segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Estudo mostra como vírus transmitido por mosquito se replica na célula


O mecanismo de replicação do vírus oropouche, de ocorrência no Norte do País, tem semelhanças com o do HIV

Pesquisadores acreditam que a febre oropouche é uma doença subnotificada, sendo muitas vezes confundida com outras transmitidas por insetos no Norte do País. Apesar de ser considerada de baixa gravidade, ainda não se sabe quais as consequências da infecção para o sistema nervoso no longo prazo.
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A febre oropouche é uma doença transmitida por mosquitos, de ocorrência em regiões como o Norte do Brasil, produzindo sintomas parecidos com os da dengue. Pesquisadores da USP descreveram pela primeira vez a estratégia usada pelo vírus oropouche para se replicar dentro de células humanas. Os resultados estão em artigo com colaboradores publicado na revista PLOS Pathogens.

Como mostra o estudo, logo após invadir a célula, o patógeno “sequestra” a organela conhecida como complexo de Golgi, que se transforma em uma verdadeira fábrica de vírus. Para isso, o oropouche recruta complexos proteicos da célula hospedeira chamados ESCRT (pronuncia-se “escort”), que têm a capacidade de deformar a membrana da organela, permitindo a entrada do genoma viral.

“Essa forma de sequestro do complexo de Golgi, por meio do uso de proteínas ESCRT, nunca havia sido demonstrado para nenhum outro vírus. É uma descoberta que aponta novos alvos a serem explorados na tentativa de barrar a infecção”, disse Natalia Barbosa, doutoranda na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e primeira autora do artigo. O trabalho é coordenado por Eurico Arruda e Luis L. P. da Silva, membros do Centro de Pesquisa em Virologia da FMRP e coautores do artigo.

De acordo com Silva, muito pouco é conhecido sobre os mecanismos de replicação dos vírus da família Peribunyaviridae, à qual pertence o oropouche.

“São patógenos importantes do ponto de vista da saúde pública. No Brasil, apenas o oropouche causa doenças, mas em outras regiões do mundo também são endêmicos o vírus da encefalite de La Crosse e o Crimeia-Congo, causador de febre hemorrágica. Há também membros dessa família que causam doenças em gado”, disse.

No caso do oropouche, os sintomas são parecidos com os da dengue: dores nas articulações, na cabeça e atrás dos olhos, além de febre aguda. A diferença é que em cerca de metade dos casos ocorre uma recidiva da doença após a melhora dos sintomas.

O vírus é transmitido por um mosquito de hábitos urbanos, o Culicoides paraensis, popularmente conhecido como borrachudo ou maruim. Estima-se em mais de meio milhão os casos de infecção por oropouche em surtos ocorridos em vilarejos e cidades da Amazônia, mas ele tem aparecido também em outras regiões do País, sendo considerado por especialistas um vírus emergente.

“Certamente essa doença é subnotificada, sendo muitas vezes confundida com outras arboviroses. É considerada de baixa gravidade, mas o preocupante é que ainda não sabemos quais as possíveis consequências da infecção para o sistema nervoso no longo prazo”, disse Silva.

Em experimentos in vitro, o grupo da FMRP observou que o vírus é capaz de infectar neurônios de camundongos e hamsters. Agora tentam reproduzir o experimento com células nervosas humanas.

“Aparentemente, o oropouche é capaz de infectar diversos tipos celulares, ou seja, consegue interagir com diferentes receptores encontrados na superfície das células humanas. Mas ainda não conhecemos quais são os receptores usados por nenhum membro da família Peribunyaviridae”, disse Silva.

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Metodologia
Para desvendar os mecanismos de replicação do oropouche, os pesquisadores fizeram experimentos in vitro com uma linhagem de células HeLa, a mais antiga e a mais usada em laboratórios, derivadas de células de um tumor de colo de útero humano.

“Assim que as células são infectadas, o vírus começa a produzir proteínas que atraem os complexos ESCRT da hospedeira para a membrana externa do complexo de Golgi. Essas proteínas ESCRT então pressionam a membrana da organela em direção ao interior e levam consigo o genoma viral. Desse modo o vírus brota para dentro do complexo. O mais provável é que, após algum tempo, essa organela modificada e cheia de vírus acabe se fundindo com a membrana plasmática e liberando os patógenos para o meio extracelular”, disse Silva.

Era sabido que outros vírus são capazes de recrutar a maquinaria ESCRT para se replicar, entre eles o HIV. O patógeno causador da Aids usa essas proteínas para atravessar a membrana plasmática, que separa o meio intracelular do meio extracelular. “Mas esse mecanismo nunca havia sido descrito para a invasão do complexo de Golgi por vírus”, disse Silva.

Constituída por dobras de membranas e vesículas, essa organela tem como função primordial o processamento, armazenamento e distribuição de proteínas.

“Não sabemos ao certo qual é a consequência do sequestro do complexo de Golgi para a célula hospedeira. Mas cerca de 36 horas após serem infectadas as células HeLa morrem”, disse Silva.

