segunda-feira, 20 de junho de 2016

Pragas em shopping destroem reputações

O artigo epigrafado está disponível com login na Biblioteca em Brasilia. Ocorre que os links não estão funcionando e, portanto, reproduzo na íntegra na forma como foi publicado na Revista CIPA. Peço desculpas a todos que se interessaram pelo artigo e não puderam acessá-lo.

CIPA Edição nº 420 – Setembro 2014

PRAGAS EM SHOPPING SÃO NOTICIA E DESTROEM REPUTAÇÕES
                             
          Foram mais de 400 mil acessos no youtube para ver o famoso filme da “ratazana na praça de alimentação do shopping Iguatemi da Faria Lima - São Paulo”. Não há dúvidas que as pessoas gostam de ver situações esdrúxulas, como essa. Lamento muito pela empresa que está responsável pelo serviço desse Shopping. Deve ter sido mais do que criticada. Imagino a reação do cliente. Afinal não houve tempo hábil de esconder o “delito” já que muita gente anda com máquinas fotográficas /celulares e toda a ação foi devidamente documentada.
Esses acidentes acontecem diariamente e sempre acabam em desastre. O cliente se sente ludibriado por acreditar não estar 100% seguro em relação às pragas e o fornecedor é decapitado, geralmente. É o caminho mais fácil a tomar.
Pouca gente aproveita o momento para sentar com a empresa e fazer uma revisão do Programa, se há alguma ação que deveria ter sido tomada e não foi e o que fazer para evitar que isso aconteça no futuro. Essa é a posição mais adequada especialmente se o fornecedor é de confiança e tem prestado sempre bons serviços.
Na maioria das vezes. O que não se quer é propaganda do assunto, visualização, que fica mal para os responsáveis, neste caso a direção do shopping e eliminar a empresa responsável pelo controle de pragas é uma ação que acalma os ânimos e abre possibilidade para novos recursos.
Não estou defendendo serviços ruins ou maus profissionais, pelo contrário, acho que as empresas que enganam o cliente, que não se profissionalizam, precisam ser retiradas do mercado. Estou falando daqueles profissionais que trabalham o ano todo, alertam o cliente e não conseguem que as ações preventivas sejam  tomadas.
Todos os profissionais que estão há uns poucos anos no mercado sabem muito bem que controlar roedores só com raticida é uma falácia. Ratos são muito seletivos em matéria de alimento e é uma luta para eles consumirem a isca, ainda mais nas circunstâncias que encontramos no Brasil, sem saneamento básico, sem as mínimas considerações a ações preventivas.
Nos tempos do famoso 1080 era possível intoxicar muitos ratos de uma vez,  mas só com um pré oferecimento de isca e os resultados eram visíveis nas primeiras aplicações. Depois os ratos ficavam mais espertos. Além disso, eram usados muitos alimentos como isca fresca, tais como pão, arroz, sardinha, salsicha e outros, o que é proibido por lei atualmente.
Se sabemos que os ratos são animais com  certo grau de inteligência para escapar das nossas armadilhas ou de nossos venenos, temos que encontrar outro tipo de solução para o problema, e aí entra a inventividade, a criação,  a educação. Não faz muito tempo que era comum ouvir no mercado que algumas empresas vendiam o seu serviço dizendo que usavam produtos de fabricação própria, com receitas e formulações secretas, e isso era escrito também. Ainda bem que esse tempo passou e hoje os clientes também estão mais informados a esse respeito e a questão da documentação passou a ser uma especificação de concorrência.
O que ainda mostra resistência são as medidas preventivas e aí vale o profissional investir em conhecimento, ler trabalhos, buscar soluções, discutir com o cliente e, o que é mais importante, engajar-se mais no dia a dia do cliente.
Uma mudança de comportamento da parte dos profissionais pode gerar um melhor posicionamento no ranking do que pensam sobre as “dedetizadoras”. Aquele episódio do Iguatemi deve ter sido ruim para todos e não só para a empresa em questão.

Lucia Schuller
Bióloga e Mestre em Saúde Pública