sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Em 18 meses, país registra 250 casos de febre maculosa com 81 mortes


Doença é transmitida pelo carrapato estrela, espécie achada em áreas onde circulam cavalos e bois. Mas o animal preferido do carrapato é a capivara.
Por Jornal Nacional


Agentes de saúde do interior de São Paulo caçam carrapato-estrela.

Outro animal que provoca preocupação é um hospedeiro do carrapato-estrela, que transmite a febre maculosa.

A família de Laura Vicente, de 15 anos, tenta entender como a doença evoluiu tão rápido. A estudante, que morava em Salto, no interior de São Paulo, ficou internada nove dias e morreu com febre maculosa. "Ela só se manifesta depois de um tempo encubada. Ela é muito devastadora, foi uma coisa assim, muito rápida”, conta Marcelo Kenji, tio de Laura.

A febre maculosa é uma doença infecciosa transmitida pelo carrapato-estrela, espécie encontrada com mais facilidade em áreas de mata, por onde circulam cavalos e bois. Mas a preferência do carrapato é pela capivara, encontrada cada vez mais em centros urbanos. "A capivara é um hospedeiro natural, ela se torna uma fonte de infecção importante dentro dos centros urbanos”, explica a veterinária Andrea Higa Nakaghi.

Os sintomas da febre maculosa aparecem em até duas semanas depois da picada do carrapato e são parecidos com os de outras doenças: febre alta, dor no corpo, dor de cabeça. O diagnóstico é feito por exame de sangue e a demora para identificar a doença pode provocar complicações graves e levar à morte.

“A ação dela é dentro das células e vai ganhando corrente sanguínea, e aí é que está o grande estrago da febre maculosa, que a bactéria ocasiona: ela vai para a parede do vaso e destrói as células que compõem a parede do vaso, fazendo lesões em todo o organismo”, diz o infectologista Fernando Ruiz.

Em 2017, 65 morreram no Brasil. Este ano, já foram 62 casos, com 16 mortes. São Paulo é o estado com mais registros: 32, com 14 mortes. Minas registrou 13, com duas mortes. Santa Catarina também teve 13 registros, nenhuma morte.

Em Jundiaí, interior de São Paulo, agentes de saúde estão percorrendo parques e instalando armadilhas para capturar os carrapatos. “A ideia é saber qual a concentração desses em várias áreas públicas da cidade. A partir de então, nós fazemos uma orientação aos responsáveis do local para que façam um trabalho preventivo”, explica Carlos Ozahata, do Centro de Zoonoses.

Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional

Projeto-piloto com mosquitos erradica dengue na Austrália



Insetos infetados com a bactéria Wolbach têm sido eficazes no combate ao dengue na cidade australiana de Townsville. Cientistas esperam que a técnica possa erradicar também surtos de dengue e malária

Um projeto-piloto lançado há quatro anos na Austrália está a revelar-se eficaz no combate ao dengue. Insetos infetados com a bactéria Wolbach – que não transmitem o vírus – têm contribuído para a erradicação da doença na cidade australiana de Townsville.

Esta técnica já tinha sido aplicada em territórios mais pequenos, entre 1 e 1,5 km², mas desta vez estes insetos foram libertados em mais de 66 km² da cidade australiana, com cerca de 190 mil habitantes.

Os resultados estão a motivar a equipa de cientistas responsável pelo projeto, que espera que a mesma técnica possa erradicar também surtos de zika e malária, nomeadamente no Brasil e na América Latina.

“Estou extasiado. Temos aqui algo que vai ter um impacto significativo, acho que este estudo é a primeira indicação de que este procedimento será muito promissor”, afirmou ao “Guardian” Scott O’Neill, diretor do Programa Mundial de Mosquitos da Universidade Monash, na Austrália.

A decorrer em 11 países, este projeto-piloto será testado em breve na cidade indonésia de Yogyakarta, onde será aplicado inicialmente por um grupo de cientistas e mais tarde envolverá também a comunidade local.

Fonte:https://expresso.sapo.pt/internacional/jornal portugues.

Instalação de bloqueador para ratos no vaso sanitario

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Fiscalização de Lei dos Pombos continua indefinida




A Prefeitura de São Paulo ainda não definiu detalhes sobre a fiscalização e aplicação de multa para quem alimentar ou criar pombos na Capital. A Lei 16.914, publicada no Diário Oficial há quase dois meses, em 6 de junho de 2018, sujeita o infrator a uma multa no valor de R$ 200, aplicada em dobro a cada reincidência.

