também a forma sistêmica e cutânea da doença. — 



Foto: Rafael Marques Porto/via BBC 

O estudo decifrou o mecanismo de ação do veneno lançado pela aranha-marrom e também a forma sistêmica e cutânea da doença. — 
"Costumo dizer que o veneno só dá o 'start' e a proteína altera as células", explica. "Depois, ocorre uma desregulação do organismo, que leva à produção de proteases — enzimas cuja função é quebrar as ligações químicas de outras proteínas, o que, por sua vez, causa a morte celular e a necrose. São essas proteases, portanto, que devem ser inibidas pela pomada."

Resumindo, o estudo coordenado por Denise decifrou o mecanismo de ação do veneno lançado pela aranha-marrom e também a forma sistêmica e cutânea da doença.

Testando o antídoto na pele


Os primeiros testes, realizados em cultura de células de pele humana, mais especificamente queratinócitos e fibroblastos, e em animais começaram a ser feitos em 2005 e se estenderam até agosto de 2018.

"Realizamos vários experimentos, aplicando o veneno da aranha-marrom nas culturas", explica Denise. "Como esperávamos, as células morriam. Depois, as expomos à toxina e à tetraciclina, em várias dosagens, ao mesmo tempo. Constatamos, então, que o veneno não era mais capaz de matar as células."

Os pesquisadores passaram, então, para o passo seguinte do trabalho, que foi o teste em animais. "Os coelhos foram escolhidos por serem um bom modelo para o estudo da necrose de pele causada pela toxina da Loxosceles", explica Denise. "A lesão deste animal é parecida com a que se forma no ser humano. Injetamos o veneno na pele deles e depois de algumas horas começamos a tratá-los com uma pomada que continha tetraciclina e lanolina. Esta última entrou na composição porque é capaz de levar a droga para as camadas mais profundas da pele."


Os resultados foram animadores. Nos coelhos tratados com tetraciclina, a lesão regrediu rapidamente. "A pomada reduziu o tamanho da lesão em cerca de 80%", conta Denise. "Diante desses resultados, partimos para os testes clínicos em seres humanos."

Como a tetraciclina é uma droga já testada para várias infecções e, por isso, usada comercialmente, não é necessário passar pelas várias fases de ensaios exigidos pelos protocolos de pesquisa para a liberação de medicamentos. Ela pode ser testada diretamente em humanos. "Na verdade, estamos apenas dando uma nova aplicação a esta substância", diz a pesquisadora.

Essa fase começou em outubro. Serão tratados no total 240 pacientes, 120 com a pomada e 120 com placebo, de 61 hospitais de Santa Catarina, estado onde ocorre o maior número de picadas e no qual Denise tem várias parcerias, inclusive com a Universidade Federal de lá (UFSC), além de médicos, enfermeiros e profissionais da área de farmácia e de saúde. Até o momento, 20 pacientes já estão sendo tratados.

Aqueles que recebem placebo não ficarão sem tratamento. Eles receberão o que é usado hoje para a picada, que é o soro específico antiveneno da aranha-marrom ou um inespecífico, contra toxinas de aracnídeos em geral. As picadas também podem ser tratadas com medicamentos chamados corticosteróides, mais conhecidos com corticóides.

Se os resultados dos testes clínicos forem os esperados, a pomada poderá chegar às farmácias. Mas não há prazo para isso. Depois de aprovada nos ensaios, ela ainda precisa ser liberada para uso em uso em humanos e comercialização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Se e quando isso ocorrer, seu mercado poderá ser maior que apenas o do Brasil.

Além de acidentes com Loxosceles nas Américas do Sul, Central e do Norte, nos últimos anos, ocorreram também picadas na Europa, com relatos de casos em países como Espanha, França, Portugal e Itália — este chegou a registrar um caso de morte.


INSTITUTO BUTANTAN

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Bióloga da USP é premiada na área de ciência pela revista “Claudia”


Linha de pesquisa investiga alteração genética em mosquitos para criar linhagem que não transmite doenças

Por Redação - Editorias: Atualidades, Rádio USP, Jornal da USP no Ar - URL Curta: jornal.usp.br/?p=205502

Professora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP é premiada pela revista Claudia na categoria Ciências, que promove o trabalho de cientistas no País. O prêmio, concedido por indicação, homenageia mulheres sul-americanas de destaque na área. O Jornal da USP no Ar conversou com a doutora Margareth Capurro, ganhadora do prêmio, bióloga responsável pelo Laboratório de Mosquitos Geneticamente Modificados do ICB da USP, sobre sua linha de pesquisa.