Em estudo anterior, coordenado por Arruda, o grupo havia mostrado que o oropouche é capaz de produzir uma proteína – chamada NSs – que induz a célula hospedeira a entrar em um processo de morte programada conhecido como apoptose.

“Essa não é uma proteína que faz parte da estrutura do vírus e não sabemos qual é a vantagem para o patógeno em matar a célula hospedeira por apoptose, mas pode ser resultado de um mecanismo de defesa. A proteína NSs é isoladamente capaz de causar apoptose, e poderia vir a ser explorada, por exemplo, para matar células tumorais”, disse Arruda.

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Possíveis alvos
Em um dos ensaios descritos no artigo da PLOS Pathogens, os pesquisadores manipularam células HeLa para elas não mais expressarem uma importante proteína do complexo ESCRT: a Tsg101. Para isso, usaram uma técnica conhecida como RNA de interferência, que consiste em inserir na célula uma pequena molécula de RNA que impede a expressão do gene de interesse.

“Essa intervenção tornou as células HeLa mais resistentes à infecção pelo oropouche. Elas demoram mais para morrer e ficam com uma carga viral bem mais baixa. Existem drogas experimentais que inibem a Tsg101 e vamos agora testar contra o oropouche”, disse Silva.

Por se tratar de uma proteína importante para o funcionamento da célula humana normal, ponderou Silva, talvez não seja possível usar no tratamento de pacientes drogas inibidoras de Tsg101 ou de outros membros do complexo ESCRT. O risco de efeitos adversos é alto.

“Mas é possível que exista uma molécula capaz de inibir a interação do vírus com a proteína humana sem barrar a atividade de Tsg101 na célula. É algo que ainda precisa ser estudado”, disse.

Outro objetivo do grupo é investigar quais são as proteínas produzidas pelo oropouche para recrutar o complexo ESCRT. “Elas também seriam potenciais alvos a serem explorados para barrar a infecção”, disse Silva.

O artigo ESCRT machinery components are required for Orthobunyavirus particle production in Golgi compartments, de Natalia S. Barbosa, Leila R. Mendonça, Marcos V. S. Dias, Marjorie C. Pontelli, Elaine Z. M. da Silva, Miria F. Criado, Mara E. da Silva-Januário, Michael Schindler, Maria C. Jamur, Constance Oliver, Eurico Arruda e Luis L. P. da Silva, pode ser lido em: http://journals.plos.org/plospathogens/article?id=10.1371/journal.ppat.1007047

Adaptado de Karina Toledo / Agência Fapesp

Por Redação - Editorias: Ciências Biológicas, Ciências da Saúde

fonte: www.jornalusp.br

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O que é Ser Biólogo, Concurso do CRBIO 1


Estudo identifica Amazônia como origem do mais recente surto de febre amarela no Brasil

















Um grupo de cientistas confirmou a origem do surto de febre amarela que, entre dezembro de 2016 e março de 2018, matou 676 pessoas no país e deixou mais de 2 mil doentes. O ponto de início da transmissão do vírus, de acordo com estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science, foi a região amazônica.

Surto recente de febre amarela foi caracterizado pela transmissão silvestre da doença, por insetos do gênero Haemagogus e Sabethes

"Demonstramos que a fonte da epidemia veio de isolado viral proveniente do Norte do Brasil. Também concluímos que o vírus chegou a Minas Gerais no início de 2016 e, dali, se espalhou dentro do Estado e para os Estados vizinhos a uma velocidade média de 4,25 km por dia", diz o biólogo Luiz Carlos Júnior Alcântara, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e um dos autores do levantamento.


Para ele, a explosão do número de casos da doença não foi consequência direta do grave acidente ambiental do rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais, em 2015 - umas das hipóteses com as quais trabalhavam.

"Os resultados apresentados não mostram nenhuma relação com o incidente da Samarco", afirmou Alcântara à BBC News Brasil.
















Origem
"Baseado em um novo método para analisar dados epidemiológicos e nos dados genéticos analisados em Minas Gerais, descobrimos que, apesar de ser o maior surto que o Brasil vivenciou em mais de 100 anos, ele foi caracterizado por uma transmissão silvestre, em que todos os casos em humanos eram, no fundo, resultado de uma picada de um mosquito silvestre que existe predominantemente em florestas e áreas rurais", resumiu Alcântara.


O vírus da febre amarela tem dois ciclos epidemiológicos. No silvestre, os macacos são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus - não por acaso, na época do auge do surto no Brasil, o maior em cem anos, foram dezenas de casos de macacos mortos encontrados em parques.

Neste caso, em regiões de mata, insetos - em geral dos gêneros Haemagogus e Sabethes - picam os primatas e eles podem transmitir a doença a seres humanos que vivam na região.

Já na cidade, o mais comum é que a transmissão ocorra pelo mosquito Aedes aegypti, conhecido por transmitir dengue e zika. Neste tipo de contaminação, o inseto passa o vírus de um humano para outro. O último surto de febre amarela urbana no Brasil aconteceu em 1942.