A administração pública explicou que tem 90 dias, a partir da data da publicação, para regulamentar o texto. A lei foi sugerida pelo vereador Gilberto Natalini (PV) e proíbe até a comercialização de alimentos para pombos nas vias e logradouros públicos.


Os proprietários de imóveis com infestação das aves também terão que providenciar redes e outros obstáculos, visando a dificultar o pouso e a criação de ninhos destas aves. A Prefeitura não definiu, por exemplo, qual órgão do Governo realizará a autuação dos munícipes e fiscalização nas casas, nem se a multa será aplicada no CPF.


De acordo com Natalini, a intenção é diminuir o número desses animais no meio urbano. “Eles trazem uma série de problemas, prejudicam a cidade e transmitem muitas doenças”, disse. 

Fonte:https://metronews.com.br

segunda-feira, 23 de julho de 2018

É POSSÍVEL CONTROLAR PRAGAS EM SUPERMERCADOS?







Talvez um dos maiores desafios para controlar pragas que um profissional enfrente seja o  controle de pragas, em especial roedores, em supermercados ou organizações de auto-serviço.

Esses clientes tem um perfil bem diferente do industrial no que se refere à segurança e medicina no trabalho. Durante a elaboração desse artigo me deparei com um trabalho muito interessante de 2009 - SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO EM REDE DE SUPERMERCADO: UMA ESTRATÉGIA CORPORATIVA E COMPETITIVA de autoria de Centurión WC et al que trata de uma análise das condições de segurança e higiene em uma organização de auto-serviço.

O diagnóstico levantou uma série de fatores importantes que estavam causando absenteísmo, ações trabalhistas, insatisfação dos funcionários e prejuízos para a organização.

Interessante como todas essas questões apontadas no diagnóstico tem a ver com o controle de pragas. Um dos aspectos levantados foi a falta de manutenção da edificação e a excessiva quantidade de água espalhada em vários locais, geralmente fora da vista do consumidor. Esse é um ponto de destaque quando temos pragas instaladas ou importadas. São dois aspectos que aumentam exponencialmente a capacidade do ambiente de reter pragas urbanas e até criar situações que permitam a sua reprodução dentro de ambientes que normalmente deveriam ser impermeáveis a esses insetos.

O mesmo trabalho aponta como uma gestão bem feita de Segurança e Saude Ocupacional ampliam os lucros da empresa e aumentam o seu posicionamento perante um mercado tão competitivo.

O Controle de Pragas em ambientes de alta rotatividade como é um auto-serviço é dificultado por estar sujeito a fatores como falta de treinamento, desconhecimento das equipes quanto à importância do controle de pragas, entrada constante de novos itens que muitas vezes chegam transportando pragas em suas embalagens, estoque de mercadorias muito justo, favorecendo o abrigo de pragas. Neste último caso, há uma grande demora em verificação dos prejuízos já que as mercadorias estão tão juntas que não se percebe as infestações no seu inicio. Tudo pode acontecer nesse ambiente rico em alimentos, embalagens, desorganização e pouco conhecimento a respeito do problema.


Em sua maioria quase nunca vemos um controle integrado de pragas. Dificilmente as pessoas contato têm conhecimento nesse trabalho. O atendimento desse tipo de cliente, mais do que para qualquer outro, depende demais dessa sintonia, de possuir internamente uma interface esclarecida, que se interesse pelo assunto, e que possa tomar ações orientadas pelos profissionais de controle de pragas, que reduzam ao máximo a presença de pragas urbanas no ambiente de loja e de estocagem. Para piorar a situação a maioria dos empresários investe muito pouco ou quase nada nessa atividade tão intimamente relacionada com a Segurança e Higiene no Trabalho que é o Controle de Pragas. O interesse maior é obter um documento Certificado que sirva para ser apresentado durante a visita da Vigilância Sanitária.

Esse é o primeiro problema a enfrentar até porque as perdas por pragas não são contabilizadas adequadamente e os gerentes ou diretores não recebem uma avaliação fidedigna dos prejuízos causados por pragas urbanas. Muitos produtos são retornados aos fabricantes e, muitas vezes, esses últimos é que acabam assumindo os riscos.