A professora classifica o prêmio como de extrema importância, pois incentiva mulheres cientistas, reconhecendo suas carreiras e resultados de estudos. Sobre o papel das mulheres na ciência, Margateth Capurro afirma que sempre tiveram participação ativa na academia, porém precisam enfrentar uma gama de homens com títulos mais importantes dentro da área.


A linha de pesquisa da bióloga investiga formas de combate do mosquito Aedes aegypti, causador de doenças como dengue, febre amarela urbana, zika e chikungunya. A primeira linha de estudo, já em fase de produção e testes, visa a desenvolver mosquitos estéreis a partir de modificações genéticas. A especialista explica que a liberação desses mosquitos transgênicos, dentro de um controle integrado, possibilita a redução de sua população. Antes, a esterilização era feita com radiação, o que gerava receios por conta da contaminação. Com a técnica genética, Margareth garante  eficácia e segurança.

Outro estudo relacionado à transgenia,  ainda não completo e em investigação por cerca de 20 anos, permite a criação de um modelo suicida, em que o mosquito morre quando contaminado com o vírus da doença. Dessa forma, segundo Margareth, a transmissão seria bloqueada e a convivência com o ser humano não seria prejudicial. A pesquisa foi financiada pela Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à Organização das Nações Unidas, por isso sua distribuição será gratuita entre os países membros. A especialista completa ao dizer que o Aedes aegypti pode e deve ser combatido.

Biólogo conquista admiradores de aranhas e insetos com suas fotos

Os registros são feitos para provocar a consciência e a simpatia com os animais.
Por *Gabriela Brumatti, Terra da Gente

Portal G1 - Campinas




O colorido das espécies também impressiona nas imagens — 
Foto: João Paulo Burini / VC no TG 

Você tem medo de aranhas? Tenta evitar os insetos? Quem sabe essas fotos provoquem outro tipo de sentimento em você: o de fascinação.

O biólogo João Paulo Burini, de 28 anos, vive em Sorocaba, no Interior de São Paulo, mas desde criança iniciou sua interação com o universo animal. “Com uns 6 ou 7 anos meus pais se mudaram pra uma casa com quintal e eu sempre tinha aranhas ‘de estimação’ porque gostava de ver o comportamento delas”, conta o rapaz.










Papa-moscas vermelha e azul foi flagrada em Tapiraí (SP) — Foto: João Paulo Burini / VC no TG 

As aranhas são, para ele, um grupo discriminado, pois normalmente só se escuta falar de seu interesse médico ou de serem de um grupo potencialmente perigoso. Ao contrário de se tornarem uma ameaça para os humanos, nesses casos, a população passa a atacar essas espécies.

Por conta disso, João Paulo tomou para si o propósito de mudar a visão das pessoas sobre alguns insetos e aracnídeos. Com a formação em biologia, a fotografia se tornou uma aliada de pesquisa, capaz de auxiliá-lo a atingir uma nova experiência.



Besouro eumolpineo foi fotografado na chuva  — Foto: João Paulo Burini / VC no TG 


A partir de uma técnica inventada de inverter a lente da câmera, conseguiu registrar detalhes impressionantes. Em viagens pela Serra do Mar, nas proximidades da cidade onde vive, encontrou os destinos certos na busca pelos pequenos animais.

“Pouca gente sabe que mais da metade de espécies dos animais no mundo são insetos. Eu acho horrível que falte conhecimento sobre essa diversidade deles”, explica João Paulo. Além disso, o desinteresse faz com que as pessoas acabem com certos indivíduos.











As partículas tornam-se detalhes na mariposa — Foto: João Paulo Burini / VC no TG 


Através da divulgação de fotos diferenciadas, João busca diminuir os medos das pessoas com relação aos animais e até suscitar novas interpretações. “Sempre costumam aparecer comentários como ‘que fofinha!’, que não vejo em outros tipos de aranhas ou insetos. Dá sempre uma renovada na esperança”, afirma o biólogo.