Macacos servem de hospedeiros do vírus da doença


Panorama
"A floresta amazônica é uma região 'reservatório', onde o vírus da febre amarela parece ter estabelecido um ciclo silvestre há algumas décadas. Os surtos de febre amarela acontecem em ciclos de 7 ou 14 anos, dependendo das regiões", explicou à BBC News Brasil o biólogo Nuno Rodrigues Faria, pesquisador da Universidade de Oxford e o coordenador do estudo.

"E o norte do Brasil muitas vezes parece ser a origem das novas linhagens virais que causam surtos em Minas Gerais (por exemplo, nos surtos de 1934 e de 2004). É possível que existam outras espécies de animais envolvidas, e se quisermos eliminar surtos futuros é essencial entender como é que o vírus consegue persistir na floresta amazônica entre períodos de silêncio epidemiológico."

Alcântara ressaltou que os casos de macacos infectados foram "mais dispersos" geograficamente do que os de humanos infectados. "O maior número de casos foram nas cidades de Teófilo Otoni (MG) e Manhuaçu (MG), que estão muito distantes (entre si)", pontua o pesquisador.














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Febre amarela urbana é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti; não há surtos desse tipo desde a década de 1940
O estudo demonstrou também que existiu associação temporal e espacial entre os casos em humanos e macacos - o que, segundo os pesquisadores, é característica da transmissão silvestre.

"Antes desta nossa atuação, só existiam 19 genomas do vírus da febre amarela detectados no Brasil. Em duas semanas, nós fizemos o sequenciamento de 50 genomas, utilizando um sequenciador menor que um celular. Desenvolvemos um protocolo para gerar estes genomas em tempo real, e fazendo vigilância genômica em curto espaço de tempo, útil para o Ministério da Saúde e para a Organização Mundial da Saúde."

Os pesquisadores também identificaram que a maior parte dos contaminados (85%) foram homens, mais um indício de que a transmissão tenha sido silvestre e não urbana. "Porque nas áreas rurais os homens têm maior atividade fora das casas em contato com áreas onde existem macacos e provavelmente os mosquitos transmissores", explicou Alcântara.

Essas descobertas, conforme acreditam os pesquisadores, poderão ajudar nas estratégicas de combate ao vírus da febre amarela, à medida que elas demonstram como ocorre a transmissão hoje em dia. Com o sequenciamento de DNA e uma intensa análise computacional, os cientistas conseguiram traçar a composição genética do vírus.

Além de identificar padrões etários - a maior parte dos afetados tinha entre 35 e 54 anos -, de gênero - 85% da incidência foi sobre homens - e a distribuição geográfica dos casos em humanos.

"O Brasil tem uma longa história de surtos de febre amarela e também uma forte linha de pesquisa sobre o vírus. Por exemplo, o país foi pioneiro na vacina extremamente eficaz contra febre amarela", ressaltou Faria.

"Os primeiros surtos conhecidos de febre amarela no Brasil são de 330 anos atrás, no Recife, em Pernambuco. Contudo, é a primeira vez que estudamos a origem e a dispersão do vírus durante o surto, recorrendo a dados genômicos gerados no país."

O surto recente
Devido à dimensão do surto recente, era grande a preocupação de que o vírus pudesse se espalhar pela transmissão urbana, o que não aconteceu. O último surto de febre amarela urbana no Brasil aconteceu na década de 1940.

"Embora houvesse condições para a transmissão urbana, felizmente esta não ocorreu", comentou o cientista Faria.

"Por meio da reconstrução da história evolutiva do vírus em humanos e em primatas não humanos, descobrimos que o surto emergiu em primatas não humanos em Minas Gerais no final de julho de 2016, vindo das regiões do norte ou centro-oeste do Brasil, possivelmente resultado do transporte de mosquitos infectados em caminhões ou até mesmo de tráfico ilegal de primatas não humanos", afirmou Alcântara.















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Vacinação contra febre amarela não atingiu a meta de imunização da população-alvo
Se a transmissão fosse urbana, no entendimento de gestores de saúde pública, a epidemia poderia se configurar muito mais grave, sobretudo em megacidades como São Paulo e Rio.

Existe vacina contra a febre amarela, e a mesma já era aplicada no país. No início do surto, devido aos baixos estoques, a imunização em larga escala foi feita sobretudo em regiões endêmicas e provocou longas filas nos postos de saúde.

A oferta foi ampliada para todo o país, mas, passado o período crítico, a população foi deixando de procurar a vacina - São Paulo, por exemplo, imunizou apenas metade dos 9,2 milhões que faziam parte de sua população-alvo.

Para o professor de doenças infecciosas da Universidade de Oxford Oliver Pybus, o grande desafio é que o vírus da febre amarela vem em ondas. "Nunca poderemos eliminá-lo completamente", pontuou.

É por isso que imunologistas ressaltam a importância de imunizar o maior percentual possível da população, para evitar que um surto aconteça nos períodos em que a doença costuma aparecer.

"O problema é que ainda não entendemos o suficiente sobre o comportamento complexo do vírus em populações animais. Precisamos dessas informações para controlar futuros surtos. Só assim conseguiremos vacinar as pessoas certas, nos lugares certos, na hora certa."