Há um aliado importante que é o responsável pela limpeza do estabelecimento. Esse colaborador e sua equipe precisam participar ativamente desse trabalho, entender por que é tão necessária uma limpeza adequada, em todos os cantinhos e com a freqüência esperada.

Outro forte aliado é o responsável pela manutenção, aquele que vai executar os serviços preventivos necessários. Essa pessoa precisa trabalhar de comum acordo com essa equipe multidisciplinar para derrotar inimigos poderosos, que aprenderam a conviver com o homem, e mais, aprenderam que o homem se descuida, que deixa falhas que são rapidamente detectadas por esses organismos urbanos, infectantes e cuja presença pode pôr em risco campanhas publicitárias que custam muito dinheiro e a própria reputação do estabelecimento.

Somente esse grupo, atuando sintonizado, poderá produzir ações satisfatórias para o controle das pragas em Supermercados. 

Daí a necessidade de se aplicar o controle integrado realmente. Só ele dará os resultados que queremos.

Lucia Schuller
Bióloga e Mestre em Saúde Pública








quarta-feira, 18 de julho de 2018

Estado de São Paulo soma 11 mil ataques de escorpião


Número vem crescendo nos últimos anos. Eles entram nas casas atrás de baratas, que são seu principal alimento. Por isso, é importante deixar o ambiente sempre limpo. 
Em Cotia, alunos aprendem a se defender na escola

Mais de 11 mil casos de ataques de escorpião já foram registrados este ano, no Estado de São Paulo. Estima-se que são, em média, até duas ocorrências por hora. Se esse ritmo for mantido, será ultrapassada a marca de 2017, quando foram registrados 21,7 mil ataques, contra 18 mil, em 2016. Um ano antes, o número também havia sido menor, de 15 mil. De acordo com o biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT, MS), o problema em ambiente urbano é muito mais comum do que as pessoas imaginam.

“Escorpiões se alimentam de baratas, que são insetos domésticos. Eles invadem as casas atrás das baratas e depois acabam também buscando espaços onde se alojar”, explica. Segundo ele, nas grandes cidades a espécie mais perigosa é o escorpião amarelo (Tityus serrulatus), que se reproduz por partenogênese, ou seja, a fêmea se reproduz sozinha). A melhor maneira de evitar a visita desses aracnídeos é manter os lugares limpos, livres de entulhos. “No quintal de casa evite o acúmulo de telhas ou de tijolos, por exemplo.

Eles podem se esconder entre as frestas. E se perto de casa tiver algum terreno baldio, peça para que a prefeitura providencie a limpeza do local”, orienta. Se a pessoa for picada, a recomendação é procurar um serviço de atendimento médico o mais rápido possível. “Geralmente, primeiro é aplicado um medicamento para aliviar a dor provocada pela picada do escorpião. E depois, se for o caso, é aplicado o soro antiescorpiônico. “O medicamento neutraliza as toxinas do veneno circulante no corpo”, esclarece Puorto. A aplicação é geralmente indicada para crianças e idosos, considerados maior grupo de risco.

Fonte: http://webdiario.com.br


terça-feira, 10 de julho de 2018

Por demora em diagnóstico ou falta de antídoto, escorpiões passam a matar mais que cobras no Brasil


Escorpiões como o Tityus serrulatus colocam em risco sobretudo a vida de crianças menores de sete anos e idosos







O tratorista Valdomiro Vieira dos Santos Neto, 34 anos, sempre esteve atento às cobras. Trabalhador de uma usina de cana-de-açúcar na região de Miguelópolis (SP), ele sabe da ameaça venenosa que representa uma cascavel, por exemplo. Mas não imaginava que um bicho peçonhento muito menor teria o poder de devastar sua família. Há um mês, a picada de um escorpião causou a morte de Felipe, seu filho de 3 anos. O menino foi atacado na mão enquanto brincava com um caminhãozinho dentro de casa.

"A gente tem que evitar entrar em contato com um animal desses", disse Valdomiro, bastante abalado. "Mas eu não tinha essa instrução."

Responsável por 184 mortes no Brasil em 2017, o escorpião ultrapassou as serpentes no topo do ranking de animais peçonhentos que mais matam no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde. No mesmo ano, foram registrados 105 casos de morte por veneno de cobra.