Fotos que simpatizam inspiram o biólogo — Foto: João Paulo Burini / VC no TG 

Fonte G1

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Estudo mostra como vírus transmitido por mosquito se replica na célula


O mecanismo de replicação do vírus oropouche, de ocorrência no Norte do País, tem semelhanças com o do HIV

Pesquisadores acreditam que a febre oropouche é uma doença subnotificada, sendo muitas vezes confundida com outras transmitidas por insetos no Norte do País. Apesar de ser considerada de baixa gravidade, ainda não se sabe quais as consequências da infecção para o sistema nervoso no longo prazo.
.
A febre oropouche é uma doença transmitida por mosquitos, de ocorrência em regiões como o Norte do Brasil, produzindo sintomas parecidos com os da dengue. Pesquisadores da USP descreveram pela primeira vez a estratégia usada pelo vírus oropouche para se replicar dentro de células humanas. Os resultados estão em artigo com colaboradores publicado na revista PLOS Pathogens.

Como mostra o estudo, logo após invadir a célula, o patógeno “sequestra” a organela conhecida como complexo de Golgi, que se transforma em uma verdadeira fábrica de vírus. Para isso, o oropouche recruta complexos proteicos da célula hospedeira chamados ESCRT (pronuncia-se “escort”), que têm a capacidade de deformar a membrana da organela, permitindo a entrada do genoma viral.

“Essa forma de sequestro do complexo de Golgi, por meio do uso de proteínas ESCRT, nunca havia sido demonstrado para nenhum outro vírus. É uma descoberta que aponta novos alvos a serem explorados na tentativa de barrar a infecção”, disse Natalia Barbosa, doutoranda na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e primeira autora do artigo. O trabalho é coordenado por Eurico Arruda e Luis L. P. da Silva, membros do Centro de Pesquisa em Virologia da FMRP e coautores do artigo.

De acordo com Silva, muito pouco é conhecido sobre os mecanismos de replicação dos vírus da família Peribunyaviridae, à qual pertence o oropouche.

“São patógenos importantes do ponto de vista da saúde pública. No Brasil, apenas o oropouche causa doenças, mas em outras regiões do mundo também são endêmicos o vírus da encefalite de La Crosse e o Crimeia-Congo, causador de febre hemorrágica. Há também membros dessa família que causam doenças em gado”, disse.

No caso do oropouche, os sintomas são parecidos com os da dengue: dores nas articulações, na cabeça e atrás dos olhos, além de febre aguda. A diferença é que em cerca de metade dos casos ocorre uma recidiva da doença após a melhora dos sintomas.

O vírus é transmitido por um mosquito de hábitos urbanos, o Culicoides paraensis, popularmente conhecido como borrachudo ou maruim. Estima-se em mais de meio milhão os casos de infecção por oropouche em surtos ocorridos em vilarejos e cidades da Amazônia, mas ele tem aparecido também em outras regiões do País, sendo considerado por especialistas um vírus emergente.

“Certamente essa doença é subnotificada, sendo muitas vezes confundida com outras arboviroses. É considerada de baixa gravidade, mas o preocupante é que ainda não sabemos quais as possíveis consequências da infecção para o sistema nervoso no longo prazo”, disse Silva.

Em experimentos in vitro, o grupo da FMRP observou que o vírus é capaz de infectar neurônios de camundongos e hamsters. Agora tentam reproduzir o experimento com células nervosas humanas.

“Aparentemente, o oropouche é capaz de infectar diversos tipos celulares, ou seja, consegue interagir com diferentes receptores encontrados na superfície das células humanas. Mas ainda não conhecemos quais são os receptores usados por nenhum membro da família Peribunyaviridae”, disse Silva.

.
Metodologia
Para desvendar os mecanismos de replicação do oropouche, os pesquisadores fizeram experimentos in vitro com uma linhagem de células HeLa, a mais antiga e a mais usada em laboratórios, derivadas de células de um tumor de colo de útero humano.

“Assim que as células são infectadas, o vírus começa a produzir proteínas que atraem os complexos ESCRT da hospedeira para a membrana externa do complexo de Golgi. Essas proteínas ESCRT então pressionam a membrana da organela em direção ao interior e levam consigo o genoma viral. Desse modo o vírus brota para dentro do complexo. O mais provável é que, após algum tempo, essa organela modificada e cheia de vírus acabe se fundindo com a membrana plasmática e liberando os patógenos para o meio extracelular”, disse Silva.