"Nosso estudo mostra que o surto de 2016 a 2018 na região sudeste do Brasil - o maior surto em mais de 100 anos - resultou de uma introdução de uma estirpe de febre amarela que veio, em ultima analise, da região Amazônica, onde o vírus circula silenciosamente. Depois de introduzido em Minas Gerais, o vírus espalhou-se rapidamente em populações locais de mosquitos silvestres e primatas não humanos em direção as grandes cidades de São Paulo e Rio de Janeiro", resumiu Faria.

"As nossas análises mostram que os casos de febre amarela que ocorreram em populações humanas foram ocupacionais, ou seja, ocorreram em indivíduos predominantemente do sexo masculino, maioria trabalhadores rurais com atividades ocupacionais que viviam em media a 5 km de áreas florestais e que infelizmente não tinham sido vacinados."

Alcântara acredita que o trabalho realizado por sua equipe pode se tornar uma ferramenta importante no combate a outros surtos no futuro.

"Introduzimos, pela primeira vez, um conjunto de métodos e técnicas que irão ajudar a caracterizar mais rapidamente, em tempo real, futuros surtos no mundo", disse.

"Este é o primeiro passo para que se possa prever quando e onde irão surgir futuros surtos."

Edison Veiga
De Milão para a BBC News Brasil
23 agosto 2018

Direito de imagem   AFP/GETTY IMAGES

Reprodução do artigo autorizada pela BBC desde que seja citada a origem do conteúdo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Zika: circulação do vírus começou meses antes da detecção de casos Diversos mosquitos do tipo aedes aegypti


Por: Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)*

Após decodificar 110 genomas do vírus zika a partir de amostras de pacientes e mosquitos de dez países e territórios das Américas, pesquisadores apontam que o microrganismo circulou por meses sem ser detectado em diversos locais do continente. Divulgado na revista Nature o estudo apresenta o maior banco de sequências genéticas do patógeno já publicado. A análise desse conjunto, juntamente com outros 64 genomas disponíveis na literatura científica, indica que o zika desembarcou no Brasil entre agosto de 2013 e julho de 2014, sendo o período mais provável em fevereiro. Ou seja, cerca de um ano antes de os primeiros casos serem identificados, em abril de 2015. A partir do país, o vírus se espalhou pelas Américas, e o padrão se repetiu: mesmo com a chegada do agravo ao continente confirmada no Brasil, o zika passou despercebido por 4,5 a 9 meses em países como Porto Rico, Colômbia, Honduras e na região do Caribe, incluindo República Dominicana, Jamaica e Haiti.

O estudo foi coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Instituto Broad, ligado ao Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) e à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais. No Brasil, a colaboração envolveu o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz (CDTS), Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). O trabalho contou com apoio Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

A publicação na revista Nature ocorre simultaneamente com outros dois trabalhos que investigam a genética do zika. Juntas, as três pesquisas apresentam cerca de 200 genomas em circulação nas Américas, ampliando significativamente o conhecimento sobre como o surto da doença se espalhou. “Até agora, tínhamos pouca informação sobre a diversidade genética do vírus que circulou durante a emergência de saúde pública. Os novos dados permitem compreender o padrão temporal e geográfico de disseminação do zika e apontam questões importantes para o monitoramento da doença no futuro”, afirma Thiago Moreno L. Souza, pesquisador do CDTS e um dos autores do estudo. “A percepção de que o zika circulou durante meses em diversos países sem ser identificado traz questões importantes sobre a capacidade de detecção precoce de doenças emergentes. Esse resultado reforça a importância da vigilância epidemiológica ativa acoplada a técnicas moleculares de diagnóstico e sequenciamento genético, de forma que situações como essa sejam percebidas antes de levarem a epidemias”, completa Fernando Bozza, pesquisador do INI/Fiocruz e do ID’Or, também autor do trabalho.

Os autores ressaltam ainda que a colaboração científica foi fundamental para os resultados alcançados. “Esse trabalho confirma a capacidade de cooperação nacional e internacional da ciência brasileira e mostra que as redes colaborativas de pesquisa têm a capacidade de trazer uma visão mais abrangente para os estudos científicos”, ressalta Patrícia Bozza, chefe do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC/Fiocruz, também autora da pesquisa.

Barreira superada

A dificuldade para realizar o sequenciamento genético do zika a partir de amostras de sangue ou urina de pacientes é um dos principais motivos para o baixo volume de genomas decodificados anteriormente. Diferentemente de outros vírus, como o ebola ou o dengue, o zika circula em baixos níveis no organismo e por um curto período de tempo. Diante da pequena quantidade de partículas virais presentes nas amostras, os pesquisadores utilizaram técnicas recentes que permitem amplificar o material genético mesmo nas condições adversas para a análise apresentadas no caso do zika. Dessa forma, foi possível realizar o sequenciamento dos genomas em 110 das 229 amostras analisadas. A abordagem permitiu ainda dispensar a etapa de isolamento viral, feita por meio da incubação em culturas de células – procedimento que consiste em colocar as amostras contendo o vírus em contato com células, para que estas sejam infectadas e o microrganismo se replique. “Quando o vírus se replica em cultura de células, ele pode sofrer mutações. Por isso, o sequenciamento do genoma diretamente a partir de amostras clínicas é um fator importante, que traz resultados mais fidedignos”, ressalta o pesquisador Wim Degrave, do Laboratório de Genômica Funcional e Bioinformática do IOC, que participou do estudo.

