A equipe de
Vigilância de Zoonoses e Intoxicações da Secretaria de Estado da Saúde coletou
mais de 3,5 mil lagartas do gênero Lonomia, em Cruz Machado, região Centro-Sul
do Paraná. Os insetos recolhidos na última semana foram enviados ao Instituto
Butantan, em São Paulo, e irão contribuir para a produção de até 15 mil frascos
do soro antilonômico, utilizado no tratamento dos acidentes causados pela
própria lagarta.
“Desde 1989,
monitoramos a ocorrência da Lonomia em todo o Estado. Esse trabalho é feito em
parceria com as equipes de vigilância dos municípios, que realizam coletas
periódicas em suas regiões, principalmente nos meses de primavera e verão,
quando são mais incidentes”, conta o biólogo da secretaria estadual, Emanuel
Marques.
Todos os acidentes
com Lonomias devem ser comunicados pelos serviços de saúde. Em 2014, no Paraná,
foram notificadas 27 ocorrências com a lagarta, 25 em 2015, e 35 em 2016. A
maior parte delas ocorreu nas regiões de União da Vitória e de Pato Branco.
O que fazer em caso
de contato com a Lonomia:
1. Lavar o local do contato de preferência com água e sabão;
2. Não fazer cortes, perfurações ou torniquetes e não colocar produtos caseiros, pois agravam o envenenamento;
3. Manter o acidentado calmo. Também é possível oferecer água ou chá para beber;
4. Encaminhar a vítima rapidamente para o serviço médico mais próximo. Se possível, levar a lagarta, mesmo morta, para facilitar o diagnóstico.
Lembre-se de nunca
utilizar remédios caseiros e de seguir sempre as orientações médicas. O soro
antipeçonhento será indicado após avaliação do quadro clínico.
LAGARTA – A
Lonomia, conhecida também como oruga, taturana ou lagarta de fogo, foi
identificada em vários estados brasileiros. No entanto, é mais comum
encontrá-la na região sul do país. No Paraná, já foi confirmada sua presença em
126 municípios. Até o momento somente as regiões de Maringá, Paranavaí e
Cornélio Procópio não possuem registro do inseto.
Essa lagarta tem
coloração marrom esverdeada, possui cerdas ou espinhos em forma de
‘pinheirinhos’ e manchas brancas no formato da letra U no dorso e mede
aproximadamente sete centímetros de comprimento. Em geral, vivem em grupos em
partes baixas de troncos de árvores e são mais comuns no meio rural,
eventualmente podem surgir em áreas urbanas.
“Os espinhos da
Lonomia contêm uma toxina que pode causar acidentes de leve, moderada ou grave
intensidade. Dependendo da quantidade de veneno, o sangue fica incoagulável,
levando a uma hemorragia que se não tratada pode causar a morte do paciente em
até quatro dias”, explica Marques.
PREVENÇÃO – Para
evitar acidentes ao caminhar por áreas de mata é importante olhar atentamente
para as folhas e troncos das árvores e verificar a presença de folhas roídas,
casulos e fezes de lagartas. O biólogo também recomenda a utilização luvas para
manipular árvores frutíferas ou em atividades de jardinagem.
“A alimentação do
inseto acontece no período noturno e, na maioria das vezes, inclui folhas de
árvores silvestres como aroeira, pessegueiro-bravo, erva-mate, caúna, congonha,
capitão do mato e algumas frutíferas como pêssego, ameixa, abacate, goiaba,
maçã”, detalha Emanuel.