De 2013 para cá, aumentou em 163% o número de óbitos causados por esse artrópode; naquele ano, eram apenas 70. A proporção no aumento das mortes é muito maior do que a dos casos notificados de escorpionismo, ou seja, situações em que o escorpião injeta veneno em uma pessoa através do ferrão, sem necessariamente levá-la à morte. Eles somaram 125.156 no ano passado, diante de 78.363 em 2013, um aumento de quase 60%.

Os Estados de São Paulo e Minas Gerais exibem a situação mais alarmante nas tabelas do Ministério da Saúde. Ambos registraram, respectivamente, 26 e 22 mortes por picada de escorpião em 2017.

'O caminhãozinho picou minha mão'
A mulher de Valdomiro, a dona de casa Camila de Oliveira Diniz, 28 anos, conta que, no dia em que seu caçula foi picado, o marido havia arrastado um armário para consertar uma das portas do móvel. Ela supõe que o escorpião, bicho que gosta de lugares escuros e úmidos, estivesse entocado ali atrás.

Assim que o menino reclamou que "o caminhãozinho tinha picado a mão", Valdomiro viu um escorpião amarelo de costas escuras subindo pela parede, perto do brinquedo. Matou o animal com um chinelo e o colocou num papel. Correu com o filho e o bicho para o pronto-socorro do município, a cerca de cinco minutos de carro da sua casa.

O pronto-socorro de Miguelópolis não tinha soro antiescorpiônico quando Felipe e seus pais chegaram ali, no dia 5 de junho, por volta das 15h. Eles foram então encaminhados em ambulância para Ituverava, a 35 quilômetros de distância, onde o menino foi medicado.

"Depois de tomar o soro, ele parecia bem, conversou, perguntou dos cachorros, a gente tinha certeza de que ia trazer ele pra casa", diz a mãe. Ela recorda que à noite, no entanto, ainda no hospital, o filho vomitou, começou a piorar. Ela logo percebeu que o estado de saúde dele se agravara por causa da movimentação da equipe médica. Felipe chegou a receber massagem cardíaca, mas seu corpo deixou de reagir à 1h da manhã. "Deus recolheu o Felipe", disse Camila.

O casal tem outros dois filhos, de 13 e 10 anos, e não se conforma com o fato de a cidade em que mora não dispor do antídoto. "Se o soro estivesse mais perto e mais à mão...", afirma a mãe. Lembrando que um rapaz, conhecido de Valdomiro, tinha tomado recentemente uma picada de escorpião na cabeça, completou: "Está cheio deles por aqui. Se eu posso dizer algo para os pais é que façam uma busca efetiva pela casa, dia sim, dia não, atrás dessa criatura."

Em entrevista à emissora EPTV no dia 6 de junho, a coordenadora de saúde do município de Miguelópolis, Adib Abrahão, reconheceu que há 15 anos a cidade não tem soro antiescorpiônico disponível para seus cidadãos, mas que estaria "vendo todo o protocolo" para adquirir o medicamento. A prefeitura não respondeu à BBC News Brasil para informar se providenciou o soro.

A população de Miguelópolis tem por prática colocar os escorpiões que mata em garrafas PET ou vidros com álcool. Suas coleções pessoais são arregimentadas no banheiro, na cozinha, na área de serviço, nas dobras de lençóis e mosquiteiros, no meio do lixo ou do material de construção estocado perto ou dentro de casa. A maioria dos casos é de picadas nos pés e nas mãos, seguidas de dor intensa no local, que costuma irradiar para os membros. Por vezes, aparecem vermelhidão, inchaço e/ou febre, sintomas ainda considerados leves.

Em casos mais graves, porém, o quadro pode evoluir para náuseas, vômitos, dor abdominal, sudorese excessiva, taquicardia, salivação fora do normal, agitação ou prostração, perda do controle cognitivo, insuficiência cardíaca, edema pulmonar e choque. "O veneno do escorpião tem uma ação neurotóxica, afetando o sistema nervoso central", diz a bióloga Gabriela Cavalcanti, que trabalhou com escorpiões durante toda a sua graduação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A recomendação, em caso de ferroada, é procurar o serviço de saúde mais próximo. Limpar o local da picada com água e sabão pode ser uma medida auxiliar, desde que não atrase a ida da pessoa ao posto de atendimento. Não se deve fazer torniquete, aplicar qualquer substância no ponto da picada nem fechá-lo com curativo, para não favorecer infecções.

Pernambuco, onde mora Cavalcanti, é o terceiro Estado com maior número de mortes por picada de escorpião. No ano passado foram 9 delas, segundo relatório epidemiológico do Ministério da Saúde.