Comparando os genomas dos microrganismos, os pesquisadores identificaram mutações sofridas pelo Zika no percurso durante a disseminação nas Américas, o que permitiu reconstruir o histórico do surto. Com base nas semelhanças e diferenças entre as sequências genéticas, os cientistas montaram a árvore filogenética dos microrganismos – similar a uma árvore genealógica. Nessa estrutura, os vírus do Brasil aparecem mais próximos da raiz da árvore, indicando que o país é a origem do surto no continente. Segundo a análise filogenética, Colômbia, Honduras e Caribe foram rotas de espalhamento do vírus. Nos Estados Unidos, o Zika aparece a partir de múltiplas entradas oriundas do Caribe.

Alerta para o futuro

Além de mapear o passado, a análise da variação genética do zika traz informações importantes para o monitoramento futuro da doença. Ao todo, os pesquisadores identificaram cerca de mil variações, sendo aproximadamente 200 chamadas de mutações não sinônimas, ou seja, que causam mudanças nas proteínas do vírus. Embora o possível impacto dessas alterações sobre as funções virais ainda tenha que ser investigado, o estudo alerta sobre a necessidade do monitoramento contínuo para preservar a eficácia dos métodos moleculares de diagnóstico da doença. Para o diagnóstico molecular, baseado na detecção do material genético do vírus em uma amostra, são utilizadas pequenas sequências de nucleotídeos – conhecidas como iniciadores ou sondas – que se ligam a segmentos específicos do genoma do zika. É esse ‘encaixe’ bem-sucedido que permite identificar a presença do patógeno. “Na pesquisa, observamos que alguns desses segmentos já acumulam mutações. Esse processo ainda não prejudica completamente o desempenho dos métodos de diagnóstico, mas é fundamental que isso seja acompanhado para que adaptações sejam feitas quando necessário”, comentou o virologista Edson Delatorre, pós-doutorando do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC, que também participou do trabalho.

Considerando os resultados da pesquisa, os autores destacam ainda o potencial das ferramentas de análise genética para melhorar a resposta dos países diante de doenças emergentes. “A genômica nos permitiu reconstruir como o vírus viajou e mudou através da epidemia – o que também significa que poderia ter ajudado a detectá-lo muito mais cedo. Estávamos muito atrasados em relação ao zika.

Precisamos estar bem à frente da próxima ameaça viral emergente, e a genômica pode ter um papel nisso”, comentou a pesquisadora Bronwyn MacInnis, do Programa de Doenças Infecciosas e Microbioma do Instituto Broad. Em um texto de análise publicado na seção News and Views da revista Nature, o pesquisador Michael Worobey, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, avalia que os três trabalhos recém-publicados estabelecem um novo padrão para o que pode ser alcançado através do estudo de surtos de doenças a partir de sequências genéticas rapidamente obtidas e analisadas em um poderoso quadro computacional. No comentário sobre os estudos, o cientista – que não esteve envolvido nas pesquisas – prevê que a próxima etapa será levar esse tipo de abordagem às ações de rotina para a identificação precoce de novas ameaças. “Essa abordagem pode ser construída a partir das técnicas aplicadas nos estudos recém-publicados. Qualquer ilusão de que isso seria proibitivamente caro deve ser dissipada pela certeza de futuros surtos terão preços de bilhões ou trilhões de dólares e causarão um sofrimento humano inaceitável”, afirmou.

Artigo: HC Metsky et al. Genome sequencing reveals Zika virus diversity and spread in the Americas. Nature. DOI: 10.1038/nature22402 (2017).

*Edição Raquel Aguiar
publicado no Portal da FioCruz em maio de 2017.

Estudo mostra que Zika chegou ao Brasil proveniente do Haiti


Estudo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco revela que o vírus Zika chegou ao Brasil proveniente do Haiti. De acordo com pesquisadores, imigrantes ilegais e militares brasileiros que participaram da missão de paz no país caribenho podem ter trazido a doença.

Entre as hipóteses consideradas até então estava a de que o vírus teria entrado no Brasil durante a Copa do Mundo de 2014, trazido por turistas africanos. Outra teoria era de que a introdução teria ocorrido durante o Campeonato Mundial de Canoagem, realizado em agosto de 2014 no Rio de Janeiro, que recebeu competidores de vários países do Pacífico afetados pelo vírus.

Pesquisadores da UFRJ conseguiram fazer o sequenciamento do genoma do vírus Zika

Segundo a Fiocruz, o vírus Zika, originário da Polinésia Francesa, não veio de lá diretamente para o Brasil. Antes, migrou para a Oceania, depois para a Ilha de Páscoa, de onde foi para a América Central e o Caribe e só então chegou ao Brasil, no final de 2013. O trajeto coincide com o caminho percorrido por outras arboviroses, como dengue e chikungunya.

