Situação pode piorar com atualização de dados da Mata Sul.
Até agora são três mortes, sendo duas em Ouro Preto, Olinda
Já foram notificados 126 casos suspeitos da doença, que é
provocada pela urina de ratos infectados
Em uma semana, os casos suspeitos de leptospirose no Estado
subiram 15,5%. O número de mortes também subiu de um para três. A primeira foi
em Igarassu e as duas últimas no bairro de Ouro Preto, Olinda. Entre os dias 28
de maio e 3 de junho foram registradas 126 notificações da doença, que é
provocada pela urina de ratos infectados, contra 109 na semana anterior.
Autoridades em saúde apontam que a alta é sazonal, já que a enfermidade está
ligada à estação chuvosa. Contudo, o Estado alerta que uma possível explosão de
casos, principalmente, nas áreas de enchentes é uma ameaça real, visto que
muitas pessoas tiveram contato com as águas de inundações e lixo.
A situação da leptospirose na Mata Sul ainda não consta no
relatório oficial da Secretaria Estadual de Saúde (SES), porque os sistemas de
notificação online se perderam nas cheias. “Como é tudo via sistema e algumas
cidades foram atingidas, os computadores também foram perdidos. Os dados da
regional (de Palmares) não vieram ainda por conta desse problema. Quando
ajeitarmos isso, provavelmente teremos um aumento de notificações nessas
cidades também”, disse a coordenadora do Programa Estadual de Leptospirose,
Raylene Medeiros.
Até então, a 3ª Gerencia de Saúde, que abrange cidades
atingidas pela enxurrada, notificou apenas dois casos suspeitos. Os primeiros
sintomas surgem entre sete a 14 dias após a contaminação, o que reforça a
possibilidade de surtos pós-enchentes na Mata Sul. Para evitar o contágio,
Raylene reforça a necessidade do uso de equipamentos de proteção, como botas.
Na falta de botas, é recomendado usar sapato fechado e
amarrar saco plástico nas pernas. Em caso de contato com água suspeita, é
preciso lavar a parte atingida com água e sabão e eliminar qualquer alimento
que tenha sido molhado.
A falta dessa proteção, aliada ao acúmulo de lixo e a grande
infestação de roedores, levou à morte o jovem Lucas Rafael, 22 anos, em Olinda,
no último dia 10 de maio. “Ele só andava descalço e tem muito rato por aqui,
que é perto de mangue e canal.
Depois que meu neto morreu fiquei sabendo aqui na vila de
uns cinco casos de leptospirose também”, contou o avô da vítima, João Batista,
70 anos. Lucas começou a vomitar e apresentar muita fraqueza. Chegou a ser
levado três vezes para o hospital, mas os diagnósticos iniciais eram de virose,
dizem os familiares.
“Da ultima vez o médico descobriu que era essa doença e
encaminhou ele correndo para a UTI do Miguel Arraes. Ele ainda ficou 14 dias,
mas o caso era muito grave e ele morreu”, relembrou o avô. Além dele, outro
homem, de idade ainda não confirmada, morreu na última semana.
A secretária executiva de Saúde de Olinda, Zelma Pessoa,
contou que até agora o município já registrou 22 casos suspeitos contra 41 no
mesmo período do ano passado. Contudo, em 2016 não havia sido contabilizado
nenhuma morte no mesmo período. As ações de controle já vêm se intensificando
na cidade. “Assim que é feita a notificação ou a confirmação de casos,
imediatamente as equipes fazem o bloqueio e iniciam ações de controle para aquela
área”, afirmou.
Entre as medidas já tomadas, disse a secretária, estão a
colocação de duas mil iscas para ratos, a disposição de dez quilos de pó
raticida e distribuição de três mil panfletos. São áreas prioritárias para o
combate à doença os bairros de Rio Doce, Águas Compridas, Jardim Brasil, Amaro
Branco, Ouro Preto, Bultrins, Varadouro, V-8 e V-9, Canal da Malária e Ilha do
Maruim.
Já foram notificados 126 casos suspeitos da doença, que é
provocada pela urina de ratos infectados
Ao todo, 31 municípios foram atingidos pelas chuvas
Fonte: http://www.folhape.com.br