Onde tem barata, tem escorpião



Em janeiro de 2018, um menino, também de 3 anos, teria sido vítima do animal peçonhento enquanto assistia à televisão sentado no sofá de casa, em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife. A mãe não entendeu, de imediato, o porquê do choro da criança. Só quando um dos dedinhos do garoto passou a ficar roxo ela o levou para o hospital. Moradores do bairro em que mora a família do garoto, Cajueiro Seco, afirmaram ser comum flagrar o bicho nas residências, onde também se multiplicam baratas, para as quais pouco se dá bola.

"Mas onde prolifera barata, tem escorpião", afirma a infectologista Fan Hui Wen, gestora responsável pelo Laboratório de Artrópodes e pelo Núcleo Estratégico de Venenos e Antivenenos do Instituto Butantan, em São Paulo. Baratas são um dos alimentos preferidos dos escorpiões.


A espécie 'Tityus stigmurus', comum no Nordeste; velocidade de ação do veneno varia de pessoa para pessoa, mas às vezes a morte pode ocorrer após apenas 2 horas da picada




Com especialização em saúde pública, a médica cansou de ver casos em que houve demora no diagnóstico por problemas de comunicação com crianças pequenas - que ainda não conseguem verbalizar o que teria causado o incômodo que sentem. Só quando começam a vomitar, por exemplo, é que os pais procuram o pronto atendimento. "No entanto, às vezes o soro antiescorpiônico não está previsto naquele lugar, os profissionais de saúde não sabem onde tem, fica-se batendo cabeça e, quando vai ver, já é tarde", completa.

A velocidade de ação do veneno varia de pessoa para pessoa, mas a vítima pode morrer duas horas depois de picada. "Um dos motivos pelos quais o óbito por animal peçonhento choca muito é por ser abrupto", diz Wen. "A pessoa está bem, brincando ou trabalhando, e de uma hora para outra entra num quadro agudo."

Crianças abaixo de 7 anos e idosos com saúde debilitada são os que exigem mais atenção, por apresentarem maior risco de alterações sistêmicas. Trabalhadores da construção civil, de madeireiras e de distribuidoras de hortifrutigranjeiros também estão mais vulneráveis ao ataque porque manuseiam objetos e alimentos nos quais o escorpião pode se alojar.

Motivo principal da disseminação de escorpiões é a ocupação irregular e desordenada das cidades, agregada a um saneamento básico precário e a toneladas de lixo

Compra de doses

O Ministério da Saúde informa que foram firmados contratos com os Institutos Butantan e Vital Brazil para o fornecimento de 62 mil frascos do soro antiescorpiônico para todo o país neste ano. O Butantan, em São Paulo, responderia por 44 mil frascos (70,97% do total) e o Vital Brazil, com sede em Niterói, pelos 18 mil restantes. Segundo a pasta, o ministério passa os frascos para os governos, que os repassam aos municípios.

A médica Wen destaca, ainda, que o Butantan recebeu a encomenda ministerial de 35 mil frascos de soro antiaracnídico, um combinado que neutraliza picadas de escorpião e de duas aranhas venenosas, a marrom (Loxosceles) e a armadeira (Phoneutria). Uma pessoa picada por escorpião pode tanto receber o antiescorpiônico quanto o antiaracnídico, mas o inverso não funciona. "Nesse caso, a prioridade do antiaracnídico é para as picadas de aranhas", atesta. Em 2017, segundo dados do Ministério da Saúde, foram notificados 32.859 casos de acidentes com aranhas, culminando em 30 mortes.

Wen insiste que nem todos os casos de escorpionismo evoluirão para um quadro sistêmico. Cerca de 15% precisarão do soro, justamente por apresentarem os sintomas mais graves. Quando isso se manifesta, recomenda-se usar três frascos por paciente.

Inseticidas não ajudam a combater escorpiões, pelo contrário: não só podem afetar cachorros e gatos, como desalojar os escorpiões de seus esconderijos e aumentar o número de acidentes

"Tem de ser de uma vez só. Não adianta neutralizar metade e, daqui a três horas, aplicar o soro novamente, porque o restante do veneno que ficou circulando no corpo vai continuar agindo." Por ser uma medicação intravenosa, é necessário que seja ministrado em ambiente hospitalar, cuja equipe precisa avaliar se, além do soro, é recomendável um cuidado adicional.