Esse resultado aponta para o fato de que a América Central e Caribe são importantes rotas de entrada para arbovírus na América do Sul. Uma informação estratégica para a vigilância epidemiológica e para adoção de medidas de controle e monitoramento dessas doenças, especialmente em regiões de fronteira com outros países, portos e aeroportos”, destacou a fundação.

Ainda de acordo com a Fiocruz, em todos os casos brasileiros estudados, o ancestral em comum desse tipo de vírus é uma cepa do Haiti, país afetado por uma espécie de tripla epidemia de zika, dengue e chikungunya.

Outra conclusão do estudo é que houve múltiplas introduções, independentes entre si, do vírus Zika no Brasil. Isso muda a crença anterior de que um único paciente poderia ter trazido a doença, que depois teria se espalhado pelo país.

fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2018-08/estudo-mostra-que-zika-chegou-ao-brasil-proveniente-do-haiti

Publicado em 14/08/2018 - 11:20 Por Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil  Brasília

Maioria dos casos confirmados por febre maculosa em Minas Gerais está concentrada no Centro-Oeste


Divinópolis, Pará de Minas, Itaúna e Igaratinga são os municípios com registros da doença, segundo informou a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

A maioria dos casos de febre maculosa registrados em Minas Gerais, neste ano, está concentrada na região do Centro-Oeste. A informação foi confirmada pelo G1 por meio do boletim epidemiológico fornecido pela Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). As cidades que tiveram casos são Divinópolis, Pará de Minas, Itaúna e Igaratinga.

Sobre prevenção devido à incidência na região, a secretaria informou que cada Prefeitura é responsável pelas ações com moradores.

Em Divinópolis, das três mortes sob suspeita, duas foram confirmadas nesta quarta-feira (15) pela SES como casos de febre maculosa. A nota do órgão reiterou a confirmação dada no dia 8 de agosto pelo secretário Municipal de Saúde, Amarildo Sousa.

Em Itaúna, três mortes pela doença foram confirmadas. Os laudos foram divulgados no dia 3 de agosto. Em Pará de Minas, conforme a SES, houve um caso da doença, entretanto o paciente se recuperou.

Já em Igaratinga, apesar do boletim constar registro de uma morte pela febre maculosa, o Município informou ao G1, nesta quarta-feira (15), que a vítima não era natural de Igaratinga e nem residia na cidade.

Segundo disse a coordenadora municipal de epidemiologia, Angélica Conceição dos Santos, a vítima é uma criança do sexo masculino, de 3 anos, residente de Belo Horizonte. Ela visitou Igaratinga semanas antes do óbito, contudo, a coordenadora disse que não foi comprovado que tenha contraído a doença na cidade.

“Quando foi me repassada a informação de que a criança havia visitado o sítio de parentes aqui na cidade, eu comuniquei a Regional de Saúde e os técnicos vieram e coletaram amostras de sangue de cavalos e cachorros que habitam o sitio. E esses exames revelaram que a imunoglobulinas dos cavalos deram positivo para febre maculosa, mas as amostras de carrapato deram negativos”, disse.

Após o registro do caso, a Prefeitura orientou principalmente os residentes do sítio onde a criança esteve a tomar medidas de prevenção em relação a doença. Foram feitas dedetizações no local, além de ações ensinando como deve ser feito o manejo de animais, como por exemplo, cavalos.


Por Mariana Gonçalves , G1 Centro-Oeste de Minas

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Em 18 meses, país registra 250 casos de febre maculosa com 81 mortes


Doença é transmitida pelo carrapato estrela, espécie achada em áreas onde circulam cavalos e bois. Mas o animal preferido do carrapato é a capivara.
Por Jornal Nacional


Agentes de saúde do interior de São Paulo caçam carrapato-estrela.

Outro animal que provoca preocupação é um hospedeiro do carrapato-estrela, que transmite a febre maculosa.

A família de Laura Vicente, de 15 anos, tenta entender como a doença evoluiu tão rápido. A estudante, que morava em Salto, no interior de São Paulo, ficou internada nove dias e morreu com febre maculosa. "Ela só se manifesta depois de um tempo encubada. Ela é muito devastadora, foi uma coisa assim, muito rápida”, conta Marcelo Kenji, tio de Laura.

A febre maculosa é uma doença infecciosa transmitida pelo carrapato-estrela, espécie encontrada com mais facilidade em áreas de mata, por onde circulam cavalos e bois. Mas a preferência do carrapato é pela capivara, encontrada cada vez mais em centros urbanos. "A capivara é um hospedeiro natural, ela se torna uma fonte de infecção importante dentro dos centros urbanos”, explica a veterinária Andrea Higa Nakaghi.

Os sintomas da febre maculosa aparecem em até duas semanas depois da picada do carrapato e são parecidos com os de outras doenças: febre alta, dor no corpo, dor de cabeça. O diagnóstico é feito por exame de sangue e a demora para identificar a doença pode provocar complicações graves e levar à morte.

