O artigo epigrafado está disponível com login na Biblioteca em Brasilia. Ocorre que os links não estão funcionando e, portanto, reproduzo na íntegra na forma como foi publicado na Revista CIPA. Peço desculpas a todos que se interessaram pelo artigo e não puderam acessá-lo.
CIPA Edição nº 420 – Setembro 2014
PRAGAS EM SHOPPING SÃO NOTICIA E DESTROEM REPUTAÇÕES
Foram mais de 400 mil acessos no
youtube para ver o famoso filme da “ratazana
na praça de alimentação do shopping
Iguatemi da Faria Lima - São Paulo”. Não há dúvidas que as pessoas gostam
de ver situações esdrúxulas, como essa. Lamento muito pela empresa que está
responsável pelo serviço desse Shopping. Deve ter sido mais do que criticada.
Imagino a reação do cliente. Afinal não houve tempo hábil de esconder o
“delito” já que muita gente anda com máquinas fotográficas /celulares e toda a
ação foi devidamente documentada.
Esses acidentes
acontecem diariamente e sempre acabam em desastre. O cliente se sente
ludibriado por acreditar não estar 100% seguro em relação às pragas e o
fornecedor é decapitado, geralmente. É o caminho mais fácil a tomar.
Pouca gente
aproveita o momento para sentar com a empresa e fazer uma revisão do Programa,
se há alguma ação que deveria ter sido tomada e não foi e o que fazer para
evitar que isso aconteça no futuro. Essa é a posição mais adequada
especialmente se o fornecedor é de confiança e tem prestado sempre bons
serviços.
Na maioria das
vezes. O que não se quer é propaganda do assunto, visualização, que fica mal
para os responsáveis, neste caso a direção do shopping e eliminar a empresa
responsável pelo controle de pragas é uma ação que acalma os ânimos e abre
possibilidade para novos recursos.
Não estou
defendendo serviços ruins ou maus profissionais, pelo contrário, acho que as
empresas que enganam o cliente, que não se profissionalizam, precisam ser
retiradas do mercado. Estou falando daqueles profissionais que trabalham o ano
todo, alertam o cliente e não conseguem que as ações preventivas sejam tomadas.
Todos os
profissionais que estão há uns poucos anos no mercado sabem muito bem que
controlar roedores só com raticida é uma falácia. Ratos são muito seletivos em
matéria de alimento e é uma luta para eles consumirem a isca, ainda mais nas
circunstâncias que encontramos no Brasil, sem saneamento básico, sem as mínimas
considerações a ações preventivas.
Nos tempos do
famoso 1080 era possível intoxicar muitos ratos de uma vez, mas só com um pré oferecimento de isca e os
resultados eram visíveis nas primeiras aplicações. Depois os ratos ficavam mais
espertos. Além disso, eram usados muitos alimentos como isca fresca, tais como
pão, arroz, sardinha, salsicha e outros, o que é proibido por lei atualmente.
Se sabemos que
os ratos são animais com certo grau de
inteligência para escapar das nossas armadilhas ou de nossos venenos, temos que
encontrar outro tipo de solução para o problema, e aí entra a inventividade, a
criação, a educação. Não faz muito tempo
que era comum ouvir no mercado que algumas empresas vendiam o seu serviço
dizendo que usavam produtos de fabricação própria, com receitas e formulações
secretas, e isso era escrito também. Ainda bem que esse tempo passou e hoje os
clientes também estão mais informados a esse respeito e a questão da documentação
passou a ser uma especificação de concorrência.
O que ainda
mostra resistência são as medidas preventivas e aí vale o profissional investir
em conhecimento, ler trabalhos, buscar soluções, discutir com o cliente e, o
que é mais importante, engajar-se mais no dia a dia do cliente.
Uma mudança de
comportamento da parte dos profissionais pode gerar um melhor posicionamento no
ranking do que pensam sobre as “dedetizadoras”. Aquele episódio do Iguatemi
deve ter sido ruim para todos e não só para a empresa em questão.
Lucia Schuller
Bióloga e Mestre
em Saúde Pública