"Muitas pessoas pensam que o soro faz milagre, mas às vezes o paciente chega em estado grave e pode ser necessário administrar medicamentos para elevar a pressão ou mesmo uma ventilação artificial até o soro fazer efeito", afirma a infectologista.

O soro é produzido a partir do veneno do próprio escorpião. No Butantan, a fonte são cerca de 15 mil desses aracnídeos, todos alimentados em cativeiro. A imensa maioria, 99% deles, pertence à espécie Tityus serrulatus, a mais comum no Sudeste, exatamente a que teria atacado Felipe. Mas o soro funcionaria também para o Tityus stigmurus, que predomina no Nordeste do país. Ambos têm uma carapaça amarelada.

Proliferação urbana

Gabriela Cavalcanti explica que um dos motivos da multiplicação acelerada do serrulatus e do stigmurus é que eles podem se reproduzir tanto pela forma sexuada quanto por partenogênese, isto é, quando a fêmea não necessita do macho para originar filhotes. A segunda maneira, segundo a bióloga, é a preferencial dos animais nos centros urbanos pela eficácia no ambiente.

"A prole nasce idêntica à mãe, são portanto todas fêmeas, e com a mesma capacidade de se reproduzirem sozinhas", diz a bióloga. Um exemplar dessas espécies vive, em média, quatro anos. Cada fêmea pode gestar três a quatro vezes ao ano, e cada prole de serrulatus chega até a 20 filhotes. A taxa de natalidade do stigmurus é mais baixa: de 8 a 14 filhotes.

Para os especialistas, o motivo principal da disseminação desses animais no país é a ocupação irregular e desordenada das cidades, agregada a um saneamento básico precário e as toneladas de lixo que se alastram pelo meio urbano.

A preservação de inimigos naturais dos escorpiões, como corujas, lagartos, sapos e galinhas, está no rol das prevenções efetivas apontadas pelos especialistas. Já os inseticidas, por outro lado, são condenados. Borrifá-los pela casa não só pode afetar cachorros e gatos, como desalojar os escorpiões de seus esconderijos e aumentar o número de acidentes.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Infectologista condena "onda insensata de medo de vacinas"

Imunização é obrigatória no Brasil porque é a estratégia para a erradicação de doenças, explica médica

Mais uma vez, a campanha de vacinação para Influenza não alcança o objetivo. Nós, brasileiros, que temos tantos motivos para reclamar da saúde, da corrupção, dos roubos, deixamos de aproveitar o que funciona bem em nosso país. A epidemia de febre amarela só pôde ser controlada com a vacinação em massa. Quem dera que durante a pandemia de gripe de 1918, tivéssemos a vacina de Influenza disponível; 35 mil brasileiros morreram por falta dela. A poliomielite, a rubéola, a difteria, não nos preocupam mais, mas o sarampo está de volta.

Desde 2000, a vacina pneumocócica ajudou a diminuir os casos graves em quase 90%. Como sonhamos no passado com a vacina contra a meningite meningocócica! A vacina contra o HPV, que protege contra o câncer de útero, também disponível, não alcança seu objetivo. Será que nosso complexo de vira-lata mais uma vez nos faz copiar as ideias do continente europeu, onde uma onda insensata de medo de vacinas está fazendo retornar os casos de sarampo, inclusive com óbitos?

A vacinação protetora começa na gestação, e não só para a futura mamãe. Hoje, indicamos vacinas nos familiares que estarão próximos ao recém-nascido; continua para a criança, para o adolescente, para o adulto e para o idoso. Sem contar a vacinação para pacientes que se submetem a determinados tratamentos que diminuem a imunidade ou em portadores do HIV. Se sonhamos com um país livre da hepatite B, é porque a primeira dose é dada à criança ao nascer, ainda na maternidade.

Vacinação em nosso país é obrigatória porque essa é a estratégia para erradicação das doenças preveníveis. Nenhuma vacina tem 100% de eficácia, por isso, se seu filho estiver entre estes, ele se beneficiará da vacinação de todos (efeito rebanho).

Delia Celser Engel é médica infectologista

Fonte: 

https://avozdaserra.com.br/noticias/infectologista-condena-onda-insensata-de-medo-de-vacinas


sexta-feira, 8 de junho de 2018

Mais de mil cidades podem ter surto de dengue, zika e chikungunya



Ao todo, 5.191 municípios realizaram algum tipo de levantamento que classifica o risco de aumento das doenças causadas pelo Aedes aegypti.

