segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Alimentos contaminados (açai e caldo de cana) são causa de surtos da doença de Chagas



Por Laura Alegre - 

Alguns Estados brasileiros enfrentam surtos de doença de Chagas. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Pará e Minas Gerais concentram o maior número de casos e, em todo o País, estima-se que 4 milhões de habitantes são portadores da doença, sendo que muitos não sabem que estão infectados. Nos últimos cinco anos, equipes da Superintendência de Controle de Endemias, órgão ligado à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, encontraram 135 insetos, os barbeiros, transmissores do protozoário causador da doença de Chagas em municípios da Grande São Paulo. Desses, 30,8% estavam infectados. Por enquanto, o risco de contaminação é pequeno nos grandes centros urbanos, mas especialistas buscam levar conscientização à população.

O Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP é referência mundial em pesquisa sobre a moléstia, e o pesquisador e doutorando Fábio De Rose, médico infectologista do IMT, conversou com o Jornal da USP no Ar sobre o assunto. 

Faz 110 anos que o jovem cientista Carlos Chagas descobriu a doença causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida pelo inseto barbeiro, porém seu tratamento permanece até hoje sem avanços significativos. 

De Rose explica que isso se dá porque “a doença de Chagas faz parte de um hall de doenças negligenciadas em relação à pesquisa, já que o problema acomete principalmente populações rurais e ribeirinhas. Vemos uma falta de interesse em buscar novas formas de tratamento e diagnóstico que busquem melhorar as condições de vida dessas pessoas: só para se ter uma ideia, se usa a mesma medicação há 60 anos. Existem programas como o Expresso Chagas, da Fiocruz, que buscam reverter esse cenário e conscientizar melhor a população a respeito dos riscos, indo até os locais onde foram registrados casos da doença e dando informações aos moradores”. 

O estigma existente em relação à doença é motivado pelo fato de que o aparecimento do percevejo vetor é favorecido em ambientes como moradias precárias. No entanto, o doutor explica que esse tipo de transmissão foi controlada desde 2006, e que os contágios mais comuns são o contato com sangue infectado ou alimentar. “Os surtos que temos geralmente são limitados e causados pela ingestão de alimentos contaminados. Isso acontece quando a pessoa ingere um produto no qual o barbeiro, cheio de Trypanosoma cruzi, foi triturado ou misturado no preparo da comida; por exemplo, o açaí fresco ou a cana-de-açúcar não higienizados corretamente, principalmente aqueles vendidos na estrada, de origem duvidosa. Os pasteurizados tendem a ter procedências mais confiáveis.
É preciso tomar cuidado com alimentos crus também, como carne malpassada”, alerta.
Porém, mesmo controlado, o retorno do inseto barbeiro como vetor é algo possível, pois ele não foi erradicado totalmente. “Precisamos estar vigilantes sempre a respeito disso. Existe também o risco motivado pelas mudanças climáticas, desmatamento e ocupação humana em regiões de mata, o que exige ainda mais atenção inclusive com o contágio de animais mamíferos, como cachorros e gatos que possam ter contato com o percevejo e facilitar a transmissão”, diz o especialista.

A doença de Chagas se manifesta em duas fases, a aguda e a crônica. “A fase aguda tem sintomas mais agressivos, mas que aparecem mais raramente: a partir do contato com o Trypanosoma, a pessoa pode desenvolver febre, cardiomiopatias e até encefalopatias, como a meningite. A fase crônica, a mais comum, tem sintomas pouco pronunciados e que muitas vezes dificultam o diagnóstico da doença, que consistem em problemas cardíacos e intestinais, como arritmias e constipações que duram semanas”, explica De Rose. Ele também ressalta que o tratamento adequado é fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e varia de acordo com a fase “na aguda, é mandatório o uso de medidas que visem a eliminar o protozoário do organismo, enquanto que as crônicas podem ser tratadas com medicamentos cardíacos, por exemplo. Um diagnóstico preciso e acompanhamento médico são fundamentais em ambos os casos para evitar com que os
sintomas evoluam e culminem em uma morte súbita”.

