Cientistas americanos concluem que agente infeccioso
continua presente nos testículos mesmo após deixar a corrente sanguínea. Vírus
afeta níveis de testosterona e pode impactar a fertilidade dos homens.Um estudo
publicado nesta quarta-feira (22/02) pela revista especializada Science
Advances sugere um forte impacto do vírus zika no sistema reprodutivo
masculino. A partir de testes em ratos, cientistas da Universidade de Yale
concluíram que o zika provoca diminuição dos níveis de testosterona e atrofia
dos testículos.
"Foi reportado que o vírus da zika podia ser detectado
no sêmen por períodos prolongados depois da infecção no ser humano. Portanto,
pensamos na hipótese de que o vírus possa se replicar nos testículos e a
comprovamos usando um modelo com ratos", explicou à agência Efe Ryuta
Uraki, pesquisador que coordenou o estudo.
Os cientistas infectaram ratos e notaram que o vírus
desaparecia do sangue dos animais após 21 dias, mas ainda estava presente nos
testículos, que haviam encolhido "significativamente". Segundo Uraki,
isso seria um indício de que as células morreram depois da infecção.
Assim como o da dengue, o vírus zika é transmitido pelo
mosquito Aedes aegypti e costuma causar febre leve, erupções na pele,
conjuntivite e dores musculares, além de estar relacionado com más-formações
congênitas em fetos cujas mães são infectadas durante a gravidez.
Uraki também afirmou que, embora se acredite que o vírus se
espalha principalmente por meio da picada do mosquito infectado, é preciso
levar em conta o risco da transmissão sexual.
O pesquisador afirma que, após a infecção, "o esperma
tem uma capacidade de movimento reduzida, o que poderia diminuir a
fertilidade". Por terem utilizado ratos, contudo, os cientistas ainda
precisam saber se suas conclusões também se aplicam aos seres humanos.
"Como seres humanos com um sistema imunológico
totalmente funcional também demonstram uma infecção persistente do zika nos
testículos, estas descobertas têm grandes implicações para a fertilidade dos
homens que foram expostos ao vírus", afirma o estudo. "Será
importante controlar a fertilidade dos homens que foram infectadas com o zika
para compreender melhor o impacto nos seres humanos."
Os especialistas também querem saber por que o vírus zika
permanece presente nos testículos e por que o sistema imunológico não consegue
eliminá-lo no local.
fonte: https://noticias.terra.com.br