O novo Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) indica que 1.153 municípios brasileiros (22%) apresentaram um alto índice de infestação, com risco de surto para dengue, zika e chikungunya.

O Ministério da Saúde alerta a necessidade de intensificar as ações de combate ao Aedes aegypti, mesmo durante o outono e inverno, em todo o país. Ao todo, 5.191 municípios realizaram algum tipo de monitoramento do mosquito transmissor dessas três doenças, sendo 4.933 por levantamento de infestação (LIRAa/LIA) e 258 por armadilha. A metodologia da armadilha é utilizada quando a infestação do mosquito é muito baixa ou inexistente.

“O resultado do levantamento indica que é necessário dar mais atenção nas ações de combate ao mosquito. A prevenção não pode ser interrompida, mesmo no período mais frio do ano”, alertou o secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Osnei Okumoto. Segundo o secretário, a continuidade das ações é importante para manter baixos os índices de infestação, justamente para quando chegar a época de maior proliferação. “Assim será possível manter a redução do número de casos” explicou o secretário.

Além das cidades em situação de risco, o levantamento identificou 2.069 municípios em alerta, com o índice de infestação predial (IIP) entre 1% a 3,9% e 1.711 municípios com índices satisfatórios, inferiores a 1%. No total, 20 capitais realizaram o Levantamento Rápido de Índices por Aedes aegypti (LIRAa), duas capitais fizeram por armadilha e 5 não enviaram informações. Apenas três capitais estão com índice satisfatório: São Paulo (SP), João Pessoa (PB) e Aracaju (SE). Duas capitais estão em risco: Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC). Quinze capitais estão em alerta: Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE), Porto Velho (RO), Palmas (TO), Maceió (AL), Salvador (BA), Teresina (PI), Recife (PE), Brasília (DF), Vitória (ES), São Luis (MA), Belém (PA), Macapá (AP), Manaus (AM) e Goiânia (GO).

As capitais Boa Vista (RR), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Campo Grande (MS) não enviaram informações. Os municípios de Natal (RN) e Porto Alegre (RS) realizaram levantamento por armadilha. Os dados foram coletados no período de janeiro a 15 de março.

O Levantamento Rápido de Índices por Aedes aegypti (LIRAa), é um instrumento fundamental para o controle do vetor e das doenças (dengue, zika e chikungunya). Com base nas informações coletadas, o gestor pode identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito, bem como o tipo de criadouro predominante. O objetivo é que, com a realização do levantamento, os municípios tenham melhores condições de fazer o planejamento das ações de combate e controle do mosquito.

CRIADOUROS

A metodologia permite identificar onde estão concentrados os focos do mosquito em cada município, além de revelar quais os principais tipos de criadouros predominantes. Os resultados reforçam a necessidade de intensificar imediatamente as ações de prevenção contra a dengue, zika e chikungunya, em especial nas cidades em risco e em alerta.
O armazenamento de água no nível do solo (doméstico), como tonel, barril, foi o principal tipo de criadouro na região nordeste. Nas regiões norte, sul e centro oeste, o maior número de depósitos encontrados foi em lixo, como recipientes plásticos, garrafas PET, latas, sucatas e entulhos de construção. Na região Sudeste predominaram os depósitos móveis, caracterizados por vasos/frascos com água, pratos e garrafas retornáveis.

AÇÕES

As ações de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti são permanentes e tratadas como prioridade pelo Governo Federal. Desde a identificação do vírus zka no Brasil e sua associação com os casos de malformações neurológicas, o governo mobilizou todos os órgãos federais (entre ministérios e entidades) com a criação da Sala Nacional de Coordenação e Controle (SNCC) para combate ao Aedes, coordenada pelo Ministério da Saúde, que orienta e articula ações contínuas ao longo do ano com governos estaduais e municipais para combate ao vetor e monitora a situação epidemiológica e as atividades para enfrentamento do mosquito.   

Para isso, o Ministério da Saúde tem garantido orçamento crescente aos estados e municípios. Os recursos para as ações de Vigilância em Saúde, que inclui o combate ao Aedes aegypti, cresceram nos últimos anos, passando de R$ 924,1 milhões em 2010 para R$ 1,94 bilhão em 2017. Para 2018, a previsão é que o orçamento de vigilância em saúde para os estados chegue a R$ 1,9 bilhão. Este recurso é destinado à vigilância das doenças transmissíveis, entre elas dengue, zika e chikungunya. O recurso é repassado mensalmente a estados e municípios.