Era sabido que outros vírus são capazes de recrutar a maquinaria ESCRT para se replicar, entre eles o HIV. O patógeno causador da Aids usa essas proteínas para atravessar a membrana plasmática, que separa o meio intracelular do meio extracelular. “Mas esse mecanismo nunca havia sido descrito para a invasão do complexo de Golgi por vírus”, disse Silva.

Constituída por dobras de membranas e vesículas, essa organela tem como função primordial o processamento, armazenamento e distribuição de proteínas.

“Não sabemos ao certo qual é a consequência do sequestro do complexo de Golgi para a célula hospedeira. Mas cerca de 36 horas após serem infectadas as células HeLa morrem”, disse Silva.

Em estudo anterior, coordenado por Arruda, o grupo havia mostrado que o oropouche é capaz de produzir uma proteína – chamada NSs – que induz a célula hospedeira a entrar em um processo de morte programada conhecido como apoptose.

“Essa não é uma proteína que faz parte da estrutura do vírus e não sabemos qual é a vantagem para o patógeno em matar a célula hospedeira por apoptose, mas pode ser resultado de um mecanismo de defesa. A proteína NSs é isoladamente capaz de causar apoptose, e poderia vir a ser explorada, por exemplo, para matar células tumorais”, disse Arruda.

.
Possíveis alvos
Em um dos ensaios descritos no artigo da PLOS Pathogens, os pesquisadores manipularam células HeLa para elas não mais expressarem uma importante proteína do complexo ESCRT: a Tsg101. Para isso, usaram uma técnica conhecida como RNA de interferência, que consiste em inserir na célula uma pequena molécula de RNA que impede a expressão do gene de interesse.

“Essa intervenção tornou as células HeLa mais resistentes à infecção pelo oropouche. Elas demoram mais para morrer e ficam com uma carga viral bem mais baixa. Existem drogas experimentais que inibem a Tsg101 e vamos agora testar contra o oropouche”, disse Silva.

Por se tratar de uma proteína importante para o funcionamento da célula humana normal, ponderou Silva, talvez não seja possível usar no tratamento de pacientes drogas inibidoras de Tsg101 ou de outros membros do complexo ESCRT. O risco de efeitos adversos é alto.

“Mas é possível que exista uma molécula capaz de inibir a interação do vírus com a proteína humana sem barrar a atividade de Tsg101 na célula. É algo que ainda precisa ser estudado”, disse.

Outro objetivo do grupo é investigar quais são as proteínas produzidas pelo oropouche para recrutar o complexo ESCRT. “Elas também seriam potenciais alvos a serem explorados para barrar a infecção”, disse Silva.

O artigo ESCRT machinery components are required for Orthobunyavirus particle production in Golgi compartments, de Natalia S. Barbosa, Leila R. Mendonça, Marcos V. S. Dias, Marjorie C. Pontelli, Elaine Z. M. da Silva, Miria F. Criado, Mara E. da Silva-Januário, Michael Schindler, Maria C. Jamur, Constance Oliver, Eurico Arruda e Luis L. P. da Silva, pode ser lido em: http://journals.plos.org/plospathogens/article?id=10.1371/journal.ppat.1007047

Adaptado de Karina Toledo / Agência Fapesp

Por Redação - Editorias: Ciências Biológicas, Ciências da Saúde

fonte: www.jornalusp.br

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O que é Ser Biólogo, Concurso do CRBIO 1


Estudo identifica Amazônia como origem do mais recente surto de febre amarela no Brasil

















Um grupo de cientistas confirmou a origem do surto de febre amarela que, entre dezembro de 2016 e março de 2018, matou 676 pessoas no país e deixou mais de 2 mil doentes. O ponto de início da transmissão do vírus, de acordo com estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science, foi a região amazônica.

Surto recente de febre amarela foi caracterizado pela transmissão silvestre da doença, por insetos do gênero Haemagogus e Sabethes

"Demonstramos que a fonte da epidemia veio de isolado viral proveniente do Norte do Brasil. Também concluímos que o vírus chegou a Minas Gerais no início de 2016 e, dali, se espalhou dentro do Estado e para os Estados vizinhos a uma velocidade média de 4,25 km por dia", diz o biólogo Luiz Carlos Júnior Alcântara, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e um dos autores do levantamento.