“A ação dela é dentro das células e vai ganhando corrente sanguínea, e aí é que está o grande estrago da febre maculosa, que a bactéria ocasiona: ela vai para a parede do vaso e destrói as células que compõem a parede do vaso, fazendo lesões em todo o organismo”, diz o infectologista Fernando Ruiz.

Em 2017, 65 morreram no Brasil. Este ano, já foram 62 casos, com 16 mortes. São Paulo é o estado com mais registros: 32, com 14 mortes. Minas registrou 13, com duas mortes. Santa Catarina também teve 13 registros, nenhuma morte.

Em Jundiaí, interior de São Paulo, agentes de saúde estão percorrendo parques e instalando armadilhas para capturar os carrapatos. “A ideia é saber qual a concentração desses em várias áreas públicas da cidade. A partir de então, nós fazemos uma orientação aos responsáveis do local para que façam um trabalho preventivo”, explica Carlos Ozahata, do Centro de Zoonoses.

Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional

Projeto-piloto com mosquitos erradica dengue na Austrália



Insetos infetados com a bactéria Wolbach têm sido eficazes no combate ao dengue na cidade australiana de Townsville. Cientistas esperam que a técnica possa erradicar também surtos de dengue e malária

Um projeto-piloto lançado há quatro anos na Austrália está a revelar-se eficaz no combate ao dengue. Insetos infetados com a bactéria Wolbach – que não transmitem o vírus – têm contribuído para a erradicação da doença na cidade australiana de Townsville.

Esta técnica já tinha sido aplicada em territórios mais pequenos, entre 1 e 1,5 km², mas desta vez estes insetos foram libertados em mais de 66 km² da cidade australiana, com cerca de 190 mil habitantes.

Os resultados estão a motivar a equipa de cientistas responsável pelo projeto, que espera que a mesma técnica possa erradicar também surtos de zika e malária, nomeadamente no Brasil e na América Latina.

“Estou extasiado. Temos aqui algo que vai ter um impacto significativo, acho que este estudo é a primeira indicação de que este procedimento será muito promissor”, afirmou ao “Guardian” Scott O’Neill, diretor do Programa Mundial de Mosquitos da Universidade Monash, na Austrália.

A decorrer em 11 países, este projeto-piloto será testado em breve na cidade indonésia de Yogyakarta, onde será aplicado inicialmente por um grupo de cientistas e mais tarde envolverá também a comunidade local.

Fonte:https://expresso.sapo.pt/internacional/jornal portugues.

Instalação de bloqueador para ratos no vaso sanitario

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Fiscalização de Lei dos Pombos continua indefinida




A Prefeitura de São Paulo ainda não definiu detalhes sobre a fiscalização e aplicação de multa para quem alimentar ou criar pombos na Capital. A Lei 16.914, publicada no Diário Oficial há quase dois meses, em 6 de junho de 2018, sujeita o infrator a uma multa no valor de R$ 200, aplicada em dobro a cada reincidência.

A administração pública explicou que tem 90 dias, a partir da data da publicação, para regulamentar o texto. A lei foi sugerida pelo vereador Gilberto Natalini (PV) e proíbe até a comercialização de alimentos para pombos nas vias e logradouros públicos.


Os proprietários de imóveis com infestação das aves também terão que providenciar redes e outros obstáculos, visando a dificultar o pouso e a criação de ninhos destas aves. A Prefeitura não definiu, por exemplo, qual órgão do Governo realizará a autuação dos munícipes e fiscalização nas casas, nem se a multa será aplicada no CPF.


De acordo com Natalini, a intenção é diminuir o número desses animais no meio urbano. “Eles trazem uma série de problemas, prejudicam a cidade e transmitem muitas doenças”, disse. 

Fonte:https://metronews.com.br

segunda-feira, 23 de julho de 2018

É POSSÍVEL CONTROLAR PRAGAS EM SUPERMERCADOS?







Talvez um dos maiores desafios para controlar pragas que um profissional enfrente seja o  controle de pragas, em especial roedores, em supermercados ou organizações de auto-serviço.

Esses clientes tem um perfil bem diferente do industrial no que se refere à segurança e medicina no trabalho. Durante a elaboração desse artigo me deparei com um trabalho muito interessante de 2009 - SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO EM REDE DE SUPERMERCADO: UMA ESTRATÉGIA CORPORATIVA E COMPETITIVA de autoria de Centurión WC et al que trata de uma análise das condições de segurança e higiene em uma organização de auto-serviço.

O diagnóstico levantou uma série de fatores importantes que estavam causando absenteísmo, ações trabalhistas, insatisfação dos funcionários e prejuízos para a organização.

Interessante como todas essas questões apontadas no diagnóstico tem a ver com o controle de pragas. Um dos aspectos levantados foi a falta de manutenção da edificação e a excessiva quantidade de água espalhada em vários locais, geralmente fora da vista do consumidor. Esse é um ponto de destaque quando temos pragas instaladas ou importadas. São dois aspectos que aumentam exponencialmente a capacidade do ambiente de reter pragas urbanas e até criar situações que permitam a sua reprodução dentro de ambientes que normalmente deveriam ser impermeáveis a esses insetos.

O mesmo trabalho aponta como uma gestão bem feita de Segurança e Saude Ocupacional ampliam os lucros da empresa e aumentam o seu posicionamento perante um mercado tão competitivo.

O Controle de Pragas em ambientes de alta rotatividade como é um auto-serviço é dificultado por estar sujeito a fatores como falta de treinamento, desconhecimento das equipes quanto à importância do controle de pragas, entrada constante de novos itens que muitas vezes chegam transportando pragas em suas embalagens, estoque de mercadorias muito justo, favorecendo o abrigo de pragas. Neste último caso, há uma grande demora em verificação dos prejuízos já que as mercadorias estão tão juntas que não se percebe as infestações no seu inicio. Tudo pode acontecer nesse ambiente rico em alimentos, embalagens, desorganização e pouco conhecimento a respeito do problema.


Em sua maioria quase nunca vemos um controle integrado de pragas. Dificilmente as pessoas contato têm conhecimento nesse trabalho. O atendimento desse tipo de cliente, mais do que para qualquer outro, depende demais dessa sintonia, de possuir internamente uma interface esclarecida, que se interesse pelo assunto, e que possa tomar ações orientadas pelos profissionais de controle de pragas, que reduzam ao máximo a presença de pragas urbanas no ambiente de loja e de estocagem. Para piorar a situação a maioria dos empresários investe muito pouco ou quase nada nessa atividade tão intimamente relacionada com a Segurança e Higiene no Trabalho que é o Controle de Pragas. O interesse maior é obter um documento Certificado que sirva para ser apresentado durante a visita da Vigilância Sanitária.

Esse é o primeiro problema a enfrentar até porque as perdas por pragas não são contabilizadas adequadamente e os gerentes ou diretores não recebem uma avaliação fidedigna dos prejuízos causados por pragas urbanas. Muitos produtos são retornados aos fabricantes e, muitas vezes, esses últimos é que acabam assumindo os riscos.

Há um aliado importante que é o responsável pela limpeza do estabelecimento. Esse colaborador e sua equipe precisam participar ativamente desse trabalho, entender por que é tão necessária uma limpeza adequada, em todos os cantinhos e com a freqüência esperada.

Outro forte aliado é o responsável pela manutenção, aquele que vai executar os serviços preventivos necessários. Essa pessoa precisa trabalhar de comum acordo com essa equipe multidisciplinar para derrotar inimigos poderosos, que aprenderam a conviver com o homem, e mais, aprenderam que o homem se descuida, que deixa falhas que são rapidamente detectadas por esses organismos urbanos, infectantes e cuja presença pode pôr em risco campanhas publicitárias que custam muito dinheiro e a própria reputação do estabelecimento.

Somente esse grupo, atuando sintonizado, poderá produzir ações satisfatórias para o controle das pragas em Supermercados. 

Daí a necessidade de se aplicar o controle integrado realmente. Só ele dará os resultados que queremos.

Lucia Schuller
Bióloga e Mestre em Saúde Pública








quarta-feira, 18 de julho de 2018

Estado de São Paulo soma 11 mil ataques de escorpião


Número vem crescendo nos últimos anos. Eles entram nas casas atrás de baratas, que são seu principal alimento. Por isso, é importante deixar o ambiente sempre limpo. 
Em Cotia, alunos aprendem a se defender na escola

Mais de 11 mil casos de ataques de escorpião já foram registrados este ano, no Estado de São Paulo. Estima-se que são, em média, até duas ocorrências por hora. Se esse ritmo for mantido, será ultrapassada a marca de 2017, quando foram registrados 21,7 mil ataques, contra 18 mil, em 2016. Um ano antes, o número também havia sido menor, de 15 mil. De acordo com o biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT, MS), o problema em ambiente urbano é muito mais comum do que as pessoas imaginam.

“Escorpiões se alimentam de baratas, que são insetos domésticos. Eles invadem as casas atrás das baratas e depois acabam também buscando espaços onde se alojar”, explica. Segundo ele, nas grandes cidades a espécie mais perigosa é o escorpião amarelo (Tityus serrulatus), que se reproduz por partenogênese, ou seja, a fêmea se reproduz sozinha). A melhor maneira de evitar a visita desses aracnídeos é manter os lugares limpos, livres de entulhos. “No quintal de casa evite o acúmulo de telhas ou de tijolos, por exemplo.

Eles podem se esconder entre as frestas. E se perto de casa tiver algum terreno baldio, peça para que a prefeitura providencie a limpeza do local”, orienta. Se a pessoa for picada, a recomendação é procurar um serviço de atendimento médico o mais rápido possível. “Geralmente, primeiro é aplicado um medicamento para aliviar a dor provocada pela picada do escorpião. E depois, se for o caso, é aplicado o soro antiescorpiônico. “O medicamento neutraliza as toxinas do veneno circulante no corpo”, esclarece Puorto. A aplicação é geralmente indicada para crianças e idosos, considerados maior grupo de risco.

Fonte: http://webdiario.com.br