Reprodução autorizada publicada no Jornal da USP https://jornal.usp.br


quarta-feira, 5 de junho de 2019

A importância das ações preventivas

Vejam que interessante, os lugares que as baratas acham para se acomodar. Nenhum demérito à

empresa que fabricou o bebedouro. Apenas é um ponto que precisa ser inspecionado, limpo

periodicamente, pois pode abrigar esses insetos, especialmente por causa da água, que é muito

procurada por essas baratas grandes.Essas fotos me foram enviadas há tempos, mas vale a pena

reacender o assunto e pensar preventivamente.













quarta-feira, 27 de março de 2019

Casos de Dengue no Estado de São Paulo

Dados do Ministério da Saúde apontam que o número de casos de dengue no estado de São Paulo teve aumento de 2.124% em comparação com o mesmo período do ano passado. Até o dia 16 de março deste ano, o estado notificou 83.045 casos da doença. No mesmo período de 2018, foram 3.734 casos. A incidência no estado é de 182,4 casos/100 mil habitantes. São Paulo registrou 31 óbitos em decorrência da doença neste ano.



Cresce em 264% o número de casos de dengue no país


    Publicado: Segunda, 25 de Março de 2019, 12h06Última atualização em Terça, 26 de Março de 2019, 17h24
    Os óbitos pela doença também aumentaram 67%, entre 30 de dezembro e 16 de março de 2019, em comparação ao mesmo período de 2018, sendo a maior concentração no estado de São Paulo
    O sistema de vigilância de estados e municípios e toda a população devem reforçar os cuidados para combater o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. O alerta do Ministério da Saúde é devido ao aumento de 264,1% dos casos de dengue no país, que passaram de 62,9 mil nas primeiras 11 semanas de 2018 para 229.064 no mesmo período deste ano (até 16 de março). A incidência, que considera a proporção de casos em relação ao número de habitantes, tem taxa de 109,9 casos/100 mil habitantes até 16 de março deste ano. O número de óbitos pela doença também teve aumento, de 67%, sendo grande parte no estado de São Paulo.
    O secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber, reforça que a melhor forma de evitar o agravamento e as mortes por dengue é com diagnóstico e tratamento oportunos. “O Brasil vem de dois anos seguidos com baixa ocorrência de dengue, portanto é necessário que os profissionais de saúde estejam atentos a esse aumento de casos. É preciso que eles estejam mais sensíveis e atentos para a dengue na hora de fazer o diagnóstico. Quanto mais cedo o paciente for diagnosticado e der início ao tratamento, menor o risco de agravamento da doença e de evoluir para óbito”, explica Wanderson.
    Ainda de acordo com o secretário, apesar do aumento expressivo no número de casos, a situação ainda não é considerada uma epidemia. No último ano de epidemia no país, em 2016, foram registrados 857.344 casos da doença no mesmo período. Contudo, ele reforça que é preciso intensificar as ações de combate ao Aedes aegypti para que o número de casos de dengue não continue avançando no país.
    Alguns estados têm situação mais preocupante, por apresentarem alta incidência da doença, ou seja, estão com a incidência maior que 100 casos por 100 mil habitantes: Tocantins (602,9 casos/100 mil hab.), Acre (422,8 casos/100 mil hab.), Mato Grosso do Sul (368,1 casos/100 mil hab.), Goiás (355,4 casos/100 mil hab.), Minas Gerais (261,2 casos/100 mil hab.), Espírito Santo (222,5 casos/100 mil hab.) e Distrito Federal (116,5 casos/100 mil hab.).
    A região Sudeste apresentou o maior número de casos prováveis (149.804 casos; 65,4 %) em relação ao total do país, seguida das regiões Centro-Oeste (40.336 casos; 17,6 %); Norte (15.183 casos; 6,6 %); Nordeste (17.137 casos; 7,5 %); e Sul (6.604 casos; 2,9 %). As regiões Centro-Oeste e Sudeste apresentam as maiores taxas de incidência, com 250,8 casos/100 mil hab. e 170,8 casos/100 mil hab., respectivamente.
    Em relação aos óbitos, os profissionais devem ficar atentos. O aumento neste ano é de 67% em relação ao mesmo período de 2018, passando de 37 para 62 mortes. Destaque para o estado de São Paulo, que registrou 31 óbitos, o que representa 50% do total registrado em todo o país.