Para ele, a explosão do número de casos da doença não foi consequência direta do grave acidente ambiental do rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais, em 2015 - umas das hipóteses com as quais trabalhavam.

"Os resultados apresentados não mostram nenhuma relação com o incidente da Samarco", afirmou Alcântara à BBC News Brasil.
















Origem
"Baseado em um novo método para analisar dados epidemiológicos e nos dados genéticos analisados em Minas Gerais, descobrimos que, apesar de ser o maior surto que o Brasil vivenciou em mais de 100 anos, ele foi caracterizado por uma transmissão silvestre, em que todos os casos em humanos eram, no fundo, resultado de uma picada de um mosquito silvestre que existe predominantemente em florestas e áreas rurais", resumiu Alcântara.


O vírus da febre amarela tem dois ciclos epidemiológicos. No silvestre, os macacos são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus - não por acaso, na época do auge do surto no Brasil, o maior em cem anos, foram dezenas de casos de macacos mortos encontrados em parques.

Neste caso, em regiões de mata, insetos - em geral dos gêneros Haemagogus e Sabethes - picam os primatas e eles podem transmitir a doença a seres humanos que vivam na região.

Já na cidade, o mais comum é que a transmissão ocorra pelo mosquito Aedes aegypti, conhecido por transmitir dengue e zika. Neste tipo de contaminação, o inseto passa o vírus de um humano para outro. O último surto de febre amarela urbana no Brasil aconteceu em 1942.














Macacos servem de hospedeiros do vírus da doença


Panorama
"A floresta amazônica é uma região 'reservatório', onde o vírus da febre amarela parece ter estabelecido um ciclo silvestre há algumas décadas. Os surtos de febre amarela acontecem em ciclos de 7 ou 14 anos, dependendo das regiões", explicou à BBC News Brasil o biólogo Nuno Rodrigues Faria, pesquisador da Universidade de Oxford e o coordenador do estudo.

"E o norte do Brasil muitas vezes parece ser a origem das novas linhagens virais que causam surtos em Minas Gerais (por exemplo, nos surtos de 1934 e de 2004). É possível que existam outras espécies de animais envolvidas, e se quisermos eliminar surtos futuros é essencial entender como é que o vírus consegue persistir na floresta amazônica entre períodos de silêncio epidemiológico."

Alcântara ressaltou que os casos de macacos infectados foram "mais dispersos" geograficamente do que os de humanos infectados. "O maior número de casos foram nas cidades de Teófilo Otoni (MG) e Manhuaçu (MG), que estão muito distantes (entre si)", pontua o pesquisador.














SCIENCE PHOTO LIBRARY / AGENTUR FOCUS
Image caption

Febre amarela urbana é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti; não há surtos desse tipo desde a década de 1940
O estudo demonstrou também que existiu associação temporal e espacial entre os casos em humanos e macacos - o que, segundo os pesquisadores, é característica da transmissão silvestre.

"Antes desta nossa atuação, só existiam 19 genomas do vírus da febre amarela detectados no Brasil. Em duas semanas, nós fizemos o sequenciamento de 50 genomas, utilizando um sequenciador menor que um celular. Desenvolvemos um protocolo para gerar estes genomas em tempo real, e fazendo vigilância genômica em curto espaço de tempo, útil para o Ministério da Saúde e para a Organização Mundial da Saúde."

Os pesquisadores também identificaram que a maior parte dos contaminados (85%) foram homens, mais um indício de que a transmissão tenha sido silvestre e não urbana. "Porque nas áreas rurais os homens têm maior atividade fora das casas em contato com áreas onde existem macacos e provavelmente os mosquitos transmissores", explicou Alcântara.

Essas descobertas, conforme acreditam os pesquisadores, poderão ajudar nas estratégicas de combate ao vírus da febre amarela, à medida que elas demonstram como ocorre a transmissão hoje em dia. Com o sequenciamento de DNA e uma intensa análise computacional, os cientistas conseguiram traçar a composição genética do vírus.