CASOS DE DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA

Em 2018, até 21 de abril, foram notificados 101.863 casos prováveis de dengue em todo o país, uma redução de 20% em relação ao mesmo período de 2017 (128.730). Também houve queda expressiva no número de óbitos. A redução foi de 44%, passando de 72 em 2017 para 40 em 2018.

Em relação à chikungunya, foram registrados 29.675 casos prováveis de febre chikungunya. A redução é de 65% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 86.568 casos. Em 2018, houve 4 óbitos confirmados laboratorialmente. Em 2017, no mesmo período, foram 83 mortes.
Também foram registrados 2.985 casos prováveis de Zika em todo país, uma redução de 70% em relação ao mesmo período de 2017 (10.286). Neste ano, foi registrado um óbito pela doença.

Por Camila Bogaz, da Agência Saúde
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Publicado: Quinta, 07 de Junho de 2018, 11h29 Última atualização em Sexta, 08 de Junho de 2018, 10h22 @ Receba em seu email

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Pombos sendo alimentados no Paquistão e flagrantes de Dubai


Homem joga grãos de lentilha para alimentar a enorme quantidade de pombos que se aglomera em uma praça de Karachi, no Paquistão. Na região existe a crença que dar comida aos pombos traz boa sorte.
Foto : Agencia Reuters

Meu comentário:

Infelizmente certas sociedades ainda acreditam em algumas idéias que só prejudicam a saúde do povo. Alguns países onde há alta imigração desses povos, tais como Dubai, por exemplo, também sofrem com a infestação dessas aves. As fotos abaixo são de minha autoria e foram tiradas no centro velho de Dubai nde há grande concentração de imigrantes paquistaneses e indianos.



Os apartamentos no centro da cidade de Dubai muito frequentados por pombosnão possuem nenhuma proteção anti pombos, o que pode evidenciar que há falta de profissionais que atuem nessa tarefa ou que os moradores desta região não se afligem com a presença de pombos em suas casas ou apartamentos.



calçada em frente a restaurante no centro de Dubai com grandes quantidade de fezes de pombos

calçada com muito residuo de pombos

O pavimento das calçadas mostra um grande acúmulo de fezes e não percebi durante operiodo em que fotografei nenhuma atitude por parte dos comerciantes em limpar esses resíduos das calçadas.

Criança de oito anos é envenenada com chumbinho


Meu comentário:

De alguma forma esse produto que já foi retirado do mercado pela Bayer há alguns anos continua fazendo vítimas. Dessa vez foi um "acidente" provocado, o que não deixa de ser um aviso aos que usam essa porcaria como raticida. Um acidente real pode acontecer facilmente ao usar este produto. Controle de ratos requer ações preventivas, corretivas e o raticida só deve ser aplicado por empresas com responsabilidade e expertise.
Lucia Schuller




De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, o autor seria um homem com o qual a mãe teve um relacionamento

Veneno estava misturado ao achocolatado da criança (Foto: Arquivo Pessoal) 
Uma criança de oito anos foi parar no hospital na manhã de sábado (02), após ter sido envenenada com chumbinho em Mogi Mirim. De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, o autor seria um homem com o qual a mãe teve um relacionamento. A vítima, apesar do susto, passa bem. 

De acordo com o boletim de ocorrência, o suspeito esteve na casa da mulher, e enquanto ela estava no banho, ficou sozinho. Na sequência, a criança tomou o leite com achocolatado e começou a passar mal. 

A mãe da vítima relatou que o achocolatado já estava aberta, e sua filha tinha feito uso antes, portanto, não pode ter vindo estragado de fábrica. Além disso, é possível ver uma substância diferente no meio do produto. 

De acordo com o laudo médico, a criança apresentou mal estar generalizado, com vômitos e diarreia aguda. Ela permaneceu o dia sob observação no Hospital 22 de Outubro, e recebeu alta na noite, já recuperada.  

O chumbinho é um produto clandestino, irregularmente utilizado como raticida. Não possui registro na Anvisa, nem em nenhum outro órgão de governo

A Polícia Civil apreendeu o material e mandou para perícia. 

Fonte: ACidadeON/Campinas