    COMBATE AO AEDES - DENGUE

    As ações de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti são permanentes e tratadas como prioridade pelo Governo Federal. Todas as ações são gerenciadas e monitoradas pela Sala Nacional de coordenação e Controle para enfrentamento do Aedes, que atua em conjunto com outros órgãos, como o Ministério da Educação; da Integração, do Desenvolvimento Social; do Meio Ambiente; Defesa; Casa Civil e Presidência da República. A Sala Nacional articula com as Salas Estaduais e Municipais (2.166) as ações de mobilização e também monitora os ciclos de visita a imóveis urbanos no Brasil, que são vistoriados pelos agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
    O Ministério da Saúde também oferece continuamente aos estados e municípios apoio técnico e fornecimento de insumos, como larvicidas para o combate ao vetor, além de veículos para realizar os fumacês, e testes diagnósticos, sempre que solicitado pelos gestores locais. Entre janeiro e março deste ano, a pasta já enviou mais de 90 mil reações do teste Elisa para diagnóstico de dengue aos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs) estaduais. Para o diagnóstico das doenças zika e chikungunya, e também dengue, todos os laboratórios do país estão abastecidos com o teste em Biologia Molecular. Também são investidos recursos em ações de comunicação, como campanhas publicitárias e divulgação nas redes sociais, junto à população.
    Para estas ações, a pasta tem garantido orçamento crescente aos estados e municípios. Os recursos para as ações de Vigilância em Saúde, incluindo o combate ao Aedes aegypti, cresceram nos últimos anos, passando de R$ 924,1 milhões, em 2010, para R$ 1,73 bilhão em 2018. Este recurso é destinado à vigilância das doenças transmissíveis, entre elas dengue, zika e chikungunya e é repassado mensalmente a estados e municípios.

    ZIKA

    Em 2019, até 02 de março, foram registrados 2.062 casos de Zika, com incidência de 1,0 caso/100 mil hab. Em 2018, no mesmo período, foram registrados 1.908 casos prováveis.
    Entre as Unidades da Federação, destacam-se Tocantins (47,0 casos/100 mil hab.) e Acre (9,5 casos/100 mil hab.). Em 2019, não foram registrados óbitos por Zika.

    CHIKUNGUNYA

    Em 2019, até 16 de março, foram registrados 12.942 casos de chikungunya no país, com uma incidência de 6,2 casos/100 mil hab. Em 2018, foram 23.484 casos – uma redução de 44%.
    Na análise dos estados, destacam-se entre as maiores incidências o Rio de Janeiro (39,4 casos/100 mil hab.), Tocantins (22,5 casos/100 mil hab.), Pará (18,9 casos/100 mil hab.) e Acre (8,6 casos/100 mil hab.). Em 2019, não foram confirmados óbitos por chikungunya. No mesmo período de 2018, foram confirmadas nove mortes.

    Ministerio da Saude

    terça-feira, 26 de março de 2019

    VACINA DA FEBRE AMARELA PODE PROTEGER CONTRA A ZICA

    Vacina da febre amarela pode proteger contra zika, indica estudo brasileiro


    VacinaDireito de imagemGETTY IMAGES
    Image captionPesquisa concluiu que a vacina protegeu camundongos da infecção do vírus em laboratório
    Enquanto cientistas do mundo correm em busca de uma vacina contra o vírus Zika, pesquisadores no Rio de Janeiro constataram que a resposta pode estar em uma vacina amplamente disponível, testada e adotada mundialmente: a da febre amarela.
    "Talvez a solução estivesse na nossa frente o tempo todo", diz o médico Jerson Lima Silva, professor do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos coordenadores de estudo divulgado na segunda-feira.
    Conduzida por dezesseis pesquisadores da UFRJ e da Fundação Oswaldo Cruz, a pesquisa concluiu que a vacina da febre amarela protegeu camundongos da infecção do vírus em laboratório, reduzindo a carga do vírus no cérebro e prevenindo deficiências neurológicas.
    "Apareceu como um ovo de Colombo", diz Silva, referindo-se à expressão que descreve uma solução complexa que, depois de demonstrada, parece óbvia.
    "Nossa pesquisa mostra que uma vacina eficiente e certificada, disponível para uso há diversas décadas, efetivamente protege camundongos contra infecção do vírus Zika", diz o estudo, publicado online que ainda precisa passar pelo processo de revisão por pares exigido por periódicos científicos, que têm um trâmite demorado.
    Mãe segura bebê com microcefaliaDireito de imagemEPA
    Image captionA corrida por uma vacina começou em 2016, quando se comprovou a suspeita de que a doença era a causa do surto de bebês com microcefalia
    O surto levou o governo brasileiro e a Organização Mundial da Saúde a decretarem situações de emergência, posteriormente suspensas. Além dos graves defeitos que pode causar nos bebês durante a gestação, a zika é associada ao surgimento da síndrome de Guillain-Barré em adultos.

    Vírus semelhantes

    Tanto a zika e quanto a febre amarela são transmitidos por vírus da família dos Flavivírus. A estruturas biológicas dos vírus são semelhantes, o que inspirou a equipe no Rio a testar os efeitos da vacina de febre amarela sobre o vírus Zika.
    Além disso, diz o médico Jerson Lima Silva, a região que teve maior incidência de zika, o Nordeste do país, é também a que tinha a menor cobertura vacinal para febre amarela. "Então resolvemos testar essa hipótese", afirma o professor da UFRJ. O estudo foi coordenado por Silva, Andrea Cheble Oliveira e Andre Gomes, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biologia Estrutural e Bioimagem, e pelo professor Herbert Guedes, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ.
    A equipe realizou testes com dois grupos de camundongos, um composto por indivíduos saudáveis e outro por indivíduos com sistema imune comprometido, mais suscetíveis à propagação do vírus.
    Aedes AegyptiDireito de imagemAFP / GETTY IMAGES
    Image captionO Aedes aegypti é o mosquito transmissor da zika e da febre amarela
    Nos dois grupos, parte dos animais foi imunizada com a vacina de febre amarela e outra recebeu apenas uma solução salina, sem nenhum efeito imunológico. Depois, todos receberam injeções intracerebrais do vírus da zika, de modo a simular infecções com alto índice de letalidade.
    "Sem a vacina, os mais suscetíveis morreram e os normais desenvolveram sintomas da doença. Já entre os vacinados, os suscetíveis não morreram e todos apresentaram carga viral extremamente reduzida no cérebro", explica Silva. O vírus Zika consegue furar a proteção da placenta durante a gestação, e se alastra pelo cérebro do bebê, impedindo que se forme corretamente.

    Próximos passos

    A pesquisa foi conduzida ao longo de dois anos. O grupo trabalha agora para entender os mecanismos de proteção contra o vírus desenvolvidos a partir da vacina da febre amarela. O médico diz que o próximo passo é realizar testes em primatas.
    "Os resultados foram muito evidentes. A gente acredita que há uma grande chance de (a vacina da febre amarela) proteger humanos (contra a zika), já que os testes com animais demonstraram uma proteção tão forte", considera Silva. Ele espera que os próximos passos para determinar se a vacina pode ser recomendada à sociedade como uma proteção eficiente contra a zika não tardem. Por enquanto, entretanto, é preciso cautela. "Como todo estudo científico, este precisa ser reproduzido e confirmado", diz.
    Se o efeito for comprovado para humanos, ressalta o pesquisador da UFRJ, haveria uma grande vantagem em poder contar com uma vacina licenciada, usada há décadas e disponível no mercado - e que poderia ser distribuída e aplicada prontamente no caso de um novo surto de infecções. Desenvolver uma nova vacina envolve passar por muitos testes, acertos e erros e etapas de segurança.
    O estudo teve financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Saúde, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
    Línea

    sexta-feira, 1 de março de 2019

    Prevenção de Escorpiões Revista da Cidade 20 02 19 VDownloader

    Carnaval sem dengue

    Antes de cair na folia, proteja sua casa contra o mosquito Aedes aegypti

      Publicado: Quinta, 28 de Fevereiro de 2019, 15h53Última atualização em Sexta, 01 de Março de 2019, 11h06
      Foliões devem ficar atentos para não viajar e deixar sua casa aos cuidados do mosquito. O mesmo alerta vale para as pessoas que forem curtir o feriado em casa
      Se você vai viajar durante o carnaval, não esqueça de deixar sua casa protegida da proliferação do mosquito Aedes aegypti.  A recomendação também é para quem optar por ficar em casa. Até o dia 02 de fevereiro, o país já notificou 54.777 casos de dengue, um aumento de 149% em relação ao mesmo período no ano passado. O alerta é do Ministério da Saúde, que tem intensificado as ações de comunicação para chamar a atenção da população e dos gestores públicos em relação às formas de prevenção, sintomas e tratamento da dengue, zika e chikungunya, doenças transmitidas pelo Aedes.
      O ciclo de reprodução do Aedes aegypti, do ovo à forma adulta, pode levar de 5 a 10 dias. Por isso, mesmo em uma viagem curta, é preciso estar atento. Um balde esquecido no quintal ou um pratinho de planta na varanda do apartamento, após uma chuva, podem facilmente se tornar um foco do mosquito e afetar toda a vizinhança. É possível eliminar o mosquito por meio de medidas simples, como substituir a água dos pratos dos vasos de planta por areia; deixar a caixa d´água tampada; cobrir os grandes reservatórios de água, como as piscinas, e remover do ambiente todo material que possa acumular água (garrafas pet, latas e pneus).
      A população também deve ficar atenta aos destinos onde vão passar o carnaval, e verificar quais cuidados devem ser tomados, como uso de repelentes e de roupas claras. As áreas com muita vegetação, por exemplo, estão propícias a ter grande circulação de mosquitos. Esse período do ano, que coincide com o verão, é propicio para maior transmissão devido aos fatores climáticos. Esses cuidados servem também para as pessoas que vão passar o feriadão em casa.
      Neste ano, 13 estados brasileiros apontaram dados alarmantes em relação ao aumento do número de casos de dengue: Rio de Janeiro, Acre, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Tocantins, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal. Para auxiliar a população que reside nesses estados e os turistas que vão em busca dos principais destinos de Carnaval, a pasta deu início a segunda etapa da campanha de combate ao Aedes aegypti, tendo como foco os sintomas das doenças transmitidas pelo mosquito. Entre os canais utilizados estão as redes sociais, TV aberta, rádios, carro de som, rodoviárias, metrô, ônibus e aeroportos.
      A atual campanha publicitária do Ministério da Saúde traz o slogan "O perigo é para todos. O combate também. Faça sua parte. Com ações simples podemos combater o mosquito". A campanha ressalta que a união de todos, governo e população, é a melhor forma de derrotar o mosquito, e que a vigilância deve ser constante. 

      SINTOMAS

      Se você apresentar febre acompanhada de dor atrás dos olhos e na barriga, náuseas, coceira, dor de cabeça, manchas vermelhas na pele ou dores nas articulações, procure uma unidade de saúde. Você pode estar com dengue, chikungunya ou zika. O Ministério da Saúde alerta que muitas doenças têm sintomas parecidos, então é importante ficar atento aos primeiros sinais e procurar rapidamente uma unidade de saúde.

      PROTEÇÃO CONTRA O AEDES AEGYPTI

      Não importa se você mora em casa ou apartamento, o mosquito Aedes aegypti pode encontrar um recipiente com água parada para depositar os ovos e se reproduzir. São suficientes 15 minutos por semana para fazer a vistoria em toda casa e eliminar todos os possíveis focos do mosquito.
      É importante ficar atento também com a área externa de casa e condomínios, além das piscinas durante esse período. Deve-se manter piscinas e áreas de hidromassagem cobertas e manutenção periódica. Limpe ralos e canaletas externas. Deixe lonas usadas para cobrir objetos bem esticadas, para evitar formação de poças d’água. Atenção com plantas que podem acumular água, como bromélia e babosa.
      Por Alexandre Penido, da Agência Saúde
      Atendimento à imprensa(61) 3315-3580 / 2898

      sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

      A crise escorpionica no Brasil – situação em 2018 porém muito atual em 2019





      A mídia tem divulgado nos primeiros sete meses de 2018 uma série de acidentes envolvendo picadas por escorpiões. Os dados encontrados no site Ministério da Saúde estão atualizados até 2017 evidenciando um aumento de 36% entre 2016 e 2017 dos casos de picadas por escorpiões em todo o Brasil. Porém se fizermos uma comparação entre o ano de 2000 e 2017 veremos um acréscimo de cerca de 900% em número de casos, e esse percentual varia de 5% a 30% ano após ano. É fato que os casos de acidentes por escorpiões têm aumentado progressivamente necessitando de alertas à população para se prevenir contra estes aracnídeos.
      Trocando em miúdos, os escorpiões são animais que pertencem ao filo Artropoda, Classe Arachnida e Ordem Scorpionida. Os escorpiões responsáveis pelos ataques a humanos no Brasil pertencem à Família Buthidae e são das espécies Tityus serrulatus, Tityus bahiensis, Tityus obscuros e Tityus stigmurus. O veneno produzido por estes animais ataca o Sistema Nervoso Periférico que age como ligação entre o Sistema Nervoso Central e todas as partes do corpo através de seus nervos e gânglios. Essas toxinas escorpiônicas causam massiva liberação de neurotransmissores traduzindo-se em um quadro clínico grave que pode conduzir ao óbito rapidamente em grupos mais vulneráveis como crianças e idosos.



                                                             Figura 1 Tityus serrulatus



                                                        Figura 2  Tityus stigmurus
                

                                           
                                                          Figura 3 Tityus bahiensis

                                     
                                                       Figura 4 Tityus obscurus
         
      Os escorpiões são muito antigos e provavelmente foram os primeiros habitantes da Terra a pisarem em terra firme. Surgiram no período Siluriano há cerca de 350 milhões de anos atrás e os fósseis encontrados são bastante semelhantes aos animais viventes.

      Os escorpiões que causam acidentes graves no Brasil pertencem unicamente ao gênero Tityus (Família Buthidae). Embora existam 54 espécies de Tityus no Brasil, as espécies de importância médica que causam envenenamentos graves ou fatais são T. bahiensis, T. obscurus, T. serrulatus e T. stigmurus.
      A espécie T. serrulatus é o principal responsável pelos  acidentes escorpiônicos no Brasil, sendo responsável pela maioria dos casos de maior gravidade e diversos casos fatais.

      I - Tabela das principais espécies e sua distribuição
      Espécie
      Distribuição
      Informações sobre acidentes
      Tityus bahiensis
      Regiões Centro Oeste, Sudeste e Sul
      Segundo maior causador de
      acidentes na região Sudeste
      Registro de acidentes graves
      em crianças
      Tityus obscurus
      Regiões Norte e Centro Oeste
      Causador de muitos acidentes na região Norte
      Tityus serrulatus
      Regiões Nordeste, Centro Oeste, Sudeste e Sul
      Causador do maior número de acidentes no Brasil Maior frequência de acidentes graves Principal causador de óbitos no país
      Tityus stigmurus
      Região Nordeste e Sudeste
      Causador do maior número de acidentes na região Nordeste Com registros de surtos populacionais em capitais do Nordeste, como Salvador e Recife

      Os escorpiões são animais noturnos e carnívoros. Sua principal dieta consiste em insetos variados. O encontro do animal com um humano decorre de vários fatores. No ambiente rural, estes encontros podem acontecer a trabalhadores da terra, poceiros e outras atividades que aproximem o homem de seus esconderijos preferenciais, em troncos podres, sob pedras, madeira ou no solo úmido da mata. Nas cidades eles se escondem perto de residências humanas em entulhos, em madeiras empilhadas, aparecem em linhas de trem sob os dormentes ou ainda em cemitérios, sob as lajes dos túmulos. Sua presença em cemitérios tem uma razão de ser especial. Neste local há grande abundância de baratas da espécie Periplaneta americana. Essas baratas circulam por entre os túmulos, consumindo restos mortais e as baratas são uma presa bastante apreciada pelos escorpiões.

      O escorpião evita transitar durante o dia. Como se trata de um animal caçador ele é mais frequentemente encontrado à noite. Os pesquisadores destes animais costumam utilizar a luz ultra violeta para encontrá-los com facilidade à noite. Por alguma razão ainda não muito esclarecida, o dorso destes animais fluoresce na presença da luz ultra violeta o que facilita muito a sua visualização.
      Um aspecto interessante da biologia do escorpião é a sua reprodução. Nas espécies que dependem do macho há todo um ritual em que o macho libera a sua bolsa de esperma no solo e segura a fêmea pela queliceras puxando-a para o local onde está a bolsa que é transferida para a abertura genital para então ocorrer a fecundação.

      No caso da espécie T. serrulatus isso não é necessário, já que esta espécie é partenogênica, ou seja, dispensa a interação do macho na multiplicação da espécie.

      O que fazer em caso de acidente

      No caso de um acidente ocorrer, o Ministério da Saúde orienta no sentido de manter o paciente com compressas mornas e analgésicos e remove-lo de imediato para uma Unidade Hospitalar para o atendimento. A rapidez de deslocamento é essencial nesses casos, especialmente em pacientes menores de sete anos. O médico vai avaliar que tipo de tratamento usar. Nem sempre é necessário a utilização do soro específico, mas isso vai depender de várias condições que só um médico treinado pode avaliar. Nunca usar gelo no local da picada pois pode aumentar a dor. Não há tratamento caseiro para picada deste animal. Lavar o local da picada com água e sabão; não fazer torniquete ou garrote, não furar, não cortar, não queimar, não espremer, não fazer sucção no local da ferida e nem aplicar folhas, pó de café ou terra sobre ela para não provocar infecção; não ingerir bebida alcoólica, querosene, ou fumo, como é costume em algumas regiões do país; levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber o tratamento em tempo e se for possível, levar o animal causador da picada para facilitar o tratamento através da identificação do animal.

      Os primeiros sintomas
      O sintoma inicial da picada de escorpião é uma dor intensa no local da lesão. Outros sintomas podem aparecer como suor excessivo, vômitos, aumento da salivação, taquicardia, pressão baixa, falta de ar.

      Como prevenir acidentes
      ·         Manter jardins e quintais limpos. Evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico e materiais de construção nas proximidades das casas;
      ·         Evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbusto, bananeiras e outras) junto a paredes e muros das casas. Manter a grama aparada;
      ·         Limpar periodicamente os terrenos baldios vizinhos, pelo menos, numa faixa de um a dois metros junto às casas;
      ·         Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los, pois as aranhas e escorpiões podem se esconder neles e picam ao serem comprimidos contra o corpo;
      ·         Não pôr as mãos em buracos, sob pedras e troncos podres. É comum a presença de escorpiões sob dormentes da linha férrea;
      ·         Usar calçados e luvas de raspas de couro;
      ·         Como muitos destes animais apresentam hábitos noturnos, a entrada nas casas pode ser evitada vedando-se as soleiras das portas e janelas quando começar a escurecer;
      ·         Usar telas em ralos do chão, pias ou tanques;
      ·         Combater a proliferação de insetos, para evitar o aparecimento dos escorpiões que deles se alimentam. As baratas costumam habitar as redes pluviais e de esgotos e esse caminho é utilizado pelos escorpiões também em buscas de suas presas;
      ·         Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e vãos entre o forro e paredes, consertar rodapés despregados, colocar saquinhos de areia nas portas, colocar telas nas janelas;
      ·         Afastar as camas e berços das paredes;
      ·         Evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão. Não pendurar roupas nas paredes; examinar roupas, principalmente camisas, blusas e calças antes de vestir;
      ·         Acondicionar lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes que possam ser mantidos fechados, para evitar baratas, moscas ou outros insetos de que se alimentam os escorpiões;
      ·         Preservar os inimigos naturais de escorpiões e aranhas: aves de hábitos noturnos (coruja, joão-bobo), lagartos e sapos.
      O controle de escorpiões não se faz com o uso inseticidas. Apesar de existirem algumas formulações registradas para este fim os inseticidas só são úteis se forem aplicados para eliminar as baratas que vivem nas redes subterrâneas de esgotos e águas, privando-o assim do seu alimento preferido.
      Situações mais graves, em que os escorpiões se espalham por um bairro, ou prédio é necessária a presença de um especialista para ditar diretrizes de controle, inclusive do aspecto preventivo.
      Algumas situações permitem o uso de animais como galinhas como controle biológico.
      O trabalho preventivo de remoção de resíduos que sirvam como abrigo para estes animais é o mais importante e deve ser praticado na presença ou ausência de escorpiões.
      Lucia Schuller
      Bióloga e Mestre em Saúde Pública