Além de identificar padrões etários - a maior parte dos afetados tinha entre 35 e 54 anos -, de gênero - 85% da incidência foi sobre homens - e a distribuição geográfica dos casos em humanos.

"O Brasil tem uma longa história de surtos de febre amarela e também uma forte linha de pesquisa sobre o vírus. Por exemplo, o país foi pioneiro na vacina extremamente eficaz contra febre amarela", ressaltou Faria.

"Os primeiros surtos conhecidos de febre amarela no Brasil são de 330 anos atrás, no Recife, em Pernambuco. Contudo, é a primeira vez que estudamos a origem e a dispersão do vírus durante o surto, recorrendo a dados genômicos gerados no país."

O surto recente
Devido à dimensão do surto recente, era grande a preocupação de que o vírus pudesse se espalhar pela transmissão urbana, o que não aconteceu. O último surto de febre amarela urbana no Brasil aconteceu na década de 1940.

"Embora houvesse condições para a transmissão urbana, felizmente esta não ocorreu", comentou o cientista Faria.

"Por meio da reconstrução da história evolutiva do vírus em humanos e em primatas não humanos, descobrimos que o surto emergiu em primatas não humanos em Minas Gerais no final de julho de 2016, vindo das regiões do norte ou centro-oeste do Brasil, possivelmente resultado do transporte de mosquitos infectados em caminhões ou até mesmo de tráfico ilegal de primatas não humanos", afirmou Alcântara.















Direito de imagemEPA
Image caption


Vacinação contra febre amarela não atingiu a meta de imunização da população-alvo
Se a transmissão fosse urbana, no entendimento de gestores de saúde pública, a epidemia poderia se configurar muito mais grave, sobretudo em megacidades como São Paulo e Rio.

Existe vacina contra a febre amarela, e a mesma já era aplicada no país. No início do surto, devido aos baixos estoques, a imunização em larga escala foi feita sobretudo em regiões endêmicas e provocou longas filas nos postos de saúde.

A oferta foi ampliada para todo o país, mas, passado o período crítico, a população foi deixando de procurar a vacina - São Paulo, por exemplo, imunizou apenas metade dos 9,2 milhões que faziam parte de sua população-alvo.

Para o professor de doenças infecciosas da Universidade de Oxford Oliver Pybus, o grande desafio é que o vírus da febre amarela vem em ondas. "Nunca poderemos eliminá-lo completamente", pontuou.

É por isso que imunologistas ressaltam a importância de imunizar o maior percentual possível da população, para evitar que um surto aconteça nos períodos em que a doença costuma aparecer.

"O problema é que ainda não entendemos o suficiente sobre o comportamento complexo do vírus em populações animais. Precisamos dessas informações para controlar futuros surtos. Só assim conseguiremos vacinar as pessoas certas, nos lugares certos, na hora certa."

"Nosso estudo mostra que o surto de 2016 a 2018 na região sudeste do Brasil - o maior surto em mais de 100 anos - resultou de uma introdução de uma estirpe de febre amarela que veio, em ultima analise, da região Amazônica, onde o vírus circula silenciosamente. Depois de introduzido em Minas Gerais, o vírus espalhou-se rapidamente em populações locais de mosquitos silvestres e primatas não humanos em direção as grandes cidades de São Paulo e Rio de Janeiro", resumiu Faria.

"As nossas análises mostram que os casos de febre amarela que ocorreram em populações humanas foram ocupacionais, ou seja, ocorreram em indivíduos predominantemente do sexo masculino, maioria trabalhadores rurais com atividades ocupacionais que viviam em media a 5 km de áreas florestais e que infelizmente não tinham sido vacinados."

Alcântara acredita que o trabalho realizado por sua equipe pode se tornar uma ferramenta importante no combate a outros surtos no futuro.

"Introduzimos, pela primeira vez, um conjunto de métodos e técnicas que irão ajudar a caracterizar mais rapidamente, em tempo real, futuros surtos no mundo", disse.

"Este é o primeiro passo para que se possa prever quando e onde irão surgir futuros surtos."

Edison Veiga
De Milão para a BBC News Brasil
23 agosto 2018

Direito de imagem   AFP/GETTY IMAGES

Reprodução do artigo autorizada pela BBC desde que seja citada a origem do